COM O PÉ DIREITO

Hoje o dia promete. Apesar de eu ter acordado às 6:30, ainda com o céu escuro, a chuva que durou a noite toda deu uma pausa  no calor horrendo que vinha tomando conta da cidade há quase um mês, e ainda deixou o céu coberto de nuvens cinza, o que (ainda que meu nome não seja Morticia Addams) sempre me deixa de excelente humor. A dieta resistiu ao finde e continua sem maiores dificuldades, e mesmo eu não tendo me pesado ainda - e nem vou tão cedo -, alguns anéis que andavam apertados já estão cabendo tranqüilamente nos meus dedinhos. Se tudo isso não bastasse, logo que ligo o som*, meu queridíssimo Eric Idle, aquele do Monty Python, canta The Galaxy Song nos meus ouvidos, com seu final inspirador :

So remember, when you're feeling very small and insecure,

how amazingly unlikely is your birth,

And pray that there's intelligent life somewhere up in space,

because there's bugger all around here on Earth.

 

Logo depois** vem o concerto em Sol de Vivaldi, um puta pick-me-up maravilhoso, que eu repito duas ou três vezes, no último volume, quase estourando meus tímpanos e provavelmente fazendo uma cara digna de tarado vendo filmes x-rated, mas pelo menos garantindo disposição e saco pra agüentar a humanidade até a hora do almoço, no mínimo. Depois, pra acabar de me deixar em estado de graça, entra Duke Ellington tocando Lotus Blossom, que também ouço tão alto que dá pra ouvir vozes e copos ao fundo, no estúdio ou nightclub, sei lá, em que essa versão foi gravada. Aí meu namorado*** Kenny Wayne estapeia minhas orelhas rasgando uma guitarra maligna em The Place You're In e eu tô pronta pra começar o dia. Que venga el toro ! (Pero en bifitos !)

 

*Ó, eu não agüento mentir : pra falar a verdade, a primeira música do dia mesmo também foi do Eric, mas não The Galaxy Song. Foi "Sit on my face", mas achei que se eu escrevesse isso aqui cês iam pensar mal de mim...

 

**O mais legal de você poder colocar quase 3000 músicas nesse aparelhinho é que acaba se esquecendo de que gravou algumas e, colocando no shuffle, pode ser surpreendido com trilhas sonoras que, apesar de aleatórias, freqüentemente refletem seu estado de espírito ou dão uma melhorada nele, quando você mais precisa. "La Vie En Rose", "You're The Top", “Senza Fine”, "Feitiço da Vila" ou (ói o Idle aí de novo, gente !) "Fu*k You Very Much" ouvidas no momento exato fazem maravilhas por Lady Moça.

 

***Gatim chama todos os homens que eu admiro especialmente e, hã, não apenas intelectualmente - mas é tudo platônico, viu ? - , de "meus namorados". É uma longa, longa lista, que vai de Tony Bourdain a Johnny Depp e Stephen Daldry, passando por Eric Clapton, KWS e, above all others, Benicio del Toro. Mmmmoooooooooo...


Escrito por Cynthia às 07h00
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É ASSIM COMO UMA FISGADA

Meu avô paterno perdeu a mão direita em um acidente de pescaria com bomba quando era jovem, há uns bons oitenta anos. Por mais paradoxal que seja falar em sorte nesses casos, ele teve, sim, a sorte de um quintanista de medicina estar passeando no fim-de-mundo onde ele morava na época e ter feito as suturas todas direitinho, e de a cicatrização ter sido boa, sem infecções nem complicações mais sérias. Homem de opinião, corretíssimo, mal-humorado e mais sério que porco mijando, ele nunca bancou o coitadinho, nem o aleijado : ficou canhoto à força, comia sozinho, descascava laranjas com um método todo seu, foi alfaiate, dono de armazém e fazendeiro, e criou e formou seus sete filhos sustentando todo mundo com muito trabalho. Era meio desajeitado com os netos, e principalmente com as netas, que chamavam os pais - e até a ele !! - de "você" e não de “senhor”, não pediam a bênção, não eram comportadas, submissas e obedientes do jeito que meninas, na cabeça dele, deveriam ser. Mas ainda assim, à sua maneira rude e sertaneja, era carinhoso com a gente. Principalmente no que se refere a ouvir, a conversar. Foi assim que eu fiquei sabendo, anos antes do Chico compor e a Zizi Possi cantar uma das músicas mais lindas do mundo, que membros perdidos ainda fisgam, coçam, dóem e se movem. Meu avô nos mostrava o pulso, que terminava num cotoquinho redondo e liso, e com os tendões ali se movendo, nos dizia : "Olha só, tô mexendo o indicador. Agora o polegar. Agora fechei a mão." E nós não tínhamos medo, nem nojo, nem mesmo pena. Aquele era o nosso vovô bravo (o outro avô, o materno, era de uma mansidão Ghandiana, quase o oposto dele), e era assim que ele era. A gente "comprava" o pacote completo, e gostava dele daquele jeito, magro, seco, áspero, agreste.

