O CHEIRO DA PIMENTA VERDE

Meu hortifruti preferido agora tem uma seçãozinha de pães, feitos por lá mesmo. Estava lá eu, comportadíssima, comprando frutas e folhas, quando o cheiro maligno e absolutamente irresistível de pão fresquinho (e quentinho) me obrigou a fazer uma curva fechada e sair das alfaces diretamente pra tal seção, tão rápido que me senti o próprio capitão Kirk no seu elevadorzinho de luz. Mantive o bom senso em frente a foccaccie, ciabatte, folhados, pães doces e outras mumunhas, mas tombei perante uma que nunca havia visto antes e que me bateu na quina : o pão de pimenta. Com pedações de pimenta verde, que cheira muito bem e não arde quase nada, e pedacinhos de pimenta vermelha, que cheira bem e arde muito bem também, neném. Uma maldade fazerem isso comigo, porque, como eu já disse e assumo, eu sou pimentólatra. Enfim. Pouco maiores que um pão de queijo (os pães, não as pimentas) e sem parmesões, calabresas nem outros recheios igualmente gordos, os pãezinhos fizeram cara de santinhos, eu me fiz de tonta e assim consegui driblar minha já frágil e cambaleante (e, óbvio, eternamente faminta) consciência. Trouxe três, pensando em comê-los hoje e amanhã, em suaves prestações. Hah. Sweet spicy dreams. Comi todos os três agora há pouco, partidos ao meio e lambrecados – de leve -, dois com azeite extra-virgem e um com manteiga de leite. Com sal. Yes. Eu já sei, eu não tenho um pingo de refinamento gustativo. E provavelmente vou morrer do coração antes da hora e vou pro inferno, cheia de celulite e tendo que ser colocada no caixão com auxílio de litros de azeite e manteiga, desta vez não por dentro, mas na pele, como lubrificante, pra conseguir acondicionar minha bunda de hipopótamo no modelito básico XGG de jacarandá, e mesmo assim provavelmente só depois que providenciarem uma calçadeira gigante e uma empilhadeira, mas quer saber ? Vou feliz, sorridente, satisfeita e muito, mas muito bem alimentada.



Escrito por Cynthia às 18h15
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FAITS DIVERS PENDANT MON CHÔMAGE

No pedido de exames que o médico me mandou pela minha mãe – só se consegue marcar consulta com ele com pelo menos três meses de antecedência, então achei melhor adiantar o expediente, né – o bom doutor escreveu, na seção “Indicação Clínica”, o que acabo de identificar como “Hipotireoidismo”. Mas que graças à letrinha escalafobética que todo médico tem, passei a maior parte do dia jurando que era “Hipocondria”, hahaha.

 

Milagrosamente, anda chovendo em Goiás em pleno mês de julho. Com o friozinho inesperado, é tempo de atacar com minha grande favorita, eternamente cambiante e extremamente adulterada receita de Caldo Verde – que de fixo e fiel à original lusitana só tem a couve, o resto sendo usado de acordo com o que eu tiver disponível na hora, ou seja : a carne tanto pode ser lingüiça portuguesa quanto salamanca (com páprica picante), defumada, curada ou fresca, de frango, ou ainda lombinho defumado cortado em quadradinhos; como eu sou uma preguiçosa sem-vergonha, a batata farinhenta normalmente é substituída por purê de batata desidratado em flocos, ou até por farinha de mandioca (e fica bom !); como sou viciada, sempre amasso uma pimentona cumari e jogo na mistura e, se me der na telha, ainda acrescento um ovo nos últimos minutos de fervura, pra fazer aqueles fios de clara cozida supermacios, nham. Mas não importa qual o improviso do dia, eu sempre fico desejando ter um fragmentador de papel bem lindão e muderno*, não pra destruir a receita, que aliás nem tenho por escrito... mas sim pra poder cortar as couves em lindas e idênticas tirinhas de poucos milímetros, sem perder horas xingando as facas cegas da minha casa ou desembaraçando as fitas verdes quilométricas, de bitolas diversas, que adoram brincar de virar dreadlocks de marciano dentro da panela.

 

Doida pra ver Ratatouille, arrastei o gatim e fui, mesmo sabendo que em Boiânia só tem cópias dubladas. Escolhemos a última sessão – 20:30, nem tão tarde assim – pra ter que suportar menos crianças com DDA e TFE (Total Falta de Educação) gritando durante o filme e, oh, que surpresa, meia hora antes do horário, os ingressos já estavam esgotados, comprados principalmente por jovens e adultos sem crianças junto. Seria o caso de um gospel tocar na cabeça dos exibidores, algo na linha “The audience is tryin’ to tell you something”, né ? Seria, sim. Se não fosse Boiânia. Já que é, acho que vou ter que esperar as férias acabarem... ou o filme ser lançado em DVD, com som original. Enquanto isso, espero com toda a força do meu meigo coração que os exibidores Rampapoute que os pariu.

 

Se eu assumisse meu down & low quase permanente, e ainda por cima adotasse a asquerosa terminologia americana "loser" pra quem não ganhou um milhão de dólares antes dos 30 - e 5 antes dos 40 -, eu diria que essa minha recente mania de ficar o dia inteiro jogando paciência spider no computador é só pra ter o prazer, pelo menos de vez em quando, de ter alguém ou alguma coisa me dizendo "Você venceu".

 

É tempo de pernilongos em Boiânia. Por algum motivo que escapa à minha nublada compreensão, eles normalmente deixam meu delicioso gatim em paz e se concentram quase que exclusivamente na minha pobre e alérgica pessoa. Não sei se é porque, nele, os pêlos atrapalham o pouso, ou se os vagabundinhos escrotinhos e fedaputinhas dos minicorninhos dos pernilongos preferem uma dieta mais rica em glicídios e lipídios, ou mesmo se gostam mais de carne branca. Só sei que estou cheia de calombos vermelhos, que coçam como o diabo e me irritam ainda mais do que o resto das coisas todas do universo. Bom, pelo menos por uma vez na vida, sei o que as lindas, magras, irresistíveis e maravilhosas em geral sentem a maior parte do tempo, e elas têm toda a razão : é mesmo muito chato ser assim tão gostosa.

 

*Mas uma dessas aqui também servia perfeitamente !!



Escrito por Cynthia às 15h12
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CONFESSIONS OF A WOULD-BE BABY SNATCHER

Não é segredo pra ninguém que eu não gosto lá muito de criança (principalmente naquela fase desdentada e cheia de joelhos, cotovelos e opiniões estridentes, emitidas sempre aos berros, o tempo todo e em qualquer lugar, e que anda começando cada vez mais cedo), mas o que talvez vocês não saibam é que eu A-M-O bebezinhos. Tá, verdade que não tenho essa paixão - platônica, nunca é demais frisar, porque tem doido pra tudo nessa internet - só pelos bebês humanos. Amo os bebezinhos de gato e cachorro (e urso, tigre, vaca, lontra, porco, cavalo, lhama, coelho,  elefante, baleia, periquito, paca, tatu, cutia, sim, e o que mais houver), e dependendo da fase em que estiverem, periga eu achar fofos até filhotes de rato. Mas a verdade é que, sim, mesmo não sendo uma admiradora especialmente entusiasmada do animal humano, eu sou fã número um dos seus filhotinhos. Acho indescritivelmente lindas suas bochechonas, seus olhinhos curiosos, seus cabelinhos de pluma, sejam eles abundantes ou quase inexistentes, suas boquinhas banguelas, seus pezinhos quase redondos por cima e chatinhos por baixo, suas mãozinhas cheias de covinhas e, principalmente, suas potencialidades quase infinitas e sua enorme coragem de encarar a vida em completa dependência... e sem um pingo de coordenação motora. Adoro ver os macaquinhos pelados que eles são no começo irem dia após dia, minuto após minuto, se transformando em pessoas, aprendendo a sentir, a pensar, a questionar, a perguntar, a criar teorias, correlações, a fazer deduções. E fico feliz da vida quando vejo pessoas boas e queridas, que certamente serão bons pais, tendo bebês (e chorando feito bezerros, de emoção e orgulho plenamente justificados). Por outro lado, e justamente porque eu amo, amo, amo tanto bebezinhos, de todas as cores e formatos, sempre que vejo algum, na rua, no meu prédio, no shopping ou no supermercado, mal-acompanhado de uma família que obviamente vai traumatizá-lo com sua violência verbal sem fim e sem propósito, ou estragá-lo com mimos, dinheiros e liberdades excessivas - ou pior ainda, deixá-lo à míngua de carinho, limites e valores, pro bichinho crescer e se transformar num pittboy, num agrobobo, numa piranhete burra, num dono de agência de propaganda goiana, num diretor de marketing paulista ou, sei lá, num político do PFL (o partido que mudou de nome, mas não de caráter),  eu fico com uma vontade enorme, urgente e quase irresistível de pegar o pequenininho no colo, sair correndo dali e ficar com ele pra mim. Tem dias em que, se eu fizesse isso, acho que voltaria pra casa com pelo menos três. Em UM dia. Multipliquem isso por 365... e vejam o bem que o superego faz a uma pessoa.

 

 Try a little tenderness...



Escrito por Cynthia às 22h08
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DIÁLOGOS BOBOS SOBRE ASSUNTOS VARIADOS

- Caramba. Será que é verdade? Aqui tá dizendo que a menina que faz a Claire no Heroes tá namorando com o cara que interpreta o pai dela.

- Eeeewww. Não é à toa que o slogan da série diz que a gente não sabe do que eles são capazes...

- Caraio, 32 anos de diferença.

- Mas que coisa. E além de novinha, a menina é minúscula, praticamente um chaveirinho.

- É, bate no joelho do cara.

Aaaaaah, então é por isso : não precisa nem ajoelhar, hahahaha...

 


 

 

- No shopping tem um restaurante novo, árabe. Não deve ser franquia, porque acho que seria um fracasso no Rio de Janeiro.

- Por que, não tem feijão preto ?

- Não, por causa do nome : Toshca. Todo mundo ia pensar que a comida de lá era mó toscona.

- É... ou pior ainda, cheia de droga, né ?

- ... ???

- Tó-chi-ca !!

 


 

- Estranho isso : tem um monte de blogueiro dizendo que como a maioria das pessoas não é expert em segurança  aeroportuária, ninguém pode dar palpite, desabafar a indignação nem atribuir culpa a ninguém no caso da tragédia em Congonhas.

- Ah, mas blogueiros podem dizer isso, mesmo. Afinal, eles nunca falam de nada que não conheçam profundamente.

- Hehehehe... e pena que não exijam tantas credenciais assim pra ser vítima, né ? O número ia ser bem menor.

 


 

- Caramba, engraçado como o Tom Jobim compunha essas músicas maravilhosas, que exigiam um alcance de voz bem maior do que o dele... mas insistia em gravar as ditas-cujas, e ainda cantava nos shows...

- É. Nem sempre passarim que viaja nas oitavas sabe a voz que tem.

 

 



Escrito por Cynthia às 13h49
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É UM PÁSSARO ? É UM AVIÃO ? NÃO, É O BRASIL !

Tem hora, falando sério, tem hora em que parece que políticos, elites e otoridades em geral desse nosso pobre paisinho rico estão de sacanagem, fazendo tudo isso que eles fazem não por burrice, preguiça, ganância e mau caráter, mas por algum sério experimento antropo-sociológico. Só pra ver até onde a gente agüenta. Só pra analisar e anotar em seus caderninhos, para futura publicação em livros ou periódicos acadêmicos renomados, até onde a gente vai. Até onde eles podem nos desrespeitar, irritar, roubar, enganar, torturar, e, figurem eles como óbvios incompetentes ou disfarçados de co-vítimas de alguma fatalidade, finalmente nos matar, sem que ofereçamos resistência, ou retaliação, sem que as consequências sejam mais graves que uma jogadinha de cabelo indignada do J'abhorre no Vomitástico, um chiste elegante num bloguinho de direita – ou num de esquerda chique, tanto faz -, um chiliquinho de uma coroa indignada num blog alienado (sim, este que você lê neste exato momento) ou uma piadinha sarcástica do garoto prodígio naquela revistinha nojenta ou no programinha mais pretensioso da TV fechada. E o pior é que, pelo jeito, eles podem ir até onde quiserem. No país que se mobiliza pra votar no Cristo Redentor como uma das sete maravilhas do mundo (mesmo que três quartos da população ainda escrevam “maravilia”) ou pra decidir qual oxigenada-siliconada e futura capa da playboi – o I errado no final da palavra é de propósito  - deve ficar ou sair da casa no reality show mais bobo do universo; que busca a segurança pública através de simpatias como vestir branco num determinado dia ou preto em outro, encher o gramado do alvorada de caixõezinhos ou aplaudir o pôr-do-sol,  toda vez que alguma coisa séria de verdade aconteceu, ninguém fez nada, ninguém faz nada, ninguém fará nada. E, igualzinho àquele poema de Eduardo Alves da Costa, erroneamente atribuído ao Mayakovsky (brigadão, Sérgio e !) que todo mundo que votou nesses caras que ora mandam – e eles próprios - achava tão lindo publicar em seus jornaizinhos mimeografados e camisetas mal silkadas na época da faculdade ou do ativismo sindical, "como não dissemos nada, já não podemos dizer nada". Calemos, pois. Ou melhor, já que somos um povo tão simpático, falante e alegre, falemos de outra coisa. E o Pan, hem ? Cês viram só as medalhas ?

 



Escrito por Cynthia às 12h52
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HAIRY POTTER

ou HARRY POTTER AGAINST THE EVIL TWEEZERS

Esclarecendo : eu não li nenhum dos livros, não sou especialmente fã da série de filmes - até gosto, mas esqueço tudo dez minutos depois do "The End" -, nunca fui chegada em menor de idade (nem quando eu  mesma era um deles) e além disso a roupinha da foto tá meio andrógina demais pro meu gosto, mas como fiquei surpresa com o visual e tô mesmo precisando falar de coisas mais alegrinhas e superficiais, é mais do que saudável, é pre-ci-so que se diga que :

1- até que o bruxinho não tá dos mais feios,

2- ele realmente parece o irmão mais novo (e mais alto) do Elijah Wood e, principalmente,

3- as fãs deviam fazer uma campanha pra que, daqui pra frente, mantenham a sobrancelha do moleque sem cera e sem pinça. Ele com esse supercílio de macho fica oooutra coisa, né não, Solange ?!

Vade retro, pinçam malignae !!



Escrito por Cynthia às 01h52
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THANKSGIVING

O desemprego continua, o desânimo continua, a tristeza, os pensamentos mórbidos recorrentes, as dores crônicas, os probleminhas de saúde, a falta de perspectiva, a falta de grana, a falta de sono e o excesso de peso continuam. Mas meu gatim continua engraçado, lindo e fofo como sempre, minha gata tá carinhosa e manhosa como nunca, e de repente, no começo da tarde, meu pai me liga só pra dizer que comprou laranja da ilha pra mim. Se eu bem conheço meu eleitorado, periga ele ainda ter deixado as bichinhas do jeito que eu mais gosto : descascadas e geladas, prontas pra eu só tirar a tampinha e voltar à infância em 0.5". Pode parecer pouco, mas cada uma dessas coisinhas, sozinha, já seria - e é - mais do que motivo suficiente pra eu continuar passando pelas janelas abertas.

    You crack me up                 Mummiiiiiiiiiiiiiiiiie...                 Who's your daddy ?



Escrito por Cynthia às 13h09
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CIAO, TIA.

Um retalho seu, um vestido meu.Julho de 1967. Marilda, 14 anos, Cynthia, 2.

 

Quando eu tinha oito anos, ela tinha vinte e, pra mim, era mais linda, incrível e poderosa que uma estrela de cinema. Quando todas as moças tinham 1,60m, ela tinha 1,70 – ou mais, já que nunca calçava nada que tivesse menos de 10 cm de salto. Quando só velhinhas e piranhas pintavam o cabelo – de acaju-menopausa e loiro-palha, respectivamente – ela, que não era uma coisa nem outra, resolveu ser ruiva e ficou ainda mais bonita do que já era. Quando todas as minhas tias, minha mãe e todas as minhas outras referências femininas eram boazinhas, doces namoradinhas ou boas donas-de-casa, ela era solteira e desencanada, desbocada, nervosinha , trabalhava fora e ganhava seu próprio dinheiro. Quando todas as moças-de-família que ganhavam o próprio dinheiro ou ajudavam os pais ou iam comprando o enxoval e suspirando pelo dia de usá-lo, ela torrava tudo em jóias, bijoux, perfumes, maquiagem, roupas e sapatos. Ela ria alto e com voz grossa, falava palavrões feito um estivador (ou, como hoje em dia, yours truly), não abaixava a crista pra ninguém, chorava de raiva, de amor, de ternura, de alegria, fazia caretas e palhaçada o tempo todo. Por mais que com o tempo ela tenha se transformado tanto - e ficado tão menor, mais pesada, e tenha virado mais uma ótima dona-de-casa, vivendo pros outros, sendo uma excelente cozinheira, e, sempre de cara limpa, tenha deixado o cabelo em tons mais neutros, e por fim, depois dele cair todo na quimioterapia, renascido e mantido em preto & branco -, eu sei que a imagem que eu vou guardar da minha tia-musa vai ser sempre a dela jovem, cabelo de fogo, colorida, escandalosa, muito dona do próprio nariz. Eu, que não tenho o consolo da religião, que faz com que minha avó consiga enterrar uma de suas filhas mais novas sem morrer junto, me consolo da falta que sinto, da saudade que ainda vou sentir da minha tia mais engraçada, não com prosa, que é mais a minha praia, mas com poesia, adulterando Drummond e pensando que sim, de tudo fica um pouco. Fica um pouco do seu lindo nariz no nariz perfeito da sua filha mais velha. Fica um pouco do seu inabalável senso de humor no jeito engraçado de contar histórias da sua filha mais nova. Fica um pouco do seu talento culinário na memória gustativa, olfativa e afetiva de quem provou do seu pudim de leite tão cremoso, seu feijão inigualável, suas comidas baianas deliciosas. E em mim, além da data do aniversário que compartilhávamos, da mania de fazer piada com tudo e de um certo mau gênio sempre pronto a botar as garrinhas de fora, fica um pouco, pelo menos um pouco, da mulher jovem, brava, destemida que você foi um dia, e que enquanto eu viver, na minha lembrança você sempre vai ser.



Escrito por Cynthia às 11h58
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IMPERFEITAS EMOÇÕES, PENSAMENTOS IDIOTAS E PERGUNTAS VÃS

Serei eu a única mulher que (mesmo sabendo que quem se faz de coitadinha, frágil, chorosa e tristinha sempre é muito mais bem cuidada, bem tratada e ajudada por todos) não consegue se fazer de coitadinha por mais de 5 minutos ou sem transformar isso em piada no mesmo instante ?

Sou só eu que ao mesmo tempo em que me sinto injustiçada, fico arrumando desculpas pra quem fez eu me sentir assim - e nem pediu desculpa nenhuma, pra começar ?

Como é que uma pessoa consegue se enganar e se auto-cegar a ponto de não ver que está agindo exatamente do jeito que reclamava dos outros, ou que o "mal" que outros lhe fazem é exatamente igual ao que ela fez ou pensou em fazer a outros antes ?

Existe como consolar alguém que não gosta de ser consolado ? E como tratar a própria dor se a gente mal consegue admiti-la ?

Como é que a gente se despede com o mínimo de competência do nosso primeiro e mais duradouro role model (mesmo quando ele nunca teve nenhum sentimento especial por você, nunca soube que era isso e, além de tudo, já deixou de ser há muito, muito tempo) ?

Como é que hoje em dia, neste admirável mundo novo em que até bebês tomam prozac, ritalin e outras drogas com prescrição médica, alguém ainda sabe se está deprimido e precisa encher o rabo de remédios ou se só está triste, com montes de razões palpáveis, de motivos bem fundamentados e perfeitamente saudáveis pra estar fodidamente triste ?

Essa imbecilização absurda e crescente da população brasileira está tomando conta só das classes menos favorecidas ou é geral ? E se for geral, como parece, daqui a uns dez anos, quem vai tratar dos doentes, projetar estradas e pontes, controlar o tráfego, programar os computadores e dar manutenção nas máquinas ?

Finalmente, mas não menos importante : sou só eu que acho a Jennifer Aniston a cara do Iggy Pop ?

 



Escrito por Cynthia às 12h00
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ALÔ, ALÔ, RESPONDE...

ou MANDAMENTO 10.1 : NÃO DORMIRÁS

 

 

Nisso é que dá a gente reclamar, se lamentar, dizer "ninguém me emprega, ninguém me quer, ninguém me leva pra passear de Chevrolet." Os malas do KrediKarma ouvem, resolvem te sacanear mais um pouco e dar o número do seu telefone de casa E o do celular pra versão humana do esquilinho Hammy, de Over the Hedge. Aliás, uma versão humana ainda mais falante, scatterbrained e animada que o Hammy original. Com o relógio quebrado. Depois de uma latinha de energético com 80% de cafeína. Sem nada de sólido a propor, mas firmemente decidido a te levar junto pra... pra... pro que quer que seja, se é que algo vai ser. E você ainda se pega feliz e grata por isso, porque mal ou bem, Hammy-the-squirrel é a única pessoa interessada no seu trabalho e que não se importa com seu laconismo nem acha que sua falta de simpatia, meiguice e fofura são motivo pra não querer você numa equipe. Güenta, Cynthia. Foi você quem pediu, não foi ? So hey, ho, let's go. Wherever it is we're going.



Escrito por Cynthia às 13h22
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