Igual a quase todo mundo, também lamentei que a ministra Marina Silva tivesse saído do governo. Isso até saber que ela não só é criacionista como também advoga o ensino dessa bobagem nas escolas. A notícia é antiga, eu sei, mas eu sou lentinha mesmo. Anyway, depois que - finalmente - fiquei sabendo disso, comecei a achar que, sinceramente, ela já foi tarde. Evoluir ou perecer, é assim que funciona. Ou deveria.
Esse mundo tá ficando a cada dia mais burro e sem graça. Agora foi o George Carlin, mais um dos meus velhinhos preferidos, quem bateu as botas. Mas pelo menos não foi de doenças longas, dolorosas e degenerativas. Espero que tenha sido rápido e tão indolor quanto possível. Love, love, love, and bye-bye, Carlin. Shit, piss, fuck, cunt, cocksucker, motherfucker, and tits forever.
Amy Winehouse internada com enfisema por causa do abuso de drogas. Que desperdício, né ? Não compartilho o gosto, mas até entendo que ela goste de viver sempre high as a kite. Mas pô, pelo que eu sei, todo o conceito de drogas recreativas é levar a vida – se possível, longa - no recreio, não no balão de oxigênio. Vai conversar com o titio Keith Richards, filhinha. Vê se aprende.
Até tava, mas aí vim trabalhar e no caminho tinha um ônibus
andando na minha frente, com propaganda daquele programa local
estampado na traseira (me recuso a chamar a bunda do ônibus de
‘busdoor’).
Ela diz:
Hehehe... mas o que tem uma coisa com a outra ?
Cynthia diz:
É que ser obrigada a ver a cara do Phulanal Sicranneira em
tamanho extra-grande numa puta segunda-feira, estando de
estômago embrulhado, é de matar qualquer um...
Léo diz:
Sabe aquelas campanhas que você tem de fazer numa sentada só em, no máximo, meio período? Aquelas campanhas que o cliente não pode esperar pois a temporada é em julho e só faltam dois meses? Então, a campanha tá pronta desde a semana passada, mas está jogada aqui na mesa ao lado esperando a menina do atendimento ter tempo pra levar.
Cynthia diz:
Puta merda. Mas pelo menos ninguém meteu o dedão nela não, né ? Digo, na campanha, não na menina do atendimento...
Léo diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Nelson Moraes diz:
Mas esse povo é assim mesmo. Todos se lambem e se elogiam. Já na minha equipe eu andei reparando até numas disputazinhas de ego. Todo mundo age que nem judeu, só se une quando alguém de fora puxa briga com eles... mas foda-se. Sempre teremos Paris.
Cynthia diz:
Sei não, acho que cês sempre terão é Páris. E a briga constante pela maçã de ouro.
Nelson Moraes diz:
Hahahahahahahahahaha...
Nelson Moraes diz:
Vortei.
Cynthia diz:
sodaaaaaaaaaaaaaaaaaade do mobééém
Nelson Moraes diz:
Cynthia diz:
demoreaux, chéri.
Nelson Moraes diz:
Preunião de ré-produção.
Cynthia diz:
ré-produção ? Isso pra mim é trepada...
Cynthia diz:
...na Bahia !
Nelson Moraes diz:
Hahahahahaha
Cynthia diz:
... mas se é com preunião, é só depois de casar, né ?
Cynthia diz:
...mas que merda essa notícia, hem ? Parece que nos últimos meses, quem não morre de câncer tá se desfazendo em Alzheimer...
Eu não entendo nada de direito internacional, mas suspeito que deve existir alguma lei pétrea que reze que absolutamente todo e qualquer filme realizado na - ou sobre a - França tem que ter, obrigatoriamente, o Gérard Dépardieu no elenco, nem que seja por dez segundos. Ainda bem que ele é bom.
Tem cineasta que consegue fazer, em cinco minutos, uma história inteira, com classe, belas cenas e emoção suficientes pra um longa metragem. E tem outros com quem até mesmo cinco minutos são um imperdoável desperdício de celulóide.
