Eu não sei se já falei disso aqui antes, e é bem provável, mas vou falar de novo : eu não lido muito bem com tristeza. Por alguma razão, normalmente (usar o termo “normal” aqui é quase uma piada, mas entendam, é uma normalidade derivada da quantidade de vezes em que isso acontece, e não da qualidade) minha cabeça transforma a tristeza em raiva ou irritação tão rápido que eu mal chego a notar que estou triste, e não puta da vida. Não é sempre, óbvio. Mas é o suficiente pra eu saber que não é lá muito saudável. Por causa disso, minha fama de griladinha da estrela já está mais do que consolidada por aqui, e se por um lado isso me prejudica um bocado, por outro também faz com que vários malas – sejam eles plenamente desenvolvidos ou ainda em formação – tenham um certo cuidado comigo, evitando entradas na bola com pé alto e se refreando de tomar intimidades não dadas com muita frequência. Não dá pra negar que eu gosto disso. O problema é que, desacostumada à tristeza, em alguns momentos eu simplesmente não sei o que fazer com ela. Eu posso ser mal-humorada, mas não sou burra. Eu sei reconhecer quando a raiva simplesmente não se aplica. Quando quem faz eu me sentir mal não tem culpa disso, e certamente o evitaria se pudesse. Talvez por isso, nesses momentos o que costuma acontecer é que eu fico fisicamente doente. Mais do que o habitual, quero dizer. Uma enxaqueca que já vai para o 3º dia sem dar mostras de diminuir, náusea permanente, dores variadas, uma insônia ainda mais feroz do que a costumeira e uma absoluta falta de vontade de viver tomaram conta, desde o fim do mês passado, deste arredondado corpitcho que é meu latifúndio. Chegaram sem a menor intenção de ir embora, com seus bonés feios, suas barracas de plástico preto e bandeiras vermelhas, dispostas a só sair depois de deixar a terra arrasada, e tentar me livrar delas é como tentar bater o recorde dos 100m nadando borboleta de ré, vestida de escafandro e numa piscina de melado. A melhor amiga do mundo e o melhor marido do universo dão uma força pra eu não afundar de vez, mas pelo menos por enquanto, não são capazes de operar milagres. Nessas horas, a única coisa que, se não ajuda, pelo menos consola, é uma que o gatim sempre me diz, há anos, quando não há muito mais o que dizer : “vai passar, vai passar”. Só espero que isso aconteça logo e/ou que essa somatização toda pare logo, pra que se, ahem, quando a tristeza e o desânimo passarem, eu não passe junto, desta para uma melhor. Ou, dentro do meu estado de espírito atual, para uma pior ainda.
Eu não quero ter um smartphone. Quer dizer, eu não ia querer mesmo que tivesse $$ pra tal. É questão de princípio : me recuso a ter um gadget mais inteligente do que eu. Bom, pelo menos um muuuito mais inteligente que eu.
Falar em gadget, acho que vim ao mundo com um equipamento a menos (e não, não é aquele, porque inveja do pênis eu só tenho em banheiros públicos de limpeza questionável), já que pra maioria das pessoas o troço parece ser item de fábrica : o alinhamento automático. Eu posso concordar com muito do que uma pessoa ou facção diz, mas ainda não consegui me obrigar a concordar com tudo o que ela diz. Meu cérebro é que nem meu carrinho : sua cilindrada pode não ser lá essas coisas, mas autonomia ele tem de sobra.
Acho que essa falta de paciência pra seguir o rebanho é porque eu aprendi a ler sozinha e pulei toda a parte do bê-a-ba e da cartilha. Deve ser por isso que não rezo por nenhuma. E agradeço a Zeus por minha mãe ter estudado em colégio de freiras e, com isso, tomado birra da raça inteira, pra sempre, amém.
Eu sei que não sou a única que não gosta de padre, não gosta de pastor, não gosta de aiatolá, mas acho que religião deve fazer mesmo parte do DNA da raça humana. Até os ateus mais empedernidos adoram uma boa igrejinha e se entregam, deliciados, à doce comodidade de não ter que pensar por conta própria. E oh, céus, como amam um dogma !
Mas a coisa mais legal da cartilhinha das seitas cristãs é justamente uma que “cristãos”, ateus e agnósticos não respeitam nunca: o tal “não julgueis para não serdes julgados”. Pior que isso nem é a única coisa que eles têm em comum – e olha que eu nem tô falando da incapacidade inata de conjugar direito verbos na segunda pessoa do plural.
Também acho fascinante a quantidade de gente que bota banca de fodão em português, mas nunca aprendeu a usar crase, e enfia a coitadinha sem dó antes de substantivos masculinos ou capa-lhe o “s” antes de substantivos (femininos ou não) no plural. Até eu, que não sei picirica nenhuma de gramática e escrevo relativamente certo só por imitação (de tanto ler) aprendi isso lá pela 3ª série, e nunca mais esqueci. Vai ver que é porque, ao contrário da nova ortografia, a crase faz sentido e tem lógica.
