DES(Z)CAMINHOS DO MEU CÉREBRO

ou HOW MY MIND (DOESN’T) WORK(S)

 

ou UMA BOBAGEM LEVA À OUTRA

 

 

Eu não quero ter um smartphone. Quer dizer, eu não ia querer mesmo que tivesse $$ pra tal. É questão de princípio : me recuso a ter um gadget mais inteligente do que eu. Bom, pelo menos um muuuito mais inteligente que eu.

 

 

Falar em gadget, acho que vim ao mundo com um equipamento a menos (e não, não é aquele, porque inveja do pênis eu só tenho em banheiros públicos de limpeza questionável), já que pra maioria das pessoas o troço parece ser item de fábrica : o alinhamento automático. Eu posso concordar com muito do que uma pessoa ou facção diz, mas ainda não consegui me obrigar a concordar com tudo o que ela diz. Meu cérebro é que nem meu carrinho : sua cilindrada pode não ser lá essas coisas, mas autonomia ele tem de sobra.

 

 

Acho que essa falta de paciência pra seguir o rebanho é porque eu aprendi a ler sozinha e pulei toda a parte do bê-a-ba e da cartilha. Deve ser por isso que não rezo por nenhuma. E agradeço a Zeus por minha mãe ter estudado em colégio de freiras e, com isso, tomado birra da raça inteira, pra sempre, amém.

 

 

Eu sei que não sou a única que não gosta de padre, não gosta de pastor, não gosta de aiatolá, mas acho que religião deve fazer mesmo parte do DNA da raça humana. Até os ateus mais empedernidos adoram uma boa igrejinha e se entregam, deliciados, à doce comodidade de não ter que pensar por conta própria. E oh, céus, como amam um dogma !

 

 

Mas a coisa mais legal da cartilhinha das seitas cristãs é justamente uma que “cristãos”, ateus e agnósticos não respeitam nunca: o tal “não julgueis para não serdes julgados”. Pior que isso nem é a única coisa que eles têm em comum – e olha que eu nem tô falando da incapacidade inata de conjugar direito verbos na segunda pessoa do plural.

 

 

Também acho fascinante a quantidade de gente que bota banca de fodão em português, mas nunca aprendeu a usar crase, e enfia a coitadinha sem dó antes de substantivos masculinos ou capa-lhe o “s” antes de substantivos (femininos ou não) no plural. Até eu, que não sei picirica nenhuma de gramática e escrevo relativamente certo só por imitação (de tanto ler) aprendi isso lá pela 3ª série, e nunca mais esqueci. Vai ver que é porque, ao contrário da nova ortografia, a crase faz sentido e tem lógica.

 

 

O que não tem lógica nenhuma é o amor. Mas é só graças a ele que meu gatim tá vivo, depois de ter usado como sabonete meu (caro, difícil de obter e de histórico escambo-contrabandístico-internacional dos mais lentos e novelescos, que ele aliás acompanhou - e aparentemente esqueceu) shampoo em barra Lush. Ou seja, em um único banho lavando seu peludinho corpo, Gatim gastou o que eu levaria cinco ou mais vezes pra gastar do my precioussss shampoo. Como o amor que eu tenho pelo supracitado gatim além de grande é enorme, e como ele gosta é de cerveja (do contrário, eu poderia me vingar usando seu uísque 25 anos preferido pra lavar a bunda), vou deixá-lo viver. Mas se eu virar a barrinha e encontrar um pentelho no meu shampoo, eu mato o filho da mãe.  

 

 

Acabei de matar um pernilongo. Tô me sentindo como um daqueles psicopatas americanos que um belo dia chegam no local de trabalho atirando em todo mundo : com o sangue dos meus colegas nas mãos... e muito orgulhosa do meu feito.

 

 

Eu nem vi o mundialmente famoso vídeo do Obama matando a mosca (agora mesmo é que os islâmicos vão ter certeza de que ele é Belzebu), mas dias depois li em algum lugar que os tais bichinhos andam infestando a Casa Branca. E só hoje me ocorreu que o motivo deve ser a caveirona de burro enterrada embaixo dela. Pois é, meu esprit d’escalier é o da escadaria de um prédio com uns 110 andares... assim tipo o WTC.

 

 

E agora me dêem licença, que eu vou ali comprar um microondas. A essa altura, como se vê, já sem muita esperança de ser mais inteligente que ele. Aiai.



Escrito por Cynthia às 16h44
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O MEME QUE É MEU, MEU MEME E EU.

 A Mônica, do ótimo Crônicas Urbanas,  me convidou há alguns dias pra responder a um meme fofo, sobre sete coisas que sempre me fazem sorrir. Como eu não estava na minha fase mais sorridente – ainda não estou, mas tô tentando - , demorei um pouco, mas agora, até pra mudar de post e tentar sair um pouco do mood resmungão dos últimos sei lá quantos meses, aqui vai :

 

 

SETE COISAS QUE ME FAZEM SORRIR

 

- Meus gatos – tanto o bípede quanto a quadrúpede, mesmo quando (ou principalmente quando) eles agem como se o número de patas úteis de cada um fosse o do outro, hehehe...

- Filhotinhos – de gato, de cachorro, gente, urso, koala, canguru, jacaré, jabuti, qualquer coisa... menos periquitos. Não existe nada mais feio que filhote de periquito recém-nascido (ou será que o certo é recém-eclodido ?). Com a possível exceção do Espiridião Amin, que aliás, é i-gual-zi-nho a um filhote de periquito recém-nascido.

- Cheiros de apelo ancestral : cheirinho de chuva na terra seca, de alho e cebola refogando no azeite, de carne assada, de pipoca, de café fresco, biscoito de canela, de cabelinho de neném e do pescoço do meu bem.