Eu tinha 13 anos quando ele morreu, e me lembro bem de tudo, do rosto, da voz, da letrinha tremida, mas só ontem me peguei pensando se além de coçar, doer e se mover, a mão desaparecida-porém-presente dele também não influenciava seu jeito de ser, pensar e de se movimentar. É que apesar de eu não ter mais TPM nem o equipamento que a provoca, ainda tenho surtos de irritação e/ou sentimentalismo de tempos em tempos, possivelmente na época do mês em que teria a dita-cuja. São dias em que tudo me tira lágrimas, sejam posts alheios que falam de morte, de perda, de esperança de reencontro; seja a visão de um bebê chorando na sala de espera de uma clínica de coração, e a idéia de que ele possa ter problemas cardíacos, seja a expressão de ansiedade no rosto da mãe novinha ou o pânico mudo nos olhos arregalados da avó que o leva no colo. As lágrimas vêm, e eu não deixo cair em público porque odeio chamar a atenção, mas fico com os olhos ardendo e o nariz coçando várias vezes por dia. É um porre.

Por outro lado, essa elucubração toda teve a vantagem de me relembrar meu avô e, quem sabe, entendê-lo um pouco mais. Já que pra nós, agnósticos, a única vida além da morte provavelmente é esta, de quando os vivos pensam em quem já morreu, lembrar disso é como se eu ressuscitasse o velho coronel, nem que seja apenas por umas poucas horas. E já que eu o acordei, não custa nada ser gentil e pedir a ele, fazendo o que nunca foi meu hábito : sua bênção, vô. Saudades de você.



Escrito por Cynthia às 06h36
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LÁ VOU EU DE NOVO...

... sofrer feito cão magro vivendo nos fundos de um restaurante de nouvelle cuisine vegetariana. Quanto tempo será que eu agüento dessa vez ? Suspiros, suspiros, suspiros...



Escrito por Cynthia às 14h13
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MR. AND MRS. CONGENIALITY

 Coleguinha  :           Aaaaaaai, que sala gelada essa sua, que horror !

Euzinha    :         Veste um casaco, oras.

Coleguinha  :          Ah, não tenho, na minha sala não precisa disso...

Euzinha      :         Então fica lá, né ?

 

*         *           *

 

Ele trabalhou poucos meses comigo, nunca conversamos muito, jamais fomos amigos. De vez em quando ele tentava conseguir ajuda pros seus trabalhos de faculdade, e quando eu tava à toa, até dava uma forcinha. Dia desses, depois de meeeeses sem nem um “oi”, ele aparece no meu MSN :

 

folgadinhodasilva.com diz:

olá

folgadinhodasilva.com diz:

Cynthia

folgadinhodasilva.com diz:

me dá um help..

Cynthia diz:

Oi. O que é ?

folgadinhodasilva.com diz:

tenho uma frase.. aprimorando seu talento.. queria algo parecido... mas sem essas palavras

folgadinhodasilva.com diz:

vc q é boa nisso

Cynthia diz:

   Ah, Folgadinho, tenho certeza de que você consegue perfeitamente substituir   

   duas palavrinhas sem atrapalhar seu trabalho... nem o meu.

 

Por alguma razão, ele não respondeu e sumiu de novo.