É impressionante a incapacidade norte-americana de descobrir – ou de perguntar logo a quem saiba – nomes latinos decentes para os seus personagens. Depois da enxurrada de ridículos prenomes ConsuelA (?) para qualquer hispânica cinematográfica das últimas décadas, agora chegou a vez de botar nomes idiotas nas personagens brasileiras, como uma “Sondra” interpretada pela menina aquela no filme de kung fu pittboy-jutsu do Mamet. Gatim ainda se perguntou (retoricamente, claro) “Mas se ela é brasileira e tava filmando com ele, custava ter dito pro cara que esse nome não se usa no Brasil, e pedir pra mudar, sei lá, pra 'Sandra' ?”. Sei não, mas acho que a única conclusão possível e plausível é de que a moça deve ser meio, er, mondra ?
Ando perdendo todos os filmes legais no cinema, acabo só assistindo aos bichinhos meses depois, quando saem em DVD. Não é só por preguiça de ser obrigada a assisti-los junto a platéias que fazem eu me sentir dentro da jaula dos macacos (on meth), nem pela comodidade de poder parar, voltar, dar zoom, ir tirar dúvidas no imdb a qualquer momento ou botar legendas em inglês, não. É principalmente pra ir me preparando. Porque sinceramente, eu não gosto, mas posso até ver, sem maiores traumas, filmes em que 322 figurantes são mortos com metralhadora, mísseis ou a dentadas de vampiros e lobisomens nos primeiros cinco minutos, mas não sei se tenho estrutura pra assistir a um único em que uma mulher legal e inteligente vai perdendo tudo o que importa e se desfazendo aos poucos em mal de Alzheimer. Pra mim, horror/terror de-vera-mesmo-pra-valer é isso : perigo real e, de certa forma, imediato. E sem o Harrison Ford no casting.
Adoro o Zeca Baleiro, sempre que posso vou aos shows, e mesmo quando ele começa 40 minutos atrasado sempre acho bom. Ainda mais quando ele resolve cantar uma música do Chico Buarque que quase ninguém conhece – e portanto permitem que ele cante sozinho - e que eu amo de todo coração. Quase dá pra esquecer a vergonha alheia pelas malucas esparsas na platéia gritando inacreditáveis “lindo”, “gostoso”, “vamo lá pra casa” e outras mimosuras, mesmo DEPOIS do cara, num deboche muito merecido, dizer coisas como “Adoro ver criança na platéia. Mais até do que essas moças assanhadas assim” e “Eu vou tentar cantar a canção que aquela senhora alterada ali pediu”. Quase. Mas aí ele canta uma música neo-brega muito divertida e lembra que sim, Amado Batista é daqui. Aiai.
Eu acho até legal que temakerias estejam na moda, já que adoro comida japa e acredito que a concorrência aumenta a competência. Além do mais, como bem lembrou minha sobrinha, quando a moda passar alguns dos restaurantes vão continuar, mas os preços devem cair. O duro é agüentar a faunazinha presente nos lugares que por acaso servem comida de que você gosta antes que a moda acabe. A combinação de água oxigenada com a energia elétrica gasta nas chapinhas das Barbies – o ataque das clones - que, aparentemente, formam 80% da população da cidade, deve ser suficiente pra explodir um pequeno país europeu (ou dois). Já o Q.I. combinado de todas não parece ser capaz de gerar meia sinapse num cérebro de rã hibernada a -10ºC , e a profundidade dos assuntos e sentimentos (expostos em conversas sempre em volume mais alto do que o necessário e com aquele adorável R de envergonhar até sorocabano) mal daria pra molhar o fundo de um CD. Bom, pelo menos deve ser bom pra insônia.
Toda vez que sou obrigada a ficar no meio de uma multidão, chego à mesma conclusão : gente é que nem bebida alcoólica. Umas poucas unidades, em pequenas doses, são excelentes, divertidas e podem diminuir inibições e até causar uma leve euforia. Mas basta passar de um certo número – normalmente de um único dígito, aliás – pra só causarem mal estar, desequilíbrio, engulhos, dor de cabeça e (não importa se própria ou alheia) muita, muita vergonha. Mas muita mesmo.