- Falar com quem eu amo, seja o gatim, alguém da família ou um amigo, seja ao vivo, por telefone ou MSN, seja coisa séria e importante ou as mais escrachadas palhaçadas.

- Músicas bo(b)as como “it’s raining men”, “Feeling groovy”, “Sarah Cynthia Sylvia Stout”, “The reefer song” e “The penis song” – ou melhor, ela e todas as outras do Eric Idle/ Monty Python .

- Sapatos novos e lindos, de salto zero ou altão.

- Dias fresquinhos, com ou sem nuvens, com ou sem chuva. O importante é fazer friozinho lá fora e eu ter gatim, gata e edredom quentinhos aqui dentro (hem ?). A canequinha de sopa ou chocolate é opcional, mas sempre bem-vinda.

 

Maaas, como a onça não pode mudar suas pintas, e considerando que as últimas semanas têm me dado bem menos motivos pra sorrir do que pra querer matar meio mundo, contrabalançarei a insustentável fofura de ser do meme anterior com seu lado mais escuro e mal-humorado, seu dopplegänger maligno, seu lado B arranhado  (ou seja, o meu lado dominante), e listar também as...

 

SETE COISAS QUE ME FAZEM ROSNAR

 

- Donos da verdade. Do tipo que, numa conversa, quando você vai com um pensamento solto, uma divagação, uma coisa sobre a qual se pensar, eles te jogam de volta e imediatamente uma frase “definitiva” sobre o assunto. Do tipo que acha que seu gosto, suas conclusões, sua forma de ver o mundo não apenas são os únicos que fazem sentido como também PRECISAM ser divulgados em qualquer hora ou local e, se possível, impostos ao resto do mundo. Grrrrrr.

- Barulho. Não gosto nunca, mas na hora de (tentar) dormir, barulhos de qualquer tipo acabam comigo. Se eu tivesse uma arma, numa hora dessas era bem capaz de matar quem quer que seja, só pra poder dormir. (Oooh, coisinha mais Chekhov da minha parte, hem ?)

- Gente burra. Principalmente quando a burrice vem – e quase sempre vem – acompanhada de arrogância, de certeeeeeza de saber mais do que os outros, e claro, de uma educação e civilidade básica bem inferiores ao que eu, por exemplo, considero básico.

- Filmes horrorosos em praticamente todos os horários de todos os canais pelos quais a gente paga uma grana que, se não chega a ser preta, pelo menos anda fazendo falta (e que pagaria umas 3 horas de sinuca, que é sempre divertida, mesmo quando eu perco miseravelmente).

- Falta de educação. No trânsito, no elevador, no estacionamento do supermercado ou do shopping, no cinema, em qualquer lugar. Todo mundo ultimamente parece ser filho único de mãe viúva, velha e milionária, ter sido criado longe da civilização e acreditar que o resto do mundo só está ali para sua diversão e não merece o mínimo respeito. Graças a isso, aonde quer que eu vá, sinto ganas assassinas o tempo todo.

- Condescendência. Me chame de grossa, discuta comigo, mas não banque o superiorzinho com sorrisos paternalistas e a pose de quem não está sendo compreendido em sua infinita sabedoria e vai tentar me ensinar alguma coisa, a menos que realmente seja muito, muito, superfuderoso na sua área de expertise e que, não menos importante, eu realmente esteja interessada de verdade em aprender algo sobre ela.

- Calor. Quanto mais quente o clima, pior o meu humor e a minha paciência pra lidar com as outras 6 situações aí de cima.

 

E você ? O que te faz sorrir ? O que te faz rosnar ? Conta pra mim, quem sabe eu não concordo. Eu tô mesmo precisando de mais motivos pra sorrir.



Escrito por Cynthia às 16h40
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VARIAÇÃO SOBRE O TEMA

ou SWEET MURDERER


Nos intermináveis minutos gastos na fila do supermercado, de salto alto, sem nem poder curtir um consumismo de supérfluos sem culpa (a grana tá curta, muito curta, curta mesmo, amiguinhos), minha maneira de evitar contato visual com as outras centenas – quiçá milhares – de criaturas igualmente estressadas e impacientes, algumas acompanhadas de suas crias mal-educadas, agitadas e gritantes, é ler absolutamente todos os rótulos, especificações e fatos nutricionais de cada produto que conseguiu chegar até o check-out sem ser despejado do meu carrinho pelos meus escrúpulos econômicos, mais ou menos tardios. Achei especialmente interessantes os muitos textos na embalagem do açúcar, que ninguém na minha minúscula família consome mas que eu tenho que comprar só pra empregada, tão dependente que às vezes o come puro, às colheradas (apesar de claramente não ter nada contra meus caros produtinhos diet, que ela devora tanto quanto os outros doces que eu também compro só pra ela). Os fabricantes, obviamente evangélicos, parecem fazer muita questão de deixar clara sua religião, cobrindo o saquinho plástico de versículos e declarações de fé, tanto que suspeito que mais vinte minutos ali e eu sairia com a bíblia todinha decorada. Mas o que achei mais interessante foi uma mistura de testemunho com tentativa de “responsabilidade social”, em letras bem grandes, logo embaixo de uma receita de cocada : NÓS CONFIAMOS EM DEUS DROGAS ÁLCOOL E CIGARRO MATAM. À parte ter ficado bem claro que em vírgulas e pontos eles não confiam, é interessante notar que em nenhum momento eles perceberam que tanto o açúcar quanto o deus que querem tanto me vender também matam. A julgar pela história, tanto antiga quanto recente da humanidade, muito mais.



Escrito por Cynthia às 21h48
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