Escrito por Cynthia às 08h20
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MR. AND MRS. CONGENIALITY II - A GROSSURA CONTINUA

Ateu empedernido e cruel diz:

Só me faltava... eu ligo lá pra clínica pra falar com o meu médico,  aí o coleguinha carola aqui na minha frente ouve a conversa, arregala o olho e: "Cê vai em psiquiaaaatra...?" E eu: "Pois é, além de beber, fumar e falar palavrão, eu sou maluco daqueles de ter que usar focinheira, e ainda traço a bunda de religioso. Blaaaaa"

Cynthia diz:

 

 ... e ele, saiu de ré ?

 

Ateu empedernido e cruel diz:

 

    Claro. Carola prevenido é cu preservado.

Escrito por Cynthia às 08h18
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STONE COLD TURKEY

ou CRACK IS WACK

 

Coisa mais esquisita é a gente se ver dependente de alguma coisa. Tudo bem, eu sei, eu sou dependente de comida, mas já domei essa compulsão outras vezes e acho que consigo de novo antes de explodir feito a dona Redonda, de Saramandaia (só os quarentões vão se lembrar dessa...). Qualquer dependência que eu possa já ter tido de cigarro acabou há anos, e sem maiores sofrimentos. Ah, e é bem possível que eu seja também dependente do gatim, no sentido afetivo-psicológico-ontológico-caraideasalógico. Lógico. Mas até aí, tudo bem, acho que ele também é de mim e dizem que chumbo trocado não dói. A dependência de que eu tô falando agora é a da internet. É muito estranho ver que o trabalho que você sempre fez bem e tranqüilamente há mais de 20 anos agora não sai direito quando você fica uns minutos sem a diaba da rede. O problema, acho, é que nós colocamos todos os ovos numa cesta só. Dúvidas sobre qualquer coisa, da grafia correta do nome do produto à história do fundador da empresa, são eliminadas em poucos segundos, pelo Google. Incertezas gramaticais agora eu resolvo via gramaticaonline ou pelo MSN, perguntando ao meu gatim ou a uma amiga tão sabida quanto; para as ortográficas ou semânticas, tem o Houaiss ou o Michaelis, no UOL. Em inglês, francês, espanhol ou italiano ? Wordreference ! Pra satisfazer curiosidades variadas, wikipedia. Pra fazer letra de jingle, dicionário de rimas, que eu tenho impresso em casa, com dedicatória linda do meu pops, mas na agência uso, claro, a versão online. E pra piorar tudo, já que eu não consigo mais trabalhar sem essas coisas, não posso nem jogar bookworm, passear pelos blogs amigos ou bater papo pelo MSN pra fazer hora enquanto os moços mexem nos fios e cabos da internet na minha sala. Mas o que soma mesmo o insulto à injúria é a gente ficar tão preocupada com a demora que, sem perceber, acaba olhando de meio em meio minuto pro lugar onde o pessoal tá mexendo na fiação, como se isso fosse apressar a resolução do problema. E só o que consegue é ter, repetidas vezes, o choque de praticamente dar de cara com o cofrinho do técnico. Cruzes.



Escrito por Cynthia às 13h26
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PARENTI SERPENTI

Coisa chata de ter um sobrenome um pouco mais diferente é que as pessoas sempre acham que você pode ser parente de fulano ou sicrano, e, ao contrário do que fariam se seu nome fosse "Silva" ou "de Oliveira", sempre te perguntam. Coisa mais chata ainda é que quase sempre que alguém chega pra perguntar isso, o tal beltrano com quem eles acham que você é aparentado na verdade é mesmo. E 99 vezes em 100, o indigitado não só é seu parente como também é um daqueles de quem você mais tem preguiça, vergonha, nojinho ou raiva. Eu ainda tento disfarçar a coisa, diluir um pouco o parentesco, com um "é, ele é irmão do meu pai" ou "não tô lembrando... ah, não, tá certo, ele é marido de uma tia minha", ou pra tentar afastar ainda mais, destrincho até o matrimônio e a tia, com um "ele é casado com uma das irmãs da minha mãe". Mas não adianta. Palavras são só palavras, se o repolho se chamasse rosa ainda federia do mesmo jeito, e qualquer um percebe que, diga você do jeito que quiser, a verdade é que o salafrário sem preceito, o energúmeno microcéfalo filho de uma égua caolha com um charreteiro oligofrênico é seu tio mesmo. Se não for seu padrinho.