Escolas de inglês mudernas e descoladas – prefiro chamá-las de “cool”, combina perfeitamente com elas - não gostam de professores rígidos. Afinal de contas, aluno agora é cliente, e o cliente tem sempre razão, mesmo quando é uma besta completa. Na maior parte das vezes, o cliente não gosta de ter que pensar, ou trabalhar em casa, ou de ter nota baixa, ou, no caso dos pagantes serem os pais do monstrinho respeitável discente , de ter que se preocupar, supervisionar ou, de qualquer forma, perder tempo com a beleza de criatura que cuspiu no mundo. A lógica dominante e aceita dos dois lados é de que quem paga está previamente coberto de razão. Além do mais, segundo a maioria das escolas, o importante é que o aluno “consiga se comunicar”, mesmo que isso signifique que o gênio da raça vai escrever coisas como “My house stay well in the corner of the avenue Assis Chateubriant (look, mamma, a bilingual illiterate !) with the street Republic of Líbano” sem nem ficar vermelho, e que, se algum dia quiser, sei lá, comer um frango em algum restaurante fora do país, mesmo tendo estudado sabe-se lá quantos semestres, terá que fazer uma ridícula mímica de galinha retardada – e ainda contar pros outros depois, achando lindo – e sempre levar horas pra “comunicar” qualquer bobagenzinha que, se tivesse tido a inteligência de aproveitar bem seu dinheiro e suas aulas, poderia dizer claramente em 10 segundos. E por que não, né ? Afinal, todo mundo sabe como são simpáticos e pacientes os gringos, especialmente os americanos (e adivinha pra onde quer ir o grosso dos aplicados estudantes brasileiros ?) com quem não fala a língua deles, principalmente quando o cacarejante e adejante palhaço em questão é obviamente vindo do que eles ainda chamam de 3º mundo – poderiam chamar de “bárbaros” que dava no mesmo – e além de tudo, é quase sempre completamente incapaz de usar as palavrinhas mágicas correspondentes a excuse me, please e thank you, nem mesmo no seu próprio idioma.Aí o sujeito passa seis meses num intercâmbio em Miami ou lavando prato ilegalmente na rua 42 em NY, aprende um bocadinho de espanhol e um pouquinho de ingreis – sua cultura geral continua a mesma, ou seja, algo bem próximo do zero absoluto - e quando volta, cheio de pose, vai “trabalhar” dando aula pra outros clientes ou pior, dublando filme. E aí, entre outras pérolas, traduz, por exemplo, “sourpuss”* como “covarde amargo”. Quem não conhece a língua – ou conhece tanto quanto ele – acha meio estranho, mas segue em frente, com maior ou menor prejuízo do entendimento da história e dos diálogos. Quem nasceu antes da era do aluno-cliente, ou simplesmente se deu ao trabalho de aprender direito, fica rindo um tempão, feito um bobo, não tanto só da burrice do tradutor, mas principalmente de alívio. Porque sabe que quando um ex-cliente cheio de razão e curto de paciência resolve quebrar a palavra desconhecida por ele em duas e traduzir sour** e pussy*** separadamente, a coisa podia, fácil, fácil, ter saído BEM pior...
* cara amarrada
** azedo (e não, não, não amargo)
*** palavra que tem, entre seus vários significados, o de covarde, mas também o de gatinha e o de, hum, digamos... xoxana.
PERGUNTAS QUE NINGUÉM NUNCA ME RESPONDE - MAS QUE EU CONTINUO FAZENDO MESMO ASSIM
Por que será que mesmo com toda a tecnologia disponível hoje em dia, com simuladores pra tudo o que se puder pensar (até pra trepada, pelo que eu ouço dizer), o povo ainda insiste em colocar os coitadinhos dos manés-aprendizes de motorista num carro de verdade, a 30 km/h, no meio do trânsito nas principais avenidas da cidade – e na hora do rush ?
Por que será que os fdp dos produtores de séries americanas, quando vêem que a audiência de uma delas não vai bem e é melhor cancelar, não têm nem a delicadeza de dar uma satisfaçãozinha pros poucos milhares de bobocas que assistiam àquela merda – aliás, merda o cacete : pela minha experiência, algumas das melhores séries já criadas são canceladas ainda na primeira ou segunda temporada, enquanto bobagens insuportáveis como king of queens duram anos e anos – mas, dizia eu, custava tanto assim eles respeitarem a pequena-porém-fiel platéia e pelo menos criar e produzir um (ou dois, ou três, quantos fossem necessários, oras) episódio amarrando as pontas, passando a régua e, como dizia o bom e velho Duke, “pondo logo um amém nisso” ?