O que não tem lógica nenhuma é o amor. Mas é só graças a ele que meu gatim tá vivo, depois de ter usado como sabonete meu (caro, difícil de obter e de histórico escambo-contrabandístico-internacional dos mais lentos e novelescos, que ele aliás acompanhou - e aparentemente esqueceu) shampoo em barra Lush. Ou seja, em um único banho lavando seu peludinho corpo, Gatim gastou o que eu levaria cinco ou mais vezes pra gastar do my precioussss shampoo. Como o amor que eu tenho pelo supracitado gatim além de grande é enorme, e como ele gosta é de cerveja (do contrário, eu poderia me vingar usando seu uísque 25 anos preferido pra lavar a bunda), vou deixá-lo viver. Mas se eu virar a barrinha e encontrar um pentelho no meu shampoo, eu mato o filho da mãe.
Acabei de matar um pernilongo. Tô me sentindo como um daqueles psicopatas americanos que um belo dia chegam no local de trabalho atirando em todo mundo : com o sangue dos meus colegas nas mãos... e muito orgulhosa do meu feito.
Eu nem vi o mundialmente famoso vídeo do Obama matando a mosca (agora mesmo é que os islâmicos vão ter certeza de que ele é Belzebu), mas dias depois li em algum lugar que os tais bichinhos andam infestando a Casa Branca. E só hoje me ocorreu que o motivo deve ser a caveirona de burro enterrada embaixo dela. Pois é, meu esprit d’escalier é o da escadaria de um prédio com uns 110 andares... assim tipo o WTC.
E agora me dêem licença, que eu vou ali comprar um microondas. A essa altura, como se vê, já sem muita esperança de ser mais inteligente que ele. Aiai.
A Mônica, do ótimo Crônicas Urbanas, me convidou há alguns dias pra responder a um meme fofo, sobre sete coisas que sempre me fazem sorrir. Como eu não estava na minha fase mais sorridente – ainda não estou, mas tô tentando - , demorei um pouco, mas agora, até pra mudar de post e tentar sair um pouco do mood resmungão dos últimos sei lá quantos meses, aqui vai :
SETE COISAS QUE ME FAZEM SORRIR
- Meus gatos – tanto o bípede quanto a quadrúpede, mesmo quando (ou principalmente quando) eles agem como se o número de patas úteis de cada um fosse o do outro, hehehe...
- Filhotinhos – de gato, de cachorro, gente, urso, koala, canguru, jacaré, jabuti, qualquer coisa... menos periquitos. Não existe nada mais feio que filhote de periquito recém-nascido (ou será que o certo é recém-eclodido ?). Com a possível exceção do Espiridião Amin, que aliás, é i-gual-zi-nho a um filhote de periquito recém-nascido.
- Cheiros de apelo ancestral : cheirinho de chuva na terra seca, de alho e cebola refogando no azeite, de carne assada, de pipoca, de café fresco, biscoito de canela, de cabelinho de neném e do pescoço do meu bem.
- Falar com quem eu amo, seja o gatim, alguém da família ou um amigo, seja ao vivo, por telefone ou MSN, seja coisa séria e importante ou as mais escrachadas palhaçadas.
- Músicas bo(b)as como “it’s raining men”, “Feeling groovy”, “Sarah Cynthia Sylvia Stout”, “The reefer song” e “The penis song” – ou melhor, ela e todas as outras do Eric Idle/ Monty Python .
- Sapatos novos e lindos, de salto zero ou altão.
- Dias fresquinhos, com ou sem nuvens, com ou sem chuva. O importante é fazer friozinho lá fora e eu ter gatim, gata e edredom quentinhos aqui dentro (hem ?). A canequinha de sopa ou chocolate é opcional, mas sempre bem-vinda.
Maaas, como a onça não pode mudar suas pintas, e considerando que as últimas semanas têm me dado bem menos motivos pra sorrir do que pra querer matar meio mundo, contrabalançarei a insustentável fofura de ser do meme anterior com seu lado mais escuro e mal-humorado, seu dopplegänger maligno, seu lado B arranhado (ou seja, o meu lado dominante), e listar também as...
SETE COISAS QUE ME FAZEM ROSNAR
- Donos da verdade. Do tipo que, numa conversa, quando você vai com um pensamento solto, uma divagação, uma coisa sobre a qual se pensar, eles te jogam de volta e imediatamente uma frase “definitiva” sobre o assunto. Do tipo que acha que seu gosto, suas conclusões, sua forma de ver o mundo não apenas são os únicos que fazem sentido como também PRECISAM ser divulgados em qualquer hora ou local e, se possível, impostos ao resto do mundo. Grrrrrr.
- Barulho. Não gosto nunca, mas na hora de (tentar) dormir, barulhos de qualquer tipo acabam comigo. Se eu tivesse uma arma, numa hora dessas era bem capaz de matar quem quer que seja, só pra poder dormir. (Oooh, coisinha mais Chekhov da minha parte, hem ?)
- Gente burra. Principalmente quando a burrice vem – e quase sempre vem – acompanhada de arrogância, de certeeeeeza de saber mais do que os outros, e claro, de uma educação e civilidade básica bem inferiores ao que eu, por exemplo, considero básico.
