As moças (e a coroa) que moram ali são umas grossas, estúpidas, bocas-sujas, belicosas, superficiais, burras, desagradáveis, gritonas, permanentemente exaltadas, neuróticas, descompensadas, totalmente desprovidas de superego, senso de decoro, pudor e civilidade básica. Mas devo admitir que a garagem delas é bem bacana. Aliás, é a primeira vez que eu vejo garagem assim, dentro do apartamento, com espaço pra cinco veículos e suspensa... a mais de 20 m do térreo, com acesso somente pelo elevador - ou pelas escadas estreitinhas. Tem até uma vaga só pro modelo de chuva (o vermelhinho, à direita), olha só.
O Ian Black, meu futuro colega de portal, provavelmente ignorando que o primeiro nome deste meu bloguinho, logo que surgiu, era “Odeio Boiânia”, me escalou pra listar cinco coisas legais pra se fazer em Goiânia, minha cidade. Bom, foi você quem pediu, então agora agüenta, Ian :
Pra começar, é mentira esse papo de que o melhor lugar pra se ir em Goiânia é o aeroporto. Primeiro, porque o aeroporto de Goiânia é uma merda, e depois porque também tem a rodoviária, ou pra quem prefere fugir de carro ou a pé, uma porção de estradas que saem daqui. A variadas distâncias da cidade, existem pontos turísticos como Pirenópolis (pra quem gosta de cachoeiras, trilhas, ladeiras, ruas pedregosas, pernilongos e turistas brasilienses under one influence or two); Caldas Novas e/ou Pousada do Rio Quente (piscinas naturais de água termal, pra quem curte se sentir uma cenoura boiando na sopa junto com o caldo de milhares de galinhas, piranhas e outros bichos, bípedes ou quadrúpedes – se é que me entendem -, tudo isso ao som de muito axé music no talo); Rio Araguaia (quilômetros e mais quilômetros de praias de areia branca, gaivotas fluviais, boa pescaria e muito, muito pernilongo, borrachudo e carapanã, mas muito mesmo.); Três Ranchos (uma represa que virou playground de rico graças ao seu belo lago azul, perfeito pro tipo de gente que escreve “jet ski” com Y mas tem ao menos dois, pra brincar com eles e comparar qual é o mais novo, potente e caro); Cidade de Goiás, mais conhecida como Goiás Velho (a primeira capital do estado, é mais ou menos a mesma coisa que Pirenópolis, porém com menos bras-ilhéus circulando – e em junho tem o Festival Internacional do Cinema Ambiental, a que eu nunca fui e do qual já ouvi falarem bem e mal, mas que, apesar das rimas cachorras no próprio nome, deve ter lá seu charme); Alto Paraíso (pra quem acredita em disco voador e acha que os E.T.s são doidos o suficiente pra querer se misturar com os seres humanos); Chapada dos Veadeiros, Parque das Emas e Jalapão – este último é noTocantins, mas tá na área, se derrubar é pênalti (lindas paisagens, muito mato, muito bicho, muito inseto, muito sol. Minha idéia de pesadelo, mas eu sei que tem quem goste). Ah, é pra falar de Goiânia mesmo ? Bão, não me ocorre muita coisa, mas aí também admito que a culpa seja mais minha do que dela, apesar de a bicha ainda merecer o apelido que eu, nem tão carinhosamente assim, lhe dei há décadas, mas que continua valendo : Boiânia. Sim, sim, a agropecuária ainda é mestra dos bolsos, corações e mentes da maioria da população. Tem uma brava gente aí lutando contra, mas não é fácil. A minha culpa, no caso, reside no fato de que eu não saio muito, bebo pouco, não tenho mais paciência pra gente gritando, música alta demais com qualidade de menos, comidas com mais preço e pretensão do que sabor, falta de conforto nem tipinhos posudos. Como só vou aonde gosto, vou a bem poucos lugares. Mas vou tentar garimpar cinco pra indicar :
Glória – botequim charmosíssimo, perto do Fórum, onde a decoração é a maior estrela. Os petiscos também são legais e o chope (dizem) é de primeira, mas pra mim, a melhor coisa é quando você dá a sorte de pegar uma apresentação de chorinho ou samba tradicional. Também gosto da extrema variedade dos freqüentadores e do fato de a maior parte deles já estar longe da adolescência.
Restaurante Árabe – na Avenida 83, Setor Sul, o nome do árabe não é só falta de imaginação : é que ele é árabe mesmo, não é nenhuma rede de fast-food, não. É um lugar pra se ir quando estiver com a fome de quarenta camelos, porque a comida é muuuito farta, temperada, pesada e deliciosa, e vem à mesa enquanto você agüentar, num desfile interminável de pães, coalhada seca, babaganoush, cabrito, cordeiro, arroz com aletria, kafta, tabule, esfihas (as melhores do planeta), homus, charutos, quibes, biscoitinhos amanteigados de sobremesa e outras maravilhas que eu precisaria de 1001 noites pra descrever... e outras 2002 pra digerir. Mas cada garfada vale a pena.
Feira do Mel – o VP já escreveu isto a respeito de outras feiras, e nesta também vale o escrito : mulheres amam, homens odeiam. Mas tem muita coisa boa, bonita e barata - doces, salgados, chocolates, roupas, calçados, bolsas, bijouterias, jóias artesanais, pequenos móveis, brinquedos educativos, crochês, arranjos florais e mais uma porção de coisas de que nem me lembro agora - nesta feira, que acontece aos domingos à tarde na Praça do Sol, no Setor Oeste. E é bem menos lotada, bagaceira e irritante que a Feira da Lua, que acontece aos sábados à noite na Praça Tamandaré.
Sebos – na rua 4 do Centro*, no trecho entre a rua 9 e a avenida Tocantins. Há anos, um sebo se instalou na área e, ao longo dos anos, vários outros foram abrindo por ali também. A rua virou um verdadeiro sebo-shopping, onde se pode achar facilmente edições esgotadas e até livros, HQs, CDs e DVDs nem tão antigos assim por preços ótimos. Epa, acabou o espaço. Mas continua lendo aí embaixo que tem mais.
O quinto, elementa - Pra não ser injusta – e pra tentar conseguir completar cinco lugares ou coisas legais dessa cidade, pelamor, devo citar lugares que eu não freqüento (alguns eu nem conheço) mas que são queridos por quem é íntimo : Martim Cererê, onde acontecem – ou aconteciam – , entre outras coisas, shows de rock. Aliás, dizem que a cidade tá virando celeiro de bandas boas, inclusive com festivais (Go Rock, Bananada e o Goiânia Noise), que fazem a delícia de quem gosta de música indie e não se importa de passar a noite em pé; o centro cultural Oscar Niemeyer, aonde ainda não fui por birra estética contra o criador e por medo de ser soterrada – o troço foi terminado às pressas por questões políticas e ninguém me convence de que um dia a casa não cai; parques e bosques variados, que eu não costumo visitar porque confesso que só gosto de mato quando ele tem nome (agrião, rúcula, acelga, alface...) e está no meu prato, com pimenta do reino, sal e muito azeite extra-virgem; e, claro, um zilhão de bares, barzinhos, restaurantes e botecos, pra todos os gostos, com música ao vivo (ou não) de tooodos os gêneros, e públicos de todas as idades e classes. Dê uma volta, sinta o clima por uns cinco minutos e pronto : em breve você vai saber se ali é ou não a sua praia, e se for, com mais uns instantes vai estar se sentindo em casa. Detalhe : pra quem é tão fã de beber e tem tanto boteco, o goiano é antes de tudo um fraco. Ou um sonolento incorrigível. Só isso pode explicar o fato de que, em 99% dos bares, mesmo nos fins de semana, no máximo até as duas da manhã os garçons começam a empilhar cadeiras, tirar as toalhas das mesas e, se nem assim você se tocar, te pedir pra ir embora. Juro. Eu sei, é idiota, não sei por que fazem isso. Só sei que é assim.
* Por mais que sejam largas, bonitas, limpas e arborizadas – e são -, não confie nos nomes das ruas, muitas delas batizadas com números : eles não fazem sentido nenhum. Ninguém deve supor que, porque está na rua 7, a próxima (ou a anterior) seja a 8, ou mesmo a 9. Sem contar que existem trocentas “ruas 7” (e 8, 9, 15, 241 etc.) distribuídas por “n” bairros diferentes. Ah, e não pense que o aeroporto fica no Setor Aeroporto : o bairro tem este nome por causa do primeiro campo de pouso da cidade, construído na década de 40. O aeroporto de verdade (nem parece, é tão feio que se assemelha mais a uma rodoviária. Do interior. Do Piauí.) fica no Setor Santa Genoveva, bem distante do Setor Aeroporto, onde predominam as clínicas médicas e os vendedores de carros usados, tendeu ? Nem eu.
** Atenção, isto é uma ironia.
*** Caraio, esqueci de botar minha igreja, o Templo Único da Caçapa Sagrada, conhecido entre os infiéis como Snow Bar, na Av. Portugal. Com mesas grandes, Bohemia gelada pro gatim, guaraná diet gelado pra mim, atendimento maravilhoso pelo próprio dono e pelo chefe dos garçons, o Snow Bar é tudo de bom. Mas talvez eu não devesse recomendá-lo, não, já que ele anda até um pouco cheio demais pro meu gosto. Faz o seguinte : vai na sinuca da Vila Nova, na 5a Avenida (how NY is that ?), que também é legal, mas tem mais espaço entre as mesas. Deixa o Snow Bar só pra pessoas anti-sociais e antipáticas como eu mesma, a goianiense 100% atípica, pela própria e desnaturada natureza. ;o)
Acho que nunca fui tão solidária às putas quanto hoje. Mesmo sem precisar saber os detalhes mais sórdidos da profissão (delas), juro que entendo perfeitamente o quanto é difícil, praticamente impossível, fazer o seu trabalho quando até a simples menção do nome do cliente é motivo de enjôo, repugnância, nojo, asco, repulsa, engulhos, náusea, ânsia de vômito e êmese incontroláveis.
Eu sei que falei nele no post abaixo, mas, me desculpem, vou ter que falar de novo. Quem me lê há mais tempo a esta altura já deve ser íntimo do Postergeist, meu espírito-guia (ou será um encosto ?) teuto-baiano, que faz com que eu sempre adie absurdamente tudo o que preciso fazer em meu favor,e ainda me deixa com cara de preguiçosa sem-vergonha perante a opinião pública (hah). Mas eu juro que ele é mais forte do que eu. E acabo de descobrir que além de me comandar à sua vontade 99% do tempo, quando eu me rebelo ele se alia a forças ainda mais poderosas para me punir pela ousadia. Um exemplo : há alguns dias, sentindo que o calor e a secura infernais do que a folhinha chama – estou convencida de que é sarcasticamente – de outono e inverno estavam firmemente estabelecidos sobre nossas moleiras até outubro, pelo menos, resolvi finalmente mandar fazer meus óculos escuros de grau (ah, não ter mais que escolher entre enxergar ou diminuir o ofuscamento, ah, não ver no retrovisor interno minha cara inteira franzida feito um maracujá de gaveta...). Na segunda-feira, ainda encantada com a possibilidade de ver aonde ia sem precisar fazer caretas pro astro-rei, aproveitei pra mandar lavar o coitadinho do meu carro, coberto de lama seca, de poeira e de vergonha desde que as águas de março fecharam o verão* – e, aparentemente, jogaram a chave no esgoto e fecharam a tampa com cadeado triplamente reforçado. Sei que isso não é nada, mas pra quem padece sob o jugo imperioso do Postergeist, estas pequenas atitudes foram uma vitória dupla, uma coisa incrível, e eu fiquei me sentindo como se tivesse escalado o Everest e atravessado o canal da Mancha de ida-e-volta, e ainda batido, montado e decorado um bolo de casamento de três andares com cobertura de fondant, tudo antes da hora do almoço. Pois é. Isso foi na segunda. E foi o que bastou pra que, contra toda a história climática do planalto central, desde terça de manhã tenha chovido TODOS OS DIAS, chovido torrencialmente, de deixar o céu branco, de derrubar folhas das palmeiras e fios dos postes, sobre Boiânia.
* em Goiás também conhecido como “as águas”, em oposição ao outono, inverno e primavera, mais apropriadamente chamados de “a seca”.
Gatim acordou rindo, dizendo que sonhou que o Loola tinha lançado, com toda a pompa e circunstância, o programa Bolsa Diamante, que consistia no seguinte : a partir de então, se você encontrasse um diamante no seu quintal, teria direito a ficar com ele, hahaha. Mais um motivo pra amar meu doidinho.
Uma semana depois de ir ao médico, passei pelo laboratório só pra ver a validade do pedido de exame. Disseram que é de um mês. Conhecendo a minha postergação doentia, agora mesmo é que eu vou demorar tanto pra fazer os exames que, quando finalmente me decidir, não vai ter mais motivo pro médico analisar os resultados : vou estar careca feito uma bola de boliche... e tão redonda quanto.
Aliás, achei super estranho o dermatologista olhar meu cabelo de longe, nem perguntar se ele (o cabelo) tá caindo com raiz ou quebradinho, nem tocar o couro cabeludo pra ver se a oleosidade tá dentro do normal e nem perguntar de doenças crônicas ou hereditárias – se eu não vou falando, ele continuaria sem saber. Aliás, ultimamente a maioria dos médicos mal faz perguntas e praticamente não toca na gente. Será coisa geral, por medo de acusação de assédio, por exemplo, ou será só comigo, e só porque eu não tenho mais 20 anos e 50 kg ? Confesso que quase comecei a cantar pra ele aquela música do Chico que diz “Põe as mãos em mim”, mas aí fiquei com medo do doutor bancar o House pra cima de mim e me introduzir um termômetropela terceira via... aí me conformei e fui embora caladinha.
Chego na agência, começo a ler o jornal e vejo que ainda resta uma esperança. Depois do “um homem cuja uma doença”, do “dar muitas e muitas asas para a imaginação” e outras belezinhas da semana passada, hoje saiu um “cujo” usado da forma correta na primeira página. Dá até medo.
Em outra manchete, vejo que a “Mãe de bebê abandonado não aparece”. Me perdoem a maldade e o coração duro, mas assim, se a mulher queria abandonar o bebê quando ele nasceu, por que ela iria aparecer justo agora, quando ainda por cima iria em cana se fosse encontrada ? A situação toda me lembrou da minha amiga que, ao telefonar pra gente da estrada pra dizer que não conseguia chegar à chácara porque estava perdida, respondeu à nossa pergunta “Onde é que cê tá ?” com lógica irrepreensível : “se eu soubesse, não tava perdida...”
Isso de falar sem pensar antes e acabar parecendo uma besta escrota sem coração não é privilégio meu nem de ministros e chefes de estado, não. A tal estudante brasileira que estava no campus da Virginia Tech quando ocorreu o tiroteio disse ao jornal daqui, em entrevista por telefone, “Graças a Deus não tenho amigos entre as vítimas”. Ah, bom, se nenhuma das mais de 60 pessoas feridas ou mortas era amiga dela, então que se fodam todas, né ? E acho que a implicância não é só minha, não : o jornalista que a entrevistou também deve ter ficado chocado. Pelo menos esta é a única explicação que eu vejo pra ele ter escrito tragédia com J.
Ainda sobre o massacre, agora tá lá toda a politicalha mundial se dizendo chocada, entristecida e fazendo minutinhos de silêncio em plenário pelas vítimas. Sinceramente, se um dia eu morrer por motivos que governo e políticos poderiam ter, ainda que indiretamente, evitado, digam a eles que podem enfiar sua tristeza, seu choque e todos os seus minutos de silêncio bem fundo lá onde o sol não bate. De preferência, junto com um inhame selvagem, daqueles especialmente grandes e cheios de brotinhos laterais.
Pra mim, a grande vantagem dos conservadores, dos moralistas, dos direitistas, dos seachantes donos da verdade e de outros bichos de igual calibre é que eles funcionam como um espelho deformante : quando a gente os lê ou ouve,ao reconhecer em suas deblaterações traços de impressões ou pensamentos nossos, ainda que grotescamente exagerados, ficamos tão horrorizados que passamos a examinar melhor nossas opiniões e, frequentemente, mudá-las, em maior ou menor grau. Isto posto, viva o Arghnaldo J’abhorre.
Sueco de 73 anos vai trocar de sexo. Ou ele é o cara mais otimista da história ou arrumou um jeito super-ultra radical de continuar sexualmente ativo sem precisar tomar Viagra.
Saindo dos cadernos mais “nobres” e passando rapidamente pelos classificados, me assalta a dúvida : por que é que os anúncios de roupas e calçados de griffe para mocinhas riquinhas de família sempre mostram bundas, peitos e caras de vagaba, e os de casas de, hã, “shows adultos” sempre mostram - em close - somente os angelicais rostos das pu... ahem, das “artistas” ? E principalmente, por que-oh por que será que tantas delas usam (aiaiai) aparelho nos dentes ?!
Tem dias - segundas-feiras, principalmente - em que tudo de que eu precisava era um despertador destes...
Não falta inventarem mais nada, mesmo : agora tem despertador com cheiro. E também com um som muito sutil e especial : o chiadinho do bacon ficando dourado e crocante. Verdade que o quarto e as roupas de cama do feliz proprietário de um aparelhinho destes provavelmente vão ficar com aroma natural de porco defumado por um bom tempo, e o despertado pode até ficar se sentindo um baconzito, mas pelo menos começa o dia bem menos traumatizado do que com o bip, biiip, biiiip, biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiip histérico do despertador habitual...
E aí, Kilgore Trout, Homem Sem Pátria, seu Bode Vermelho sem-vergonha. Finalmente não é mais Bem-Vindo à Jaula dos Macacos, hem ? Esquenta não, você sempre foi um caso típico de Pérolas aos Porcos, de qualquer forma. Agora que você atendeu ao chamado das Sereias de Titã, naufragou em Galápagos, caiu no sono numa Cama-de-Gato, entrou no Matadouro5, correspondeu ao abraço gelado da Mãe Noite, levou uma torta na cara feito uma cena de Pastelão, apanhou que nem um Canário Entre Gatos, um verdadeiro Pássaro na Gaiola, agora que nenhum Barba Azul pode te salvar, nenhum Café da Manhã dos Campeões te restaurar, nenhum Tocador de Piano pode te fazer dançar ou cantar novamente, nenhum Abracadabra pode te ressuscitar num passe de mágica, nenhum Tempomoto pode desfazer o que foi feito, e que não há mais Destinos Piores que a Morte no seu horizonte, será tarde demais pra te dizer que pra mim você era Sol, Lua e Estrela ? Que eu te amo, sempre te amei e sempre amarei ? Bom, agora eu já disse. E apesar de nenhum de nós dois realmente acreditar nEle, eu tenho que te dizer : Deus te Abençoe, Mr. Vonnegut.
Finalmente vimos o Cinema, Aspirinas e Urubus. Gostei. Muito mesmo. Até porque ele segue aquela mesma linha do Céu de Suely, com gente falando e se comportando de forma muito diferente do que estamos habituados a ver nas produções brasileiras, ou seja, ele é cheio de gente que age como se fosse, sei lá, humana. Coisa estranhíssima no cinema nacional, quase um escândalo, praticamente uma aberração. Falar em escândalo, o que é aquele alemão, hem ? Heil, Johann !!