Por que será que foi só o gatim confundir a música que eu estava assoviando e achando lindinha – Anyone else but you– com a Macarena pra eu perder completamente o encantamento por ela ?
Por que será que mulheres com mais de 5 - tá bom, tá bom, deixo por "com mais de 25" - aninhos insistem em usar franjinha de Cleópatra, e acreditam que aquilo lhes cai bem ?
Por que será que bastou meu salário chegar a níveis nunca antes alcançados (pra baixo, é bom explicar) e começar a atrasar pra que praticamente TODAS as minhas despesas fixas e variáveis aumentassem, sem motivo e sem aviso ?
Lá por 2002, 2003, logo que eu fiquei sabendo da existência – e do que se tratava - eu achava esse negócio de blog meio estranho, um lance meio narciso-descontrol-despudorado, meio excessivamente exibicionista, sei lá. Aí gatim foi me cooptando e, aos poucos, comecei a achar que o tal do blog tinha suas vantagens - pra mim, especificamente, elas são : terapia grátis, válvula de escape e, principalmente, uma maneira de ler textos sensacionais que nunca seriam publicados, e de conhecer e fazer amizades, mais ou menos profundas ou superficiais, com pessoas maravilhosas, que de outra forma eu jamais saberia que existiam (e vice-versa). Mas ainda hoje, quando eu vejo a quantidade de formas que surgem quase diariamente (e que algumas pessoas usam superbem, mas a grande maioria utiliza não só para se expressar como também para matar uma fome por atenção que não pode ser normal), eu me lembro do trecho de uma musiquinha da Laurie Anderson que sempre me vinha à cabeça lá nos primórdios, quando eu via uma página especialmente boba e sem razão de ser no orkut, num blog, num fotolog. São versos primos-irmãos da frase dos quinze minutos do Andy Warhol, e como foram escritos por volta de 1983, bem antes da onda de reality shows e outras anomalias televisivas, tão proféticos quanto. Só achei que minha estrofe preferida merecia um pequeno adendo – que eu fiz, e está aí embaixo, em vermelho – pra dar uma atualizada na letra. O pior é que eu tenho absoluta certeza de que deixei um monte de outras novidades de fora...
Well I dreamed there was an island That rose up from the sea. And everybody on the island Was somebody from a blog, fotolog, twitter, myspace, facebook, orkut, youtube, movies or TV. And there was a beautiful view But nobody could see. Cause everybody on the island Was saying: Look at me! Look at me! Look at me! Look at me!
Look at me! Look at me! Look at me! Look at me!
Eu sonhei que havia uma ilha
Que surgiu do mar, sem por quê.
E todo mundo na tal ilha
Era alguém de umblog, fotolog, twitter, myspace, facebook, orkut, youtube, cinema ou programa deTV
E a vista era muito linda
Mas ninguém via nada, enfim
Porque todo mundo lá na ilha
Dizia o tempo todo : Olha pra mim ! Olha pra mim ! Olha pra mim ! Olha pra mim ! Olha pra mim ! Olha pra mim ! Olha pra mim ! Olha pra mim !
Esta semana peguei um frila (não sei bem por que, já que até hoje, pela minha experiência, “frila” é sigla pra “Fazer, Revisar, Investir, Lamentar & Arrepender-se”, mas enfim) de tradução pra fazer e acabei trabalhando mais horas por dia – e noite - do que nos últimos anos todos somados. Minhas madrugadas, que já vêm sendo insones faz tempo, ficaram também curtas, estressadas e noiadas. Quando finalmente acabou, fiquei tão aliviada que, por algumas horas, consegui até esquecer que eu achava sabia que se os @#$%¨&* dos clientes tivessem me dado mais tempo, o trabalho teria ficado muito, mas muito melhor. A sensação de ter dado conta da responsa em tempo hábil foi mais forte, e tão boa que consegui até dormir, profunda, plácida e profundamente... até ser desperta bem antes do necessário pelo habitual Concerto Dissonante para Esmeril & Motosserra, seguido da Pavana para Alarme Disparado, realizado 7 dias por semana na minha rua – aparentemente, bem debaixo da minha janela - , claro. Foi por isso que peguei este filme na locadora hoje. Algo me diz que, mesmo se ele acabar se revelando uma bomba*, eu vou amar.