Escrito por Cynthia às 12h40
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SBLEARBIN' OUT*

A vantagem de blog é que a gente não precisa ter a menor coerência : eu, por exemplo, que uso meio demais um bocado de palavras ou até frases inteiras em outras línguas, principalmente o inglês, posso, sem nem ficar vermelha, reclamar do excesso de anglicização que às  vezes ataca nossa já suficientemente maltratada língua brasileira, também conhecida – um tanto incorretamente, acho eu – como portuguesa. Para além da minha cara-de-pau, uma coisa é certa : eu não sou nenhum idio... ops, nenhum Aldo Rebelo, não tenho o menor problema com uma certa interpenetração (ui) de idiomas, acho que palavras gringas, usadas como temperos, com parcimônia, até enriquecem a língua, dão sonoridades interessantes a algumas frases, provocam curiosidade em aprender mais. Os próprios americanos são useiros e vezeiros de pegar palavras ou frases do latim, do francês, do italiano, do espanhol e até do português e, apesar de deformá-las até o ponto da irreconhecibilidade com seu sotaque horroroso, têm a vantagem de usá-las com a grafia correta, sem vergonha e sem problemas, e, até onde eu sei, sem patrulhas, também.  Não acho bonito e nem que combine com o português brasileiro o jeito lusitano de traduzir até nomes próprios e palavras antiqüíssimas, chamando a rainha Elizabeth II e seu orelhudo filho de Isabel e Carlos e elétron e próton de electrão e prótão. Mas acredito que, como acontece com quase tudo na vida, a sabedoria está no caminho do meio. Uma coisa é você dizer “bye-bye” (apesar de os americanos estarem usando o “nosso”, roubado dos italianos, “ciao” com cada vez mais freqüência) ou citar uma frase de filme, um bordão de programa humorístico, um provérbio que vem de outro idioma e que funciona melhor nele. Outra é substituir uma palavra perfeitamente boa e corriqueira em português por uma outra, idiota ou inexistente, criada a partir do inglês. É nesses momentos que surgem maneirismos babacas como chamar lenda de “legenda” – ok, ok, o Houaiss admite a acepção, mas que soa estranha e metida a besta,  isso soa - , imprimir de “printar”, compreender de “realizar”, dizer que tal ator “entrega” uma interpretação assim ou assado, que o paciente, depois de uma longa enfermidade, “eventualmente” morreu, ou, como a ubíqua Pëitchen fez uma vez, dizer que as “mulheres estão ‘dying’ de câncer”, hohoho. Tem as palavras inventadas, que não existem em inglês, pelo menos não com o sentido que nós damos a elas, como “shopping center”, “outdoor” e seus tenebrosos filhotes “busdoor” – que ao contrário do que se poderia supor, não é a porta do ônibus – e “sidebus”, que inverte a ordem das coisas, igual ao infame pé-de-mause, conhecido nos países de língua inglesa como mousepad. Tem também as – lá vou eu, até porque não encontrei sinônimo em português    buzzwords, que já são imbecis na própria língua materna, e que em português ficam ainda mais tolas, pra não dizer escrotíssimas, tais como “empoderamento”  e “governância” (obrigada, Artur). Na ortografia, nem compensa se alongar muito ao falar das barbaridades como “jet-sky”, “ligth”, “making off”, “personal trainner”, da confusão entre “design” e “designer” e entre plural e genitivo (o famoso “compre aqui seus CD’s”) e tantas outras, já que a maioria das pessoas não sabe nem a grafia correta de palavras comuns na nossa própria língua (exemplo ? o que eu tenho visto de "touca" escrita como "toca" por aí não é bolinho). Quanto à pronúncia, é um beco sem saída : fica sempre ridícula, porque se for correta, parece afetada, e se não for, soa horrível, enchendo conversas e anúncios de coisas como “cedêrrum”, "Disneyuôrde" ou, pior ainda, de tentativas de pronunciar à inglesa palavras procedentes de qualquer outra língua. Eu mesma já vi comercial de perfume francês que chama o glamour (palavra que pode até vir do inglês etimologicamente, mas que pra todo mundo que nasceu no século XX, não tem como ser mais francesa) de “glêmur”.  O tetracampeão de F1 Alain Prost, coitado, assim que pisava no valoroso solo do Brasil, virava Allan Prost, com o prenome paroxítono e o sobrenome pronunciado com um R de deixar até piracicabano envergonhado. Já ouvi gente confiável falando de um locutor de rádio que pronunciava o latim “sine die” como “sáine dái”. Já tive um chefe que me falou pra criar o “mout” (era o mote) da campanha. E um cliente que inventou de chamar sua liquidação, que não era de garagem e nem muito menos, como poderiam pensar os franceses, numa garagem suja, de “garage sale”. Mas a pá de cal sobre a vergonha na cara foi o nome de um prêmio que ouvi dias atrás, nos intervalos da programação do canal Sony (drumrolls, please – hahahahahaha, incoerência, teu nome é o meu ) : Cool Awards. Criado por uma revista BRASILEIRA, que não é “masculina”, homossexual nem pornográfica, e sim “muderna” e cheia de "attitude", a – tcharammmm – Cool “Magazine”. Sinceramente, se a vontade de macaquear é tanta que já tão até esquecendo a mais legal das características brasileiras, que é a molecagem, a sacanagem, a esculhambação, não tem mais conserto. Esses caras têm mais é que ir tomar no cool mesmo. E periga ainda acharem woooonderfuuuul.

