MÃE É AMOR, MÃE É TERNURA, MÃE É A... QUE PARIU ?!
Saco, não agüento mais fazer campanha pro dia das mães. Além de esperarem até o último momento (provavelmente eles só descobrem que todo maio tem dia das mães quando já é finalzinho de abril) pra depois ficar dando "prazo" de 90 minutos - e chilique de 15 em 15 - , ainda esperam que a gente seja fofa, meiga e doce, mas sem perder de vista o lado profissional e mUderno da mUlherada. Que eu, que não sou meiga, fofa, doce e nem muito menos mãe - e NUNCA quis ser nenhuma dessas coisas - adivinhe o que elas querem ouvir, ou melhor, o que os anunciantes ACHAM que elas querem ouvir - e acerte na mosca, contra todos os meus instintos e inclinações. E todos eles são homens, velhuscos e machistas, ainda por cima. Já que acham que eu sou mesmo repentista, que crio de pé, no tapa, sem pensar e sem demora, a vontade que dá é de perguntar "Que tal ‘Pai troca uma fralda por mês e quer medalha, fogos de artifício e estátua em praça pública. Mãe faz o diabo a quatro 24/7 e se contenta com uma flor murcha, uma pizza gordurosa e um anuncinho paternalista de merda uma vez por ano. Parabéns, otárias.’?". Mas acho que é melhor não, né ? Melhor não.
...ENCHER OS OLHOS D'ÁGUA SÓ DE LER UMA TIRINHA DESSAS ?
Melhor então nem ouvir "Você não entende nada", do Caetano, né ? Pensando bem, o apê não tem seguro, eu mudo muito de idéia e nem sei o telefone dos bombeiros... so it goes. Guess we'll never be free after all.
Se bem me serve a memória – e devo dizer que a bicha não vem fazendo jus ao seus 10% de taxa de serviço há muito, muito tempo – o espiritismo (a menos antipática, intolerante, facciosa e assassina das religiões, inclusive as doutrinas chamadas “cristãs”) diz que o inferno é a consciência do tempo que perdemos, das coisas boas e/ou necessárias que não fizemos, do bem não realizado por preguiça ou repetitivamente adiado para um futuro que nunca chega. Apesar de eu não acreditar em quase nada do que todas as religiões e suas subdivisões pregam como verdade absoluta, se os kardecistas estiverem certos, e acho que estão – em parte : a definição do Sartre ainda está ganhando no meu eterno turfe mental por um nariz de vantagem, e a cada vez que eu saio na rua ou entro no twitter ela avança um pouco mais - , então eu já estou no inferno. Só que acho que o meu inferninho particular ainda é pior, já que estou viva e tenho consciência dele enquanto supostamente ainda é tempo de fugir, e mesmo assim passo os dias num cansaço não-justificado tão imenso e absurdo que não consigo reunir a energia básica necessária pra fazer alguma coisa a respeito. Assim sendo, e sabendo que não é muito provável que eu me converta subitamente a nenhuma religião, clubinho de lonely hearts (será que existe um chamado Eternos Postergadores Anônimos ? Devia, hem. Até porque ia dar uma sigla das mais interessantes. Pensa só nos diálogos: "E você, pertence a alguma organização ?". "EPA.") ou doutrina de auto-ajuda, eis a questão : será que Pharmaton, Centrum ou guaraná em pó salvam ?
A dermatologista – a 3ª a que vou em seis meses - não ajudou muito no combate à minha aguda-porém-crônica queda de cabelo, mas me tirou 9 sinaizinhos, entre pintas, verruguinhas e cistos daqueles que parecem grãozinhos de milho, do rosto, pescoço e costas. Doeram todas as picadas de anestesia, doeu a retirada de cada um deles, doeu no meu orgulho o leve cheiro de pena queimada da fumacinha que se ergueu a cada micro-churrasquinho de mim que a médica fez. Pra não falar da dor na língua, que eu tive que morder pra não perguntar a ela “e eu sou uma múmia, por acaso ?” ou coisa muito, muito pior (quem me conhece sabe a “profundidade” do nível de que sou capaz), talvez até envolvendo a anatomia dela em vez da minha, quando ela disse que minhas mãos estavam “bem-preservadas”, por estarem perfeitamente brancas e lisas. Cazzo, será que a bicha acha que eu já devia ter manchas senis (bem) antes dos 50 ? Mas enfim, tô aqui, cheia de esparadrapinhos, me segurando pra não coçar os machucadinhos e me perguntando se não vou perder minha identidade junto com a verruga que tinha nas costas desde que nasci. Mas o mais engraçado é que com tudo isso deu pra perceber que minha fama de mal-humorada e boca-dura já está bem sedimentada na agência, porque ninguém ousou perguntar o que era o tal esparadrapo bem no meio da minha testa, tapando o 3º olho (epa). Tsc. Nem me deram a chance de responder com a primeira coisa que me ocorreu quando me levantei da maca no consultório da derma e me olhei no espelho : “É botox de pobre”. Hohoho.