Outro filminho em DVD, este um tailandês, que eu quis pegar por causa de uma ou duas cenas arrepiantes do trailer, revelou-se como sendo não de terror, mas sim de rito de passagem, com poucos erros feios – porém desculpáveis – e um sério, de continuidade, que, se fosse na China, provavelmente daria em tiro na nuca do continuísta e o envio da conta da bala pra família. Mas o filme é fofo. Tem sacadas muito legais, alguns efeitos visuais sutis e interessantes e unzinho péssimo, pelo menos duas personagens que não caem no óbvio contra todas as expectativas, enfim, é bem legal. O menino que interpreta o papel principal é lindo, talentoso e transmite raiva, saudade, humilhação e orgulho tudo ao mesmo tempo, numa cena de choro mal engolido e disfarçado, de uns cinco segundos, como pouca gente grande com 20 anos de carreira consegue. No final das contas, o filme é até previsível, é meio Sexto Sentido in Thai, mas eu a-do-rei. É, no fundo eu sou uma sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo etc.
Ao Novo Mundoo gatim assistiu sozinho. Eu sei que é do Terrence Malick e tudo, e o gatim gostou muito, mas eu tinha que trabalhar de verdade no sábado, praticamente com uma faca na garganta, e não tava disposta a ir dormir tarde por conta do miquinho-metido-a-sexy Colin Farrell. My mistake. Que aliás, como tantos dos meus erros, eu assumo e nem lamento. Eu precisava dormir, precisava trabalhar. Dormi e trabalhei. Valeu.
A Última Noite. Mais meigo que ácido, como seria de se esperar, eu achei. E muito engraçado. Se é bom ? Claro, pô, é do Altman, né ? E do PT Anderson também, que apesar de praticamente ter dirigido metade do filme e de aparecer no making of a toda hora, não foi mencionado nem uma vez e nem deu entrevista. Não sei se a iniciativa foi dele, mas fiquei ainda mais fã do carinha, da sua elegância e visão de que, não importa quem teve que ficar de pé e falar com os atores, o filme é do Altman, sempre foi e sempre será. Apesar de que, se existir um céu e o Kubrick estiver nele, deve estar torrando o saquinho do Robert pra trocar de último filme com ele. E o Altman nem lá, fingindo que está dormindo, com os olhos... arregaladamente fechados (?), hohoho.
...mas eu queria mesmo era ter visto Happy Feet. Ah, fica pra semana que vem.
a)Não, propaganda foi mês passado, depois da engenharia nuclear de fevereiro. Este mês eu tô em nanotecnologia... e tô pensando em atacar de encanadora no mês que vem, o que cê acha ?
b)Tô sim... e você, ainda tá em medicina/arquitetura/direito/engenharia ou já achou uma profissão de verdade ?
c)Nah, cansei dessa vida. Agora eu quero é ser puta, pobre e morar em Minaçu.
d)Continuo, continuo. Só que agora eu não faço mais locução em carro de som não, agora eu sou coladora de outdoor.
e)Mais ou menos. Agora eu trabalho numa agência de casting. Esta semana, por exemplo tô procurando só gente muito feia, prum comercial de cachaça. Me dá seu telefone ?
f)Não, querido(a), cê tá se confundindo, eu sou é Titular da Delegacia de Costumes. Não lembra que eu prendi tua mãe por lenocínio no fim do ano passado?
g)Propaganda, eu ? Quem foi que falou isso ? Nãããão, eu nunca trabalhei nisso não, eu sou é faxineira no Hospital do Câncer. Aliás, anteontem eu vi um tumor no lixo do Centro Cirúrgico igualzinho a essa pinta aí no seu braço. Bom olhar isso, viu ? Parece que o de o de lá não acabou bem, não...