- Filmes horrorosos em praticamente todos os horários de todos os canais pelos quais a gente paga uma grana que, se não chega a ser preta, pelo menos anda fazendo falta (e que pagaria umas 3 horas de sinuca, que é sempre divertida, mesmo quando eu perco miseravelmente).
- Falta de educação. No trânsito, no elevador, no estacionamento do supermercado ou do shopping, no cinema, em qualquer lugar. Todo mundo ultimamente parece ser filho único de mãe viúva, velha e milionária, ter sido criado longe da civilização e acreditar que o resto do mundo só está ali para sua diversão e não merece o mínimo respeito. Graças a isso, aonde quer que eu vá, sinto ganas assassinas o tempo todo.
- Condescendência. Me chame de grossa, discuta comigo, mas não banque o superiorzinho com sorrisos paternalistas e a pose de quem não está sendo compreendido em sua infinita sabedoria e vai tentar me ensinar alguma coisa, a menos que realmente seja muito, muito, superfuderoso na sua área de expertise e que, não menos importante, eu realmente esteja interessada de verdade em aprender algo sobre ela.
- Calor. Quanto mais quente o clima, pior o meu humor e a minha paciência pra lidar com as outras 6 situações aí de cima.
E você ? O que te faz sorrir ? O que te faz rosnar ? Conta pra mim, quem sabe eu não concordo. Eu tô mesmo precisando de mais motivos pra sorrir.
Nos intermináveis minutos gastos na fila do supermercado, de salto alto, sem nem poder curtir um consumismo de supérfluos sem culpa (a grana tá curta, muito curta, curta mesmo, amiguinhos), minha maneira de evitar contato visual com as outras centenas – quiçá milhares – de criaturas igualmente estressadas e impacientes, algumas acompanhadas de suas crias mal-educadas, agitadas e gritantes, é ler absolutamente todos os rótulos, especificações e fatos nutricionais de cada produto que conseguiu chegar até o check-out sem ser despejado do meu carrinho pelos meus escrúpulos econômicos, mais ou menos tardios. Achei especialmente interessantes os muitos textos na embalagem do açúcar, que ninguém na minha minúscula família consome mas que eu tenho que comprar só pra empregada, tão dependente que às vezes o come puro, às colheradas (apesar de claramente não ter nada contra meus caros produtinhos diet, que ela devora tanto quanto os outros doces que eu também compro só pra ela). Os fabricantes, obviamente evangélicos, parecem fazer muita questão de deixar clara sua religião, cobrindo o saquinho plástico de versículos e declarações de fé, tanto que suspeito que mais vinte minutos ali e eu sairia com a bíblia todinha decorada. Mas o que achei mais interessante foi uma mistura de testemunho com tentativa de “responsabilidade social”, em letras bem grandes, logo embaixo de uma receita de cocada : NÓS CONFIAMOS EM DEUS DROGAS ÁLCOOL E CIGARRO MATAM. À parte ter ficado bem claro que em vírgulas e pontos eles não confiam, é interessante notar que em nenhum momento eles perceberam que tanto o açúcar quanto o deus que querem tanto me vender também matam. A julgar pela história, tanto antiga quanto recente da humanidade, muito mais.
PROIBIDO FUMAR (MESMO EM CASA, OU AO AR LIVRE, OU EM CUBATÃO) ?
Então parece que eu realmente voltei a fumar. E exatamente do mesmo jeito que há vinte e tantos anos : um dia, um traguinho só por diversão, o traguinho dando aquela tontura gostosa de quem não está acostumado, aí mais um aqui, outro ali, e pá, quando a gente vê, já está comprando maços de novo e ficando preocupada quando fica sem. Não sei se é vício – se fosse, talvez eu não tivesse conseguido, em certa ocasião, parar de uma vez e por uns dez anos -, mas a verdade é que eu gosto. Fumar me dá motivo pra sair da sala, ou da agência, ou de qualquer lugar onde a deletéria fumaça de um cigarro possa incomodar loucamente ou envenenar mortalmente outras pessoas, normalmente delicadas flores que cheiram fumaça de óleo diesel aos quilos todo dia, se entopem de picanha cancerígena e aterosclerogênica e bolachinhas recheadas com gordura trans sabor artificial de morango, flertam - flertam nada, trepam, em todas as posições listadas pelo kama sutra e em mais 17,5 ainda em fase experimental e não aprovadas pelo F(o)DA - com a cirrose e fodem com a paciência dos circunstantes através do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e do uso extremamente parcimonioso do próprio superego e de qualquer migalha de educação que suas mães e pais lhes tenham dado, tomam remédios pra emagrecer que as deixam maníacas e agressivas ou ansiolíticos que as deixam lerdas, burras e sonolentas, piram na ortorexia sem contemplar a quantidade de pesticidas, hormônios sintéticos e transgênicos existente em suas verdurinhas, frangos atropelados e grãos super saudáveis, ou seja : o cigarro não deixa de ser uma espécie de arma anti-mala histérico-hipócrita-burro, uma desculpa para a solidão, um repelente contra representantes da juventude sadia-e-dourada e da velhice apavorada ao mesmo tempo, com o ganho extra de que até as criancinhas ultra-chatas também são incentivadas a sair de perto do dragão cospe-fogo que insiste em não embarcar nesta forma de histeria, discriminação e perseguição em particular. Infelizmente, por outro lado meu pobre Marlboro mentolado atrai também a forma de vida mais baixa do my own private livrinho de biologia : o chato saudável que só quer o seu (ou, no caso, o meu) bem (sem que ninguém lhe tenha pedido, ou permitido, tal preocupação, mas isso pra ele é detalhe sem importância) e portanto não pode deixá-lo se envenenar sozinho e em paz no seu canto, sem se sentir instado por Deus e o destino a vestir sua capa sagrada, pegar a espada de fogo e a auréola de santo e vir encher o saco, seja com dados e estatísticas sobre as mortes causadas pelo cigarro, seja com gracinhas imbecis sobre fumantes serem fedidos ou, pior ainda, sacar da originalíssima piadinha da década de 70 do século passado (sem graça desde então) e perguntar se ele pode fazer xixi em mim, já que supostamente o xixi, e não a perda da noção, do equilíbrio, do bom senso, da coordenação motora e da capacidade de entender quando não é bem-vindo, é que é o “lado ruim do prazer de beber”. Eu sei que cigarro faz mal, assim como sei que praticamente tudo o que eu respiro, como, bebo, ingiro como remédio ou passo na pele como hidratante também faz. Da mesma forma como tantos desses chatinhos health-crazed sabem que a AIDS ainda mata, mas preferem acreditar que não porque não gostam de usar camisinha,ou desconfiam que talvez morar sob torres elétricas lhes cause câncer, mas não estão dispostos a procurar outra casa ou a criar caso com as companhias que fornecem eletricidade (ou a indústria alimentícia, ou automobilística, ou eletrônica E ATÉ A tabagista, enfim : com corporações grandes, poderosas, bilionárias e cheias de advogados.). Normal, né ? Muuuuito mais fácil, prático e econômico pegar no pé ou torrar as gônadas da pessoa física indefesa, ou seja, do pobre coitado fumante mais próximo.A pessoa supre sua necessidade vital de se sentir superior à malta ignara, dá um tapa gostoso no seu complexo de santa, elimina qualquer desconfiança de estar sendo um prego com a justificativa de estar sendo altruísta (heh) e não gasta um tostão nem compra briga com alguém que possa reduzi-la - e aos seus argumentos - ao pó de traque que, no fundo, ela já sabe que é. Eu sei que, com a minha saúde já em declínio há um bom tempo, em algum momento vou ter que parar de fumar novamente, de preferência de uma vez por todas, e provavelmente farei isso. Mas farei quando e se quiser, porque eu quero, e não porque bobos manipulados de diversos tipos que gostam de se sentir superiores a mim porque não fumam me dizem que eu devo. E finalmente, porque ao contrário de todos esses gênios da raça, eu já percebi que fumando ou não, bebendo ou não, comendo ou não transgênicos, gorduras saturadas e o escambau, eu – e oh, sim, todos eles também – certamente vou morrer um dia, e não tenho o menor controle sobre quando ou como. Uuuuhh, pensamentozinho desagradável, né ? Tem gente que acha melhor nem lembrar disso, ou, se a lembrança surgir, beber pra esquecer. Eu prefiro acender um cigarro... e pensar a respeito. Pensar, sim, é um vício, e deste eu não quero me livrar nunca.
Gozado como são as coisas. O Kadu Molha o Terno lança livro, e um monte de atrizes aparece lá, pra dar "apoio". Esprit de corps mais vagabundinho, hein.
Cynthia diz:
Esprit de porc das vagabundinhas, isso sim.
Gatim diz:
Ah, o Doors (só com o Manzarek e o Krueger do original, claro) vem tocar no Bolshoi, domingo.
Cynthia diz:
Ainda bem que são só eles... se o Jim viesse também, tinha que ser na irradiação espírita, né ?
Gatim diz:
depositatum est
Cynthia diz:
hallellujah
Gatim diz:
Er... eu tou falando é do cheque do seu salário, não do meu...
Cynthia diz:
eu sei.
pra você ver como eu tô ficando aliviada à toa...
Cynthia diz:
Ei, que papo é esse do Flamengo acertar com o Adri*no ? Ele vai jogar no Fla em vez de se aposentar ?
Gatim diz:
Er. Parece que é verdade, hehehehe. Não conseguimos levar o Ronalducho, vai o Bartleby dos gramados.
Cynthia diz:
uai, bão tumém. E ele ainda pode continuar morando onde gosta.
Gatim diz:
Isso. E diz que ele tá namorando uma das mulé fruta.
Ou melhor, ela deu em cima dele depois do auê todo e ele correspondeu.
Cynthia diz:
Eita.
Cynthia diz:
“Eu acho uma coisa horrorosa
essa história de mulher-fruta.
Com qualquer outro nome a rosa
continua cheirando a puta.”