*"Sblearbing out", assim como "Flurling away" e "Stroosing up" é uma das frases que meu sacaneta preferido usa pra me irritar quando acha que eu tô abusando do meu direito de ser fresca e de usar anglicismos, galicismos e outras palhaçadas na minha fala - e escrita - diária. Well, froosh him. ;o)



Escrito por Cynthia às 17h14
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TÔ MISSY

Gente, o Google tá a cada dia mais multiuso. Agora tem até ferramenta praqueles dias em que a auto-estima da gente não está lá essas coisas. Não, ele ainda não faz fiu-fiu, não diz que a gente é linda, maravilhosa, inteligente e fuderosa. Ainda. Nem faz photoshop nas fotos sem que a gente precise pedir. Mas que dá uma massagenzinha boa, isso dá... e nem precisa passar rebolando na frente de obra, hahaha...  vão e divirtam-se !! 

 

 

Em tempo : peguei lá nas magníficas Megeras.

 



Escrito por Cynthia às 12h12
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EM VERDADE, EM VERDADE VOS DIGO...

A verdade deve ser um troço muito chato, cansativo, pesado e incômodo. Se não fosse assim, por que outra razão os seus donos e senhores viveriam, como vivem, tentando passá-la adiante, impingi-la a estranhos, enfiá-la goela abaixo de quem não está minimamente interessado nela ? Eis o mistério dos fé...daputa. 

Escrito por Cynthia às 07h20
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THE RAINMAKER

ou ORIXÁ, CHE !

 

Nosso amigo gaúcho, o grande blogueiro Milton Ribeiro, veio a Goiânia a trabalho e, claro, foi obrigado a nos encontrar - e a sair com a possivelmente única “drupa-de-dois” goiana de desafinados que não pronuncia os rr à moda do Zé Dirceu, não canta música sertaneja, não ganha rios de dinheiro e não tem corno (que eu saiba) em sua formação. Poucas horas depois de ele aterrissar na cidade, pegamos o vivente no hotel e fomos pro restaurante, e tome chuva. Milton ficou preocupado com aquela água toda, já que parecia estar enfeitiçado : nos últimos meses, aonde quer que ele fosse, um exagero meteorológico o seguia. Na Europa, qualquer aparição sua era imediatamente seguida de chuva ou neve, e sempre em proporções apocalípticas. Eu disse a ele que não se preocupasse, porque em Goiás só existem duas estações, a seca e as águas, e estávamos em plena água, (mesmo antes do gatim tomar seus 17 chopes e eu meus inúmeros guaranás). Foi uma noite muito gostosa, e apesar da irritante mania dos garçons daqