AMOR E ÓDIO

Quem conhece esse muquifo há mais tempo sabe que no começo ele se chamava “Odeio Boiânia”. Parece meio hidrófobo, mas era um jeito de combinar o template prêt-à-porter do UOL blog que eu escolhi com a irritação, a frustração e a mágoa que eu sentia na época – e pra ser honesta, freqüentemente ainda sinto – pela minha cidade. Depois, num momento mais light, e com uma certa vergonha por achar o nome do blog e alguns dos meus textos de então parecidos com o de uma turminha particularmente babaca, com a qual eu não sentia e nem queria a menor identificação, mudei o nome pra este, que combina mais com o profundo umbiguismo deste ser-blogueiro que ora vos escreve e ainda aproveita o template (que eu adoro, porque amanhece, entardece e anoitece). Como fator positivo-agregador-extra-plus-a-mais, hohoho, ele ainda homenageia uma HQ muito legal e um filme interessante feito a partir dela. O fato de isso atrair dúzias de pongós que vão ao Google procurando pelo filme – atenção, macacada, o nome do filme é Sin City, SIN CITY, e NÃÃÃÃÃO Cyn City !! – e acabam dando com os cornos por aqui é fichinha perto do que devem atrair estes domínios, então eu encaro a coisa filosoficamente e continuo com ele. Mas a verdade é que em muitos, muitos momentos, eu continuo odiando Boiânia com todas as forças. Quando vejo a glorificação da ignorância, da burrice, da grosseria, da carteirada, do coronelismo, do machismo, quando noto o orgulho que a maioria tem da própria falta de educação, de gentileza, de cultura, quando presencio – e sofro – altas barbaridades no trânsito, cometidas por gente que aparentemente ainda não aprendeu a diferença entre dirigir na estrada de terra da fazenda e dirigir numa cidade completamente sinalizada, ou quando clientes que deveriam ser mais bem informados agem como se tivessem acabado de chegar da roça carregando uma mala de papelão com todo o seu dinheiro e calçados com botinas amarelas de goma. Mas mesmo com tudo isso, em agosto eu fico completamente ambivalente. Por um lado, sim, tem o calor infernal, a umidade de deserto, e os defeitos humanos todos, que debaixo desse sol foderoso parecem ainda piores, continuam à toda. Por outro lado, quase todo ano, antes do dia 20 as muitas, inúmeras árvores que estão por toda a cidade resolvem que não agüentam mais esperar o dia 23 de setembro e explodem em flores das mais diversas cores, feito fogos de artifício congelados no ápice da beleza. Você passa na rua pisando em tapetes dourados que as sibipirunas deixaram lá pra você, enquanto as paineiras chovem flores cor de rosa na sua cabeça e mais à frente árvores baixinhas, cujo nome você desconhece, fabricam uma tonalidade de roxo tão surpreendente que parece de mentira. Bougainvilleas, quaresmeiras, dinheiro-em-penca, acácias, ipês roxos e amarelos dão pinta pela cidade toda, completamente montados, abafando, lindos de morrer. Árvores nas ilhas do trânsito, moitas floridas nas praças, florinhas vagabundas e berrantes na beira da estrada só faltam dançar, e qualquer pessoa se sente como se estivesse bem no meio de um “Priscilla, a Rainha do Deserto” com elenco vegetal. Nessas horas, é preciso ser muito macha pra não embreguecer até o último pentelho, incorporar um Moacyr (francamente) e não sair cantando, com vibrato e tudo, “Eu amo Goiânia, Goiânia me ama”... hohoho.



Escrito por Cynthia às 08h32
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PENSAMENTOS DE SEGUNDA (EM MAIS DE UM SENTIDO)

DOIGTS PROVENÇAL

 

Sabonetinho de inox, detergente, gengibre cortado, casca de limão, mãos lavadas entre quinze e vinte vezes, álcool, sal, banho, shampoo, hidratante perfumado, mãos lavadas mais duas ou três vezes, com sal, com bucha vegetal, com luva de nylon, com escovinha, outro hidratante... e meus dedos continuam – beeem menos, mas ainda distintamente - com cheiro de alho & cebola. Ou eu aprendo a cozinhar de luvas, a gostar de comida sem tempero ou então, daqui pra frente, lá em casa só vai ter delivery e congelados nos fins de semana. Ugh.

 

WHEN GOOD THINGS HAPPEN TO GOOD PEOPLE

 

Coisa boa é ver um amigo querido finalmente feliz (finalmente fora do circuito das tentativas disfarçadas de suicídio através da versão brasileira de excesso de sexo irresponsável, drogas & rock’n’roll), finalmente apaixonado e correspondido por uma mulher (finalmente) à sua altura e, olha só que sorte, muito mais ajuizada que ele.  Coisa engraçada é você e seu gatim encontrarem os dois depois de um longo tempo pra matar a saudade, mas acabarem passando a maior parte do tempo falando de um (über-idiota) inimigo em comum. Tsc.

 

LITTLE WOMEN

 

Você conhece alguma mulher que fez, faz ou fará do casamento – seja com quem for, seja como for - uma carreira, assunto exclusivo, meio de vida e balança para medir o próprio valor ? O tipo de mulher que não tem vida própria e que, ao perder o status de “espousa” também perde as estribeiras, o senso comum e a decência básica de ser humano ? Corra dela, Forrest, corra como o vento, corra pra salvar sua vida. Você É essa mulher ? Cara, na boa : se mata. Rápido.

 

SILVER LINING

 

Merda, ando vendo TV além da conta. Merda, cancelaram Huff, e agora eu nunca vou saber se o Teddy matou a namorada, se o Byrd matou o ex-amigo, se a Beth vai aceitar o Huff de volta ou se ele vai ser esperto e ficar logo com a Anjelica Houston, se o Russell vai ser um bom pai. Merda, na DirecTV não tem os canais que passam Earl, The Office, Weeds e a entrevista das Motherns. Merda, mataram o homem mais yummy e lindo do mundo de Grey’s Anatomy. Merda, o Barry Manilow ganhou o Emmy – e numa categoria em que alguns dos concorrentes eram o  Stephen Colbert e o Hugh Jackman ! Merda, tem cada vez mais reality shows nos meus canais favoritos. Legal, agora posso ler bem mais.



Escrito por Cynthia às 13h02
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PENSAMENTOS DE SEGUNDA (É, TEM MAIS)

LONE NEURON STATE

A única explicação possível pra alguém assistir ao canal E! é se sentir superior, mais virtuoso e menos vazio que aquele bando de Barbies e Kens descerebrados que falam - sem nem ficar vermelhos - sobre como fazem “massagens com diamantes” (!) e só têm como assunto compras, roupas, unhas, jóias e procedimentos estéticos, invasivos ou não... ou pra rir do ingreis do locutor do canal, que consegue transformar o slogan “We love it too” em “We luvvy choo-choo” ?

 

WHAT’S UP, DOC ?

 

O que faz um médico sério e respeitado, de uma especialidade importante, açucarar, enfeitar, ou, pra falar em português claro, mentir mais que candidato a presidente para um paciente grave e sua família ?  E com estorinhas que não enganariam nem minha gata – quando ela era recém-nascida ? Argh.

 

MACHO, MACHO GIRL

 

Pegamos cinco DVDs, mas só tivemos tempo de ver quatro. Gostei muito do Capote, gostei do V de Vingança, achei legalzinho o Mrs. Henderson Apresenta, A-M-E-I o Três Enterros e, como não havia tempo, devolvi sem assistir o Esqueci-o-Nome, com a Jennifer Aniston e o fofinho Ruffalo. Estranho. Será que não gosto mais de cinema-mulherzinha ?!

 

Update -  Fui checar se o nome da moça era com dois nn ou dois ff e achei isso : http://ofuxico.uol.com.br/Materias/Noticias/noticia_19227.htm . Uia, que sorte !!



Escrito por Cynthia às 13h01
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FORA DE ÓRBITA

Pois é, rebaixaram o pobrezinho do planeta. Eu poderia fazer a brincadeira óbvia e dizer que ele deve estar pluto da vida, ou que só mesmo na astronomia pra um gordão daqueles ir pra segunda divisão, mas aí vocês iriam querer jogar coisas em mim e isso não se faz. Claro que todo mundo já falou a respeito, alguns certamente bem melhor do que eu, e contemplando todas as repercussões do caso, como por exemplo : o que dirão agora os astrólogos; se o nome do cachorro do Mickey vai mudar; como ficam as velhas musiquinhas e frases mnemônicas (segundo meu maluco gatim querido, Mnemônica é aquela amiga dentuça do Mnecebolinha), se elas vão ficar capengas ou se apenas sofrerão modificações. Eu, claro, acho que é melhor deixar tudo capenga do que substituir pelos novos planetas que andam sendo - e os que ainda serão - descobertos. Porque uma coisa era recitar o Minha Vó Tem Muitas Jóias e Só Usa No Pescoço, mas outra muito diferente vai ser se a gente, a essa altura, tiver que colocar a coitada da véia ligeiramente fetichista, substituindo o No por Nua (e cheia de jóias, ugh), ou pior ainda, cheia de piercings em lugares muito, muito estranhos...



Escrito por Cynthia às 10h01
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BZZZZZZZZZZT

Meus amados tênis se rebelaram contra mim : por causa de suas macias e silenciosas solas de borracha – e, claro, do maravilhoso clima saara-mojave-tallahasseeano que faz em boiânia - , eu ando tomando choques homéricos, daqueles de fazer faisquinha azul, todas as vezes que saio do carro. Como eu sempre me esqueço disso, normalmente me assusto e solto um palavrão cabeludo, em negrito, itálico e caps lock, assustando passantes na rua e horrorizando velhinhos na garagem do meu prédio. Mas em vez de ver nisso um toque do universo para que eu comece a me calçar de acordo com minha idade, com solas de couro – que escorregam, fazem barulho e podem me entregar para o chefe, cuja sala fica bem de frente para a única via de fug... ops, digo, de saída do trabalho,  e que é muito gente boa, mas adoooora bater loooongos papos na hora do almoço ou depois das 18h30 –, eu prefiro continuar levando os choques, mas deslizando corredores afora e escada abaixo inconspícua, despercebida e caladinha feito um gato-fantasma. E tentando ver o lado bom : vai que de repente eu até consigo um pouco mais de volume no cabelo, né. Ele sempre foi meio lambido, mesmo...

 

P.S. – se alguém falar em fio-terra vai ouvir, hem ? Comportem-se.



Escrito por Cynthia às 09h41
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LITERATURA DE AUTO-AJUDA NÃO É OXIMORO

Eu ando bem mais paciente no trânsito ultimamente. E é interessante que isso esteja acontecendo justo agora, no inferno pré-eleitoral, quando a quantidade de asnos volantes, carros caindo aos pedaços, entregadores agressivos de panfletos e poluição visual (e sonora) é muito maior do que o normal. O “remédio” é algo que eu já descobri há algum tempo, mas que está funcionando bem melhor agora que eu tenho um local coberto onde deixar o carro : livros. A sombra impede que as lombadas soltem e as capas empenem, então eu posso deixá-los ali pelo tempo que for necessário, e agora sempre tenho um ao meu lado, no banco do passageiro, sempre com um marcador e ao alcance da mão. O sinal vermelho é demorado, os motoristas à frente são umas bestas hexagonais, o trânsito engarrafou, tem uma batidinha boba logo ali que faz com que a fila ande à velocidade de uma tartaruga manca com parkinson ? Não me estresso, saco meu livrim e esqueço do mundo. Às vezes chego a me esquecer com tanta competência que o carro de trás precisa buzinar pra eu acordar e ver que o sinal abriu ou o engarrafamento desengarrafou. E mesmo quando buzinam, eu não me irrito, porque afinal de contas, pelo menos por uma vez a culpa é minha mesmo, e porque um bom livro tem a capacidade de melhorar o humor de qualquer um. Como passa-tempo, é muito melhor do que rádio, cigarro, CD ou mp3 player, celular ou outros bichos, porque não tem lei que preveja multa pra quem for pego lendo no trânsito – até porque REALMENTE só dá pra fazer isso com o carro parado - , não consome pilha, não acaba a bateria na melhor parte, não deixa cair brasinhas na sua roupa, não  te deixa surdo, não incomoda o cara do carro ao lado, não gera cobiça em ninguém e nem atrai ladrão. E mesmo que algum dia isso acontecesse, na remota hipótese de você chegar perto do seu carro estacionado e vir que o vidro foi quebrado e roubaram seu livro, pensa bem : você teria que ter perdido totalmente até o último traço de romantismo pra não ficar pelo menos vagamente comovida, ou até um tantinho orgulhosa do seu ladrão, né não ? E de, na improvável casualidade de encontrá-lo depois, não querer perguntar pra ele o que achou, se o protagonista não tava mesmo muito bem construído, se o enredo melhora depois da segunda parte, se ele concorda que aquela receita do Steingarten talvez fique passável com adoçante em vez de açúcar... ou se ajoelhar aos pés do meliante, em lágrimas, e pedir seu livro emprestado, pelo amor de Deus, porque você não tá conseguindo encontrar outro exemplar e pre-ci-sa saber como é que ele acaba ?!



Escrito por Cynthia às 10h09
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ERA O DEUS TIÃO MACALÉ ?

Deu no UOL news :

Artefato de ouro peruano é recuperado pela polícia

Mas fala a verdade, não é igualzinho ?!

EFE 

Assim falou Jequetepequetitlán : "Nojento...Tchan !"

(Não, eu não tenho nada que preste pra dizer. Só não quis ficar a semana inteira com o mesmo post...)



Escrito por Cynthia às 15h33
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DEPOIS CRESCE TUDO REVOLTADO...

Mas quem, em sã consciência, pega um pobre e fofo recém-nascido inocente, indefeso e frágil, e tasca no coitadinho uma praga vitalícia de um nome como Sebastião, Zózimo, Elpídio, Joaquim, ou pior ainda, putaqueopariu, Geraldo ?! Depois reclama quando o bichinho cresce arrevortado e começa a usar tóchico, ou endoida de vez e entra pra Opus Deissimedaí, vira político, começa a pentear fiozinhos por cima da careca...

 



Escrito por Cynthia às 10h05
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ASSORTED LIFE SAVERS

                    

Eric Idle cantando “Always look on the bright side of life” inesperadamente no seu ouvido numa manhã de segunda-feira que havia começado com enxaqueca, náusea, depressão e cara de suicídio obrigatório.

 

Um e-mail com um pps que normalmente você odiaria e acharia brega, mas que por acaso é tudo que você precisava ver e ler naquele exato momento.

 

Uma criança bem pequena, linda e fofa, totalmente desconhecida, dando tchauzinho e sorrindo pra você do banco traseiro do carro à sua frente num engarrafamento irritante no fim de um dia horrível de uma semana péssima.

 

Uma inesperada e meiga lambidinha da sua gata habitualmente mal-humorada na sua canela, justo quando você está achando que ninguém te ama, ninguém te quer, ninguém te leva pra passear de Chevrolet.

 

Um recadinho fofo no orkut daquela que foi sua melhor amiga há quase 3 décadas e andava sumida há pelo menos duas.

 

Elogios espontâneos a um trabalho seu, quando você mesma não vem encontrando alegria no trabalho há muito tempo.

 

Descobrir que você finalmente perdeu mais um quilo, depois de um longo e desanimador patamar na dieta, em que você continuava passando mil vontades e pesando a mesma coisa.

 

Chá de boldo feito pelo seu amor e servido com abraço e beijinho, quando você está doente e morrendo de pena de si mesma.

 

Fazer as contas e perceber que mesmo continuando gorda, em 8 meses de dieta - sem nenhum exercício - você já baixou duas casas decimais no seu peso, o que significa que talvez até o meio do ano que vem você consiga baixar mais uma (ou até duas), voltar a ter peso de gente e poder se vestir de mulherzinha de vez em quando outra vez.

 

Procurar um band-aid pra um machucadinho no dedo e só achar um da Hello Kitty, que te faz sorrir mesmo que não queira, a cada vez que olha pro seu dedinho quarentão embrulhado em bichinhos sobre um fundo cor-de-rosa.

 

O livro que você procurava há anos e pediu há semanas finalmente chegando pelo correio, quando você já tinha se esquecido dele, e justo num dia em que não tem nada que preste na TV.

 

A compreensão de que, haja o que houver, você encontrou o amor da sua vida, se casou com ele e vem sendo muito feliz, o que, convenhamos, não costuma acontecer com nem 10% da população mundial.

 

Ter your own private muro das lamentações, seja ele um terapeuta, um amigo-de-fé-irmão-camarada, web-buddies no msn, comentaristas no blog, irmãs no telefone ou seu amor no google talk. Obrigada, caras. Vocês são salva-vidas de primeira e nem sabiam.

 

                  



Escrito por Cynthia às 16h27
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DRAMA QUEEN CRIMSON

Ninguém tá satisfeito mesmo. Quem mora em lugares frios e úmidos vive reclamando de mofo e de ter que andar empacotado o dia inteiro. E eu, nesta sauna seca que chamo de lar, tenho que passar litros de hidratante dos pés à cabeça várias vezes por dia, beber galões de água-suco-chá-refrigerante o dia todo e, de noite, entre uma levantada e outra pra um xixizinho básico, acabo tendo pesadelos dantescos, pavorosos, em que cada figurante parece ter saído de um filme do Eli Roth, cada protagonista é um Hildebrando-Leatherface doidão de metanfetamina ou um Prometeu de fígado eternamente dilacerado e regenerado e eu sempre me vejo em meio a carnificinas dignas de filme B – ou de uma ofensiva militar israelense - , pesadelos nos quais, graças ao gentil patrocínio da minha mucosa nasal rachada, estalada e discretamente sangrenta, sinto não só o cheiro como também o gosto (ugh) de sangue. Ah, o que eu não daria por um mofinho nessa hora...