Gatim diz:
HAHAHAHAHHAHA
Cynthia diz:
by William of Assaré, Esq.
- O problema do twitter é que tem gente que não pensa antes de publicar, e aí sai dando canelada e ofendendo 200 amigos de uma vez só.
- É mesmo, devia se chamar “tirríter”
- Ou, pelo efeito que tem nos followers, “deskurt”.
Luri: quando você erra alguma coisa (mas tinha a certeza de que estava certa) te dá vontade de cortar os pulsos com a faca da cozinha? Cynthia: dá sim. Cynthia: que foi que cê fez ? Luri: escrevi cuzcuz Cynthia: Hehehe... Luri: sem nem sonhar que a palavra tava errada...daí a clieeente viu Luri: tô aqui sem saber se caso ou se compro uma bicicleta Cynthia: fica triste não, Luri. Foi só um cuscuz. Todo mundo escreve cabunda de vez em quando... Luri: hahahahahha
Gatim diz:
Ói que interessante. http://www.imdb.com/title/tt0974014/
Cynthia diz:
Hehehe, sabia não que seu Darwin e dona Darwin eram lindos assim...
ou O QUE A AVE AQUI GORJEIA NÃO É NEM LOUCA DE TWITTAR
Pra quem ainda não sabe o que é twitter, é fácil : é uma espécie de mural internetal onde qualquer um pode pregar seu bilhetinho, ou seja, dizer o que quiser, quando quiser, e a quem estiver interessado, desde que não passando de 140 caracteres a cada vez. As pessoas escolhem quem vão “seguir”, ou seja, cujos bilhetinhos virtuais, ou tweets, elas lerão, e optam se os seus, por sua vez, serão lidos por qualquer pessoa ou apenas pela sua lista de amigos autorizados. Alguns usam o twitter para fazer perguntas, desabafar uma raiva, dúvida, crush ou tesãozinho que é melhor não expressar no local de trabalho, com maior ou menor grau de humor e interesse; outros dão links interessantes de vídeos, textos, fotos etc. Uns dizem coisas herméticas pra ninguém entender (suspeito que nem eles mesmos, às vezes.). Outros resolvem usar como chat, e não só para um ping-pong rápido, mas até pra longos papos, mesmo que o assunto só interesse aos dois envolvidos. Apesar de o MSN ou o bom e velho telefone ainda serem o melhor meio pra isso, aparentemente para estes a atenção alheia vicia a tal ponto que eles acham necessário twittar o dia inteiro, seja para avisar que foi descoberto um meteoro vindo em direção à Terra, seja para comunicar que seu pé tá coçando. É o tipo da pessoa que, se pudesse, vivia com uma câmera pendurada à frente do próprio rosto, apontada pra ela e emitindo sinais para todo o universo conhecido e mais os alternativos, não importando se ela está presidindo uma conferência de paz, descobrindo a cura do câncer, tomando limonada ou fazendo cocô de madrugada. Contra esta cepa de malas sem alça, felizmente, existe o “unfollow”, ou seja, a opção de você parar de receber os bilhetinhos dela. Infelizmente, o “unfollow” é outra novela, já que muita gente leva pro lado pessoal e... mas peraí, que eu estou me alongando demais. Já que falamos de twitter, vamos adaptar a mensagem ao meio e falar sobre ele em sua própria língua, ou seja, em 140 caracteres... de cada vez.
...ou DE 140 EM 140 CARACTERES, O PASSARINHO ENCHE O SACO.
Gente boa é gente boa, gente mala é gente mala, seja em 140, 1400 ou 14.000 caracteres. A única diferença é que com 140 a gente nota mais rápido.
A frase do Andy Warhol adaptada a tempos de twitter : hoje em dia, todo mundo é famoso por 15 segundos.
PR dilemma : ser bonzinho nos tweets públicos e escroto nas “direct messages” ou o contrário, eis a questão.
Antigamente, neguinho subia no caixote de sabão e começava a se achar. Hoje, qualquer caixinha de chiclete Adams serve.
Blogueiro previamente desconhecido ser famoso já era idiotice, mas a idéia de “twitteiro famoso” chega a ser perigosa. #ataquederisomata ?
Sim, eu quero saber da sua idéia ou do link legal que você achou. Mas se quisesse saber o jogo do SEU time lance a lance eu ligava o rádio.
O problema dos 140 caracteres é que neles não cabe estilo, racionalização nem beleza, mas espaço pra preconceito e grosseria tem de sobra.
Tweets “pé-na-cara” sem destinatário claro são a melhor maneira de deixar os amigos paranóicos e os conhecidos ofendidos. Coragem não mata.
Twitteiro compulsivo é que nem videomaníaco tarado, que prefere filmar o próprio bebê se arrebentando a ir ajudar o bichinho.
Não gosta da @fulana ? Não leia a diaba da @fulana. Ou você come jiló só pra ficar o dia inteiro reclamando do gosto ?
“Vou unfollow @deus e @omundo” ou “quem não gostar pode me dar unfollow, tô nem aí” = “eu sou a última bolacha do pacote no MUNDO”
Ser excessivamente sincero no twitter = como fazer inimigos e irritar pessoas #porquecêachaqueeuescreviissonoblogenãonotwitter ?
MÃE É AMOR, MÃE É TERNURA, MÃE É A... QUE PARIU ?!
Saco, não agüento mais fazer campanha pro dia das mães. Além de esperarem até o último momento (provavelmente eles só descobrem que todo maio tem dia das mães quando já é finalzinho de abril) pra depois ficar dando "prazo" de 90 minutos - e chilique de 15 em 15 - , ainda esperam que a gente seja fofa, meiga e doce, mas sem perder de vista o lado profissional e mUderno da mUlherada. Que eu, que não sou meiga, fofa, doce e nem muito menos mãe - e NUNCA quis ser nenhuma dessas coisas - adivinhe o que elas querem ouvir, ou melhor, o que os anunciantes ACHAM que elas querem ouvir - e acerte na mosca, contra todos os meus instintos e inclinações. E todos eles são homens, velhuscos e machistas, ainda por cima. Já que acham que eu sou mesmo repentista, que crio de pé, no tapa, sem pensar e sem demora, a vontade que dá é de perguntar "Que tal ‘Pai troca uma fralda por mês e quer medalha, fogos de artifício e estátua em praça pública. Mãe faz o diabo a quatro 24/7 e se contenta com uma flor murcha, uma pizza gordurosa e um anuncinho paternalista de merda uma vez por ano. Parabéns, otárias.’?". Mas acho que é melhor não, né ? Melhor não.
...ENCHER OS OLHOS D'ÁGUA SÓ DE LER UMA TIRINHA DESSAS ?
Melhor então nem ouvir "Você não entende nada", do Caetano, né ? Pensando bem, o apê não tem seguro, eu mudo muito de idéia e nem sei o telefone dos bombeiros... so it goes. Guess we'll never be free after all.
Se bem me serve a memória – e devo dizer que a bicha não vem fazendo jus ao seus 10% de taxa de serviço há muito, muito tempo – o espiritismo (a menos antipática, intolerante, facciosa e assassina das religiões, inclusive as doutrinas chamadas “cristãs”) diz que o inferno é a consciência do tempo que perdemos, das coisas boas e/ou necessárias que não fizemos, do bem não realizado por preguiça ou repetitivamente adiado para um futuro que nunca chega. Apesar de eu não acreditar em quase nada do que todas as religiões e suas subdivisões pregam como verdade absoluta, se os kardecistas estiverem certos, e acho que estão – em parte : a definição do Sartre ainda está ganhando no meu eterno turfe mental por um nariz de vantagem, e a cada vez que eu saio na rua ou entro no twitter ela avança um pouco mais - , então eu já estou no inferno. Só que acho que o meu inferninho particular ainda é pior, já que estou viva e tenho consciência dele enquanto supostamente ainda é tempo de fugir, e mesmo assim passo os dias num cansaço não-justificado tão imenso e absurdo que não consigo reunir a energia básica necessária pra fazer alguma coisa a respeito. Assim sendo, e sabendo que não é muito provável que eu me converta subitamente a nenhuma religião, clubinho de lonely hearts (será que existe um chamado Eternos Postergadores Anônimos ? Devia, hem. Até porque ia dar uma sigla das mais interessantes. Pensa só nos diálogos: "E você, pertence a alguma organização ?". "EPA.") ou doutrina de auto-ajuda, eis a questão : será que Pharmaton, Centrum ou guaraná em pó salvam ?
A dermatologista – a 3ª a que vou em seis meses - não ajudou muito no combate à minha aguda-porém-crônica queda de cabelo, mas me tirou 9 sinaizinhos, entre pintas, verruguinhas e cistos daqueles que parecem grãozinhos de milho, do rosto, pescoço e costas. Doeram todas as picadas de anestesia, doeu a retirada de cada um deles, doeu no meu orgulho o leve cheiro de pena queimada da fumacinha que se ergueu a cada micro-churrasquinho de mim que a médica fez. Pra não falar da dor na língua, que eu tive que morder pra não perguntar a ela “e eu sou uma múmia, por acaso ?” ou coisa muito, muito pior (quem me conhece sabe a “profundidade” do nível de que sou capaz), talvez até envolvendo a anatomia dela em vez da minha, quando ela disse que minhas mãos estavam “bem-preservadas”, por estarem perfeitamente brancas e lisas. Cazzo, será que a bicha acha que eu já devia ter manchas senis (bem) antes dos 50 ? Mas enfim, tô aqui, cheia de esparadrapinhos, me segurando pra não coçar os machucadinhos e me perguntando se não vou perder minha identidade junto com a verruga que tinha nas costas desde que nasci. Mas o mais engraçado é que com tudo isso deu pra perceber que minha fama de mal-humorada e boca-dura já está bem sedimentada na agência, porque ninguém ousou perguntar o que era o tal esparadrapo bem no meio da minha testa, tapando o 3º olho (epa). Tsc. Nem me deram a chance de responder com a primeira coisa que me ocorreu quando me levantei da maca no consultório da derma e me olhei no espelho : “É botox de pobre”. Hohoho.
Outro dia, falando com uma amiga, ela me disse que achava que não adiantava muito batizar gatos, já que os monstrinhos ingratos não costumam atender quando chamados pelo nome. Eu, claro, defendi minha filha felina, dizendo que ela atende (ou pelo menos deixa claro que saaaabe que estamos falando com ela antes de, algumas vezes, nos ignorar solenemente). E eu não tava mentindo não, é a pura verdade. Só que depois que eu falei isso, fiquei um pouco preocupada. É que a Nina, que sempre foi naturalmente carinhosa e carente como todo gato siamês, por alguma razão ultimamente anda ainda mais dependente e grudenta, de tal forma que tá difícil dar um passo dentro de casa com aquela pantufona orelhuda colada nos nossos pés e serpenteando por entre nossos tornozelos, aparentemente tentando nos derrubar. É claro que muitas vezes ela quase consegue. É claro que todas as vezes que isso acontece, a metade do casalzinho boca-suja sendo atacada no momento deixa escapar uma meia-dúzia de oito ou nove palavrões encadeados (e como no caso de palavrões a criatividade não é necessária, quase sempre na mesma ordem). O que me leva ao motivo da minha preocupação : é que de tanto ouvir isso repetido, tô com medo de a Nina começar a achar que Nina é só um apelidinho dela, e que seu nome completo mesmo de verdade é nada menos que "Putaquepariucaralhoassimcemederrubagatafilhadaputaporranina"...
- ... e a Marcela, o que tá achando de ganhar um irmãozinho ?
- Parece que tá animada. Só que encasquetou que ele – ou ela – vai ter que ter o nome de umas personagens de um desenho animado que ela adora. Charlie e Lola, cê já ouviu falar ?
- Não, mas até que são bonitinhos.
- É, mas são apelidos. E eles não querem batizar o bebê de Dolores ou Charles.
- Bom, eles têm nove meses pra fazer ela mudar de idéia. E afinal, podia ser bem pior... já pensou se ela fosse fãzoca de outro desenho ?
- Tipo Popeye e Olívia Palito ?
- Ou a Vaca e o Frango...
-... mas eu acho interessante é que muitos desses caras que estão indignados, com toda razão, com essa palhaçada da fôia chamando a quartelada de “dita branda” continuam defendendo o Fidel.
- É. Devem achar que ditadura na Cuba dos outros é refresco.
-... mas essas barrinhas de cereal aí não são diet não, lindinha.
- Eu sei, baby. Não são pra mim não, são pra Tati. É que ela tá fazendo estágio lá no tal hospital psiquiátrico, fica lá o dia inteiro e não tem nada saudável pra comer, só pão com manteiga ou aquelas roscas meladas.
- Ah,tá.
- Aí eu vou levar essas barrinhas pra ela não ter que ficar só comendo rosquinha de louco.
- Mas por que será que o nome é Pilates ?
- Acho que é porque a gente padece pra fazer e pra pagar, mas se a forma física e o condicionamento não melhorarem... eles lavam as mãos.
- Ah, eu não podia trabalhar como CSI nunquinha na vida.
- Por que, você acha que não ia agüentar os trabalhos mais nojentos ?
- Não, é que do tanto que meu cabelo anda caindo, eu ia ser considerada culpada de todos os crimes da cidade... onde tivesse um fiapo de DNA, era eu lá.
RELATÓRIO COMPLETO DE TODO O NADA QUE ACONTECE EN MI VIDA
ou MY WEEK SO FAR
ou ainda F.G.I.S.W. (Fuck, Gawd, It’s Still Wednesday !)
Yo no creo en brujas, pero... se o gatim pudesse parar de ter o carro batido em plena avenida ou de derrubar a moto do vizinho ao dar ré na garagem toda sexta-feira treze, seria bem mais fácil acreditar no total materialismo dele. Isto posto, será que a gente deveria começar a andar com amuleto da sorte e voltar a jogar na Mega Sena ?
O pior efeito colateral do calor dantesco que faz por aqui ultimamente é que as baratas ficam doidonas : perdem a noção do perigo, se esquecem de andar pelas frestas e sombras, sobem nas calçadas, vêm pra cima da gente na rua, escalam as paredes do prédio, entram pela janela e correm pra detrás da televisão, ficam paradas em duplas na porta do elevador... Com todos esses sinais do apocalipse right now, ando tão noiada que agora pulo e grito ao menor sinal de um brilhozinho semovente no chão. O ruim é que faço papel de ridícula (com ainda mais freqüência) em público. O bom é que às vezes, ao aterrissar de um dos meus pulos de doida histérica sem noção, caio bem em cima de uma delas. Crunchy...