Eu amoamoamoamo ganhar flores, e amo amoamoamoamo rosas amarelas. E frequentemente, como vocês bem sabem, eu odeioodeio Boiânia e Boiânia me odeiaodeiaodeia. Portanto, é óbvio que rosas amarelas são mais difíceis de se achar em Boiânia do que Edelweiss (brincadeirinha) ou tulipas (sério). Daí que quando eu fui pra cama às seis e meia da manhã no dia do meu aniversário (por causa do frila mardito dos infernos), quase fiquei brava quando o gatim me acordou às sete. Mas ele me acordou com beijinhos, declarações de amor, um perfume grandão – ui - que eu adoro e um buquezão de lindas, loucas e loiríssimas rosas amarelas. Gatim que é gatim não se amedronta com dificuldades de logística, preconceitos de cor floriculturais nem com mulher brava. Gatim arrasa muito.
Se tem alguém aí, do outro lado da tela do computador, que saiba de algum remédio que REALMENTE funcione pra queda de cabelo excessiva em mulheres fêmeas do sexo feminino com cromossomos XX, me fala. Eu não tô com ânimo de ir ao médico de novo, não. Meses atrás eu fui, fiz toooodos os exames e o dermatologista disse que era stress, mas mesmo depois que eu fiquei bem mais calma, continuo ganhando a competição de fur shedding contra a Nina. E claro, como eu sou chata, não vou aceitar qualquer conselho não, viu. Indicar shampoos de 100 reais não vale – já usei todos, ou quase, nacionais, importados, cheirosos e fedidos, e a única coisa que aconteceu foi que meu bolso conseguiu ficar careca antes de mim. Pantogar também só serviu pra me empobrecer ainda mais (se isso é possível), e ainda por cima me deu um efeito colateral – na verdade, retaguardal – tão horrível e violento que nem terminei a primeira cartela. O outro nigucim caro paca de passar na cabeça também não adiantou nada. Bepantol no shampoo também não funcionou muito. Chá de folha de mandioca, nada. Um outro troço com octopyrox eliminou a caspa, mas o cabelo também continua sendo eliminado. Mas tirando esses, vale tudo, até injeção na testa. Porque o trem tá feio aqui, os fios tão debandando tanto que ando com medo de, qualquer dia desses, acabar incorporando o personagem da primeira piada que ouvi e entendi na minha vida (eu devia ter uns 4 anos, e minha irmãzona de 9 foi quem me contou) : “Um cara tinha três fios de cabelo. Aí um dia ele acordou e foi penteá-los e pá, caiu um. Ele foi pentear os outros dois, no maior cuidado e pum, caiu mais um. Aí ele apelou e disse ‘Ah, vou sair com tudo embaraçado mesmo”...
*Update : acabei de ver o filme e, infelizmente, apesar do Tim Robbins e William Hurt no elenco, ele é mesmo bem ruinzinho. Ainda assim, a identificação com o protagonista revoltado com os barulhos da cidade e a catarse vicária causada por algumas das cenas de vandalismo de carros e prédios com alarmes disparados à toa é inevitável. Se tivesse uma meia hora a menos e um pouco mais de autocrítica por parte do autor-diretor, podia até ser bom.
Tadim do tiedson. Foi separar uma briga entre as cachorras dele e a buldogue mordeu o pé dele feio. O bicho tá andando igualzinho ao Fogoyó, tipo “deixa que eu chuto”...
Nelson Moraes diz:
Hahahahahaha, cê falou isso pra ele?
Cynthia diz:
Eu não, hohoho
Nelson Moraes diz:
Fala aí pra ele que isso parece letra de funk carioca: separar briga de duas cachorras é mancada na certa...
Cynthia diz:
Uia, legal. Será que vamos ser o primeiro estado brasileiro com um governador gay (depois do XX, claro...) ?
Nelson Moraes diz:
E de XX.
Cynthia diz:
Ah, é, tinha me esquecido dele, hahaha...
Nelson Moraes diz:
Farmalnão, muita gente nem sabe.
Cynthia diz:
Porra, então nem nisso a gente é o primeiro, hem ?
Nelson Moraes diz:
Pois é, até na doação de botão Goiás leva na bunda.
Cynthia diz:
Hahahaha, tava vendo meu sitemeter, e olha o absurdo que vieram procurar no meu pobre bloguinho : loira+se+acabando+na+pica+do+negão...
Nelson Moraes diz:
Putz, o cara é um poeta.
Cynthia diz:
É um poeta, um dramaturgo, um gênio... um verdadeiro
Shakesprick.
Cynthia diz:
Hehehe, outra do sitemeter : "ajeitar cds riscados com uma banana"
Nelson Moraes diz:
Hahahahahahahahahaha... como é que alguém risca um cd com uma banana ?
Cynthia diz:
Hehehe... ficou parecendo isso mesmo... como será ?
Nelson Moraes diz:
Passando um preparando anti-banânico, acho.
Cynthia diz:
Hahahahahahahaha... acho que eu preciso de um preparado desses, pra desembananar a minha vida.
Nelson Moraes diz:
Eu poderia tentar desembocetar minha vida com um anti-bocetônico, mas isso é tão gay...
Cynthia diz:
Hahahaha, pois é, e os efeitos colaterais podem ser altamenteprejudiciais à nossa vidinha conjugal.
Chefe :
Totatola zero, é ? Muito bem.
Eu :
Nem é dieta, é que com açúcar eu não posso.
Chefe:
Mas cê sabe que totatola dá 40 tipos de câncer, né ?
Eu :
E osteoporose também. Mas bom, um câncer eu já tive. Deve
Ficar velha é... ver cantora cinqüentona querendo chocar alguém ao beijar outra mulher na boca pela 852ª vez, meninos bem-nascidos tentando bancar os “rebeldes” (contra o que, jisuis ?) através de violência aspergida a esmo e malcriações - socorro, Pasquale, é assim mesmo ? - tolinhas, gente jovem ou nem tanto saindo em público sempre seminua, com pose de doidona, a carinha de ennui mal disfarçando o imenso orgulho pela própria péssima educação, exibindo cabelos multicoloridos, tatuagens e piercings all over como expressão máxima de originalidade e inconformismo (heh) , se declarando a quem quiser – ou não – ouvir que é pan-pluri-multissexual (ou assexuado, sei lá. Qual dos dois é pra ser mais chocante hoje em dia mesmo ?) compulsivo, que usa drogas recreativas (quem não ? afinal, álcool e piulinhas reguladoras de humor também são drogas, tááám ?), e ter que se segurar muito, muito, mas muito mesmo... pra não dar um bocejo colossal, daqueles de virar a cara pelo avesso de tanto tédio e déjà vu. Uáááááááá...
Falta de assunto (e do que fazer) é assim mesmo. Ontem vi uma "notícia" de que, num jogo beneficente , com craques coroas dos dois lados (Zicão tava lá, e fez gol lindo), Maradona dominou uma bola com a bunda. A foto taí, mas não consigo me decidir por uma legenda. Ajudem aí, pessoas :
a) O galinho tava no jogo, mas foi Maradona quem botou o ovo
ou ainda TEXTO PIEGAS, TÍTULO COM TROCADILHOS QUE SÓ NEM MÃE PERDOA
Foi assim : não esperavam mais nada, veio outra barriga. Aí esperavam um menino, veio (vim) menina. De novo. Pela terceira vez. E uma menina que não era nem tão boazinha quanto a primeira nem tão bonita quanto a segunda, e bagunceira, preguiçosa, ferozmente tímida, totalmente diferente do que deveria. Talvez por esses motivos, talvez por vários outros, enquanto eu crescia, nossa convivência nunca foi fácil, e algumas (várias) vezes eu cheguei a achar que seria impossível. Várias vezes foi, mesmo, impossível, mas como não havia outro jeito, continuamos convivendo. Para sorte de nós duas, quando eu estava no auge da adolescência, meu pai arrumou uns empregos bem longe de casa e lá se foi ela com ele, me dando um pouco mais de espaço e liberdade de ir e vir - e uma piadinha de estimação que usei dos meus 16 aos 30 e poucos anos, sempre que me perguntavam se eu morava sozinha: “Eu moro com os meus pais, sim. Eles é que não moram comigo”. Primeiro foram pro Iraque, depois pra Manaus, e por fim para Brasília.
Pouco depois que voltaram, e a distância diminuiu de milhares ou centenas de km pra poucos metros, eu me casei e me mandei. Coincidentemente (hah), assim que eu fui embora, tudo foi ficando melhor, mais simples, mais agradável. Principalmente depois que eu percebi :
1- que durante boa parte do tempo então, e até hoje, ela também não era mais do que uma menina, insegura, perdida e muito machucada, que não sabia direito o que fazer, dizer ou sentir, mas tinha que fazer de conta que sim, e acabou acreditando que sabia tudo, e mais que qualquer um, e para sempre;
2- que de alguma forma, e muito graças a ela, eu acabava sendo a mais forte das duas, e portanto podia – e devia, e descobri que nem precisava fazer muita força – perdoar o que precisava de perdão, agradecer o que havia para ser grata, dar bronca quando fosse o caso, deixar passar quando fosse a hora, e amar sempre, semficar o tempo todo marcando pontos num livrinho preto, ensebado, rancoroso, e pesado, pesado, pesado demais;
3- que quando eu consegui vê-la como a menina que foi – e ainda era, é e sempre vai ser -, freqüentemente eu tinha (e tenho) vontade de fazê-la ficar bem pequenininha, pegá-la no colo, cantar pra ela e prometer que não, ninguém mais, nunca mais, vai machucá-la de novo;
4- que eu já era bem grandinha pra querer fazer birrinha e exigir que me amassem nos meus termos, e entender que cada um nos ama como pode, não como quer, e mesmo se isso nos parece insuficiente, às vezes é até mais do que a gente precisa - ou merece;
5- que apesar de tudo, em geral eu gosto do resultado das ações e idéias dela em mim – mesmo aquelas com as quais eu não concordo em nada, e justamente por isso;
6- que seria mesmo impossível pra alguém que viveu sempre para os outros, e abafou seus talentos, desejos e vocações pra se dedicar unicamente aos outros, não acabar com uma carência que jamais foi nem será preenchida por ninguém, a não ser que fosse santa ou doida de pedra;
7- que além de tudo, ela é um espelho mágico, no qual eu posso – por mais que seja difícil – escolher os detalhes que eu quero ou não que me reflitam, e que tem vários que eu quero, sim;
8- que podia ter sido pior, ou podia ter sido melhor, mas que chorar sobre o leite derramado é inútil, chato e só aumenta a quantidade de líquido e de bagunça pra limpar depois;
9- que se ela morrer antes de mim, eu vou pensar, lembrar, morrer de saudades, chorar e querer ligar pra ela dezesseis vezes por dia, todo dia, pro resto da vida;
10 – que na pior noite da minha vida, com dores e medos sem nome, imensos, distorcidos e cruéis triturando meus ossos e chupando minha medula no escuro (hmm, ossobuco de Cynthia...), com um corte de mais de um palmo na barriga, pontos que pareciam autópsia fechando aquele vazio todo, um tubo cheio do que só podia ser tabasco incolor enfiado na veia do meu braço e um total desamparo tirando meu fôlego, mesmo com o amor da minha vida deitado no sofá ao lado, finalmente adormecido e ressonando baixinho, eu dei um jeito de pegar meu celular, e chorando baixinho, quem eu chamei, sabendo que viria, e veio, foi ela, foi ela, foi ela...
Depois que eu percebi tudo isso, sem muito estardalhaço eu fui fazendo as pazes com ela, comigo, com minha infância, minha adolescência, minhas neuras, com tudo. Não tô 100% zen não, nem sei se estarei algum dia, mas tô no caminho, acho. E hoje posso dizer que, se eu acreditasse em Deus, agradeceria sim, muito e diariamente, pela mãe que tenho, com todos os seus muitos defeitos e inumeráveis qualidades.
Eu não preciso nem quero (e nem posso) gestar e parir e criar alguém pra saber que ser mãe não é fácil. Mas sei muito bem que ser filha também não. A vantagem é que, depois de quase 43 anos treinando, finalmente acho que posso parar de complicar e - em vez de dizer pra ela um décimo do que eu escrevi aqui, e que provavelmente iria descer do jeito errado e machucá-la, o que é tudo o que eu não quero – contar pra minha mãe só uma resumidíssima versão, pequenina, sólida, simples e límpida feito um diamante (de poucos quilates, mas absolutamente verdadeiro), entregue junto com um abraço de tamanduá halterofilista : “Êêêêê, veinha maluca, cê não tem idéia do quanto eu te amo !!”.