Este desenho, óbvio, não é meu. É uma réplica do Massacre dos Inocentes, de Rubens, feita por um estudante de arte inglês. Apesar de forte e violenta, a cena, comparada dos meus pesadelos, é praticamente um episódio dos Teletubbies.



Escrito por Cynthia às 10h14
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QUÉJATE COM ELLA

Eu não sou o Calvin, mas também tenho um bichinho-amigo-imaginário. Quer dizer, “bichinho” é a mãe e “imaginário” é o cazzo, como ele – ou melhor, ela – muito abusada e acertadamente acaba de me soprar aqui no ouvido. Minha amiguinha invisível (tá bom assim, neguinha ?) é bem real, só não é vista por outras pessoas. Na verdade, ainda que não exatamente vista, ela às vezes até é percebida pelos outros, mas mesmo quando é assim, não é como uma entidade independente, separada de mim, com vida e vontade próprias. As pessoas que a percebem dizem “E aí, Cynthia, tá com preguiça ?”, mas dizem isso como se “preguiça” fosse só mais um estado de espírito, e não um ser de existência bastante real, um simpático animalzinho* de uns 4,5 m e aproximadamente cinco toneladas, que adora se sentar no meu colo, imobilizar meus braços, enlaçar meu pescoço e repousar o queixo em cima da minha cabeça sempre que pode. Seu nome é Megatéria alguma coisa, um nome composto que ela não quer me contar, então eu, só de sacanagem, a chamo de um nome diferente a cada hora : Megatéria Luiza, Megatéria Helena, Megatéria Cristina, e quando ela ainda não me dominou completamente e eu tenho disposição pra falar mais, eu a irrito chamando de Megatéria Patrícia Maria Teresa Romilda Lombardi... Ela não é recente em minha vida, está comigo desde que eu era criancinha, mas de uns tempos pra cá, não sei por que, cresceu absurdamente e está cada vez mais apegada a mim. Como é tão espaçosa e não costuma se afastar muito, às vezes me atrapalha nas coisas mais simples do dia-a-dia. Se eu demoro a me levantar pela manhã, se sofro pra dirigir os 20 minutos de casa até o trabalho e vice-versa duas vezes por dia, se nunca organizo meus CDs, meus livros, meus armários e gavetas, se não procuro e treino uma empregada melhor e menos folgada (acho que alguma irmã da Megatéria se engraçou com ela e não deixa a coitada trabalhar direito suas auto-determinadas quatro horas por dia, pobrezinha), se tenho vontade de chorar com certos jobs que me jogam em cima da mesa, se não sou mais simpática, sociável, conversadora, educada, se não faço mil receitinhas nos fins de semana, se deixo ingredientes bons e caros esquecidos até vencerem na geladeira, se não leio jornais nem revistas de informação todos os dias e “femininas” quase nunca, se adio as coisas além do aceitável, se não tomo providências, não faço academia, não vou ao médico, não me maquio, não me visto melhor, não escrevo um texto decente neste blog há tempos, não é minha culpa. É da Megatéria.

*Reparem na minha astúcia : retratei a mimosa criatura tampando toda a porção mais rechonchuda do meu corpinho de azeitona. Só com minha cara, mãos e pernas visíveis, vocês vão pensar que eu estou finalmente magra. Não estou. Mas se a canoa não virar, eu chego lá.



Escrito por Cynthia às 10h22
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DIÁLOGOS SEM PUDOR DE UM CASALZINHO SEM NOÇÃO

COERÊNCIA ZERO

 

- E aí, você tava no maior medão do tal exame de próstata... como foi ?

- Não precisei fazer.

- Como não ?

- Ele perguntou minha idade, se eu tinha casos de câncer de próstata na família e aí disse que não precisava fazer o exame tão cedo.

- Hehehehe... cê achou booom, né ?

- Ô. Fiquei tão feliz, tão aliviado, tão agradecido... que quase dei a bunda pro médico !

 

*       *       *

 

SUÍTE TALKING

 

- Amore, vai lá pra sala.

- Mas por que, tô tão bem aqui na cama...

- É que eu vou fazer uma coisa, assim, hã, feia, aqui no banheiro, e não quero você por perto.

- Que é, cê vai se filiar ao PFL ?

- Mais ou menos. Praticamente. Digamos que eu vá... lançar um deputado.

 

*       *       *

 

COCA LIGHT BLUES BURPS

 

Ela, na sala, jurando que tá sozinha em casa :

- Buuuurrrrrrrrrp.

 

Ele, da cozinha, só pra sacanear :

- Burrrp.

 

Ela, concluindo que vergonha é roubar e não conseguir carregar :

- Amateeeeur !!

 

 

*       *       *

 

Mais tarde, ela, num sofá, já totalmente sem vergonha nem superego :

- Burrrrp.

 

Ele, pra não ficar atrás, do outro sofá :

- Buuurrrrrp.

 

Gata, empoleirada no encosto de um dos sofás :

- Miaaaaaaaaau !!

 

Ele, pra gata :

- Mas você diz isso como jurada ou também tá querendo competir ?



Escrito por Cynthia às 16h10
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SESSÃO CORUJA NUMA HORA DESSAS ?

Minha sobrinhinha-neta Hannah fez um aninho ontem. Sou só eu ou mais alguém acha que ela é mesmo a versão ultra-jovem e (por enquanto) banguela da Lauren Ambrose (de Six Feet Under), e bem que podia continuar ruiva e linda assim quando crescer?

  

Baby, you can drive my car...                              Yes, you're gonna be a star.

Hoje também é aniversário do meu pai, que me deixa tão coruja quanto. Infelizmente, ele se parece demais comigo pra poder ser considerado lindo por fora, então não vai foto, mas believe me : he's the absolute best.

crdt foto : minha sobrinhona, a Tati, que nem pensou em tirar essa caquinha do nariz da fofa antes de clicar...

Escrito por Cynthia às 14h54
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MAS COMO DÓI

Eu não tenho porta-retratos na parede, na minha mesa nem no desktop do computador, no trabalho. Primeiro porque eu já tenho as imagens dos meus queridos tatuadas onde importa - ou seja, right under my skin -, não acho que a alguém mais interesse que cara eles têm, e depois porque a mesa já tá mesmo atulhada de outras coisas. Além do mais, pra que mesmo é que as pessoas têm porta-retratos no trabalho ? Segundo o Seinfeld (ou o Larry David, vai saber) é pro sujeito não se esquecer de que tem família. Sabe como é, chega o fim do expediente, a pessoa se levanta pensando “agora eu vou encher a cara, sair por aí, pegar umas mulé” (ou dar pruns carinhas, conforme o sexo e a inclinação do(a) trabalhador(a) em questão) e aí, pá, bate o olho nos porta-retratos e imediatamente a ficha cai, o superego acorda e o quem-é diz “uh-oh, não vou poder, olha só, acabei de lembrar que eu sou casado e tem gente me esperando em casa...”. Mas essa é a teoria dele, ou deles. A minha é de que as pessoas mantêm os retratos dos filhinhos inocentes e zoiúdos, da amantíssima esposa, da mãe velhinha, do marido sensacional e dos bichinhos de estimação indefesos, todos ali montando guarda em cima da mesa, encarando firmemente o cidadão, só pra ele não perder as estribeiras a cada vez que ouve uma barbaridade, sofre uma grosseria ou leva um golpe no amor-próprio no horário comercial. É como se as fotos dissessem “Não, papai (ou querido, filhinho etc., cê entendeu), não mete o pé na boca do seu chefe, não chuta a bunda da recepcionista, não dá um rabo-de-arraia no colega, não chama o patrão de babaca, não manda ninguém enfiar o emprego, a vaga na garagem, o contra-cheque lá onde o sol não bate, por favor... você tem que nos sustentar, lembra ?”. E aí me ocorre que talvez seja por isso que eu não tenha parado por mais de dois anos (ou, nos últimos casos, de alguns meses) nos meus últimos empregos : por falta de porta-retratos com chantagem sentimental e despertador de prudência incluídos. Eu continuo satisfeita aqui e continuo não querendo botar as fotos do meu lindo gatinho e da minha gata em cima da mesa, expostos à perscrutação, perguntação e avaliação públicas, mas como nenhum lugar é perfeito, é bem possível que em breve eu também acabe precisando de uns hiperegos desses. Hmmm... será que fica muito estranho se eu emoldurar e colocar em cima da mesa os carnês do plano de saúde, do condomínio, do telefone, da água, da TV a cabo, do provedor de internet... ?



Escrito por Cynthia às 09h59
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