O serviço de entregas da Chainainbox já há algum tempo tá uma Chainainboxta. Você pede uma coisa e eles mandam outra, pede um Box padrão e ele vem com arroz, a entrega demora demais e ainda chega com as caixinhas amassadas e o molho derramado, a porção de rolinhos primavera chega milagrosamente reduzida pela metade (mas o preço continua o mesmo), e quando você liga pra reclamar, o supervisor, gerente ou sei lá como se chama agora o ManéZão que manda nos ManéZinhos que atendem os telefones e anotam os pedidos (e anotam com a bunda, certamente), ele nunca está, e quando te liga – horas depois – o máximo que é capaz de oferecer é pra mandar “de novo” o seu pedido – jurando que desta vez ele virá certo (e sem cuspe, será ?). Da última gota, digo, da última vez, nós recusamos, ele mandou de qualquer forma, nós mandamos o motoqueiro de volta da portaria mesmo, e juro que só pediremos comida lá de novo quando o inferno congelar (ou quando a gente esquecer da raiva, o que acontecer primeiro). Este minipost irritadinho é só porque eu prometi pra ele que ia falar mal deles pra todo mundo a quem eu pudesse. E ao contrário da Chainainbox, eu sempre cumpro o que prometo.
Na academia, a coisa é mais complexa. O fato de uma das colegas levar seu rebento pras aulas e ninguém pedir que a criança fique na recepção, e não dentro da sala – que já é pequena demais pra quantidade de alunos e equipamentos em atividade no horário – me irrita, mas eu sei que nesta sociedade que resolveu tratar crianças (desde que brancas e vindas de pais com recur$o$, bien entendu) como realeza universal, com direito divino de fazer e dizer tudo o que quiserem, em qualquer lugar e a qualquer tempo (e o pior, em qualquer volume), se eu reclamar que não posso estender um braço pra fazer o exercício do jeito certo sem medo de acertar o toquinho de gente – e o pior é que o supracitado toco não tem a noção nem a orientação materna necessárias para se manter quieto e fora do caminho dos adultos que estão pagando uma boa grana pelas aulas -, é óbvio que a chata, a demônia sem coração, a bruxa que odeia tudo que é bom e inocente neste mundo feio e mau e provavelmente come criancinhas (ugh) no café da manhã sou eu, né. Meu censor interno já tá tão eficiente que às vezes eu mesma fico meio culpada por achar ruim, já que imagino que a mãe não tenha onde ou com quem deixar o filhote no horário da aula, mas aí minha porção megera grita lá do fundo do cérebro “E eu com isso, fofa ? Eu sou o pai, por acaso ? Tem culpa eu ? Já notou que a própria mãe NUNCA fica perto do monstrinho na sala ? E se a cria fosse sua, você não daria outro jeito, em vez de incomodar os outros assim ?”. É duro discutir com ela, a bicha me conhece bem demais. Mesmo assim, ainda não sei quem vai ganhar essa batalha, mas suspeito que, se continuar nessa toada, provavelmente eu é que vou cair fora da academia assim que acabar o trimestre já pago, e acho que não vou ser a única. Bom, pelo menos aí sobra mais espaço na sala, né ? Pras outras alunas poderem se alongar de verdade - e pra criancinha se espalhar ainda mais...
Ontem vi um documentário muito interessante sobre a famosa (e famosa desde a época em que, pra ser célebre, a pessoa tinha que ser efetivamente muito boa e talentosa em alguma coisa) fotógrafa Annie Leibovitz. Sempre gostei muito das fotos da moça, mas não sabia muito sobre ela. Ignorava, por exemplo, que ela tinha namorado a filósofa Susan Sontag por mais de dez anos. Ou que a histórica foto do John Lennon peladão e enroscado na Yoko tinha sido tirada por ela poucas horas antes daquele corno maluco do John Chapman assassinar Mr. Ono. Ou que ela tinha três filhas ainda pequenas, a primeira das quais nascida quando ela já tinha mais de 50 anos. Mas sabia que ela tinha se envolvido demais com seus fotografados na época da Rolling Stone, e que por isso tinha enfiado o pé na jaca com drogas (pra não falar no sexo & rock’n’roll, hohoho), a ponto da própria família a internar num rehab, yeah, yeah, yeah (viu, Mr. pai da Amy ?!), de onde ela saiu curada e centrada o suficiente pra retomar a profissão e continuar sua longa e produtiva vida fazendo o que gosta e ainda ganhando uma grana sentida pra isso.
Mostraram inclusive o Keith Richards falando sobre ela, e ao ver aquele outro maracujá de gaveta, feliz, magro, produtivo e endinheirado (o eufemismo do semestre acaba de ser usado, plim !), foi impossível pra mim deixar de pensar no Tony Bourdain, Rita Lee, Iggy Pop e outros malucos ex (ou nem tanto) junkies, igualmente vivos, felizes, produtivos, que fazem o que amam, ganham grana e provavelmente ainda têm o peso dos 20 anos. E eu, tão certinha, que nunca nem cheirei nada mais forte que poeira de estrada nem injetei nada mais entorpecente que Buscopan composto, tô aqui assim, baleia, frustrada, numa rotina infeliz em que gente boba me paga mal pra não deixar que eu faça nada criativo, inteligente ou minimamente original pra vender seus produtos e serviços, numa profissão que eu já deixei de amar faz tempo mas que não posso abandonar por não ter nenhuma outra. Meleca. Será que é tarde pra eu começar a tomar baque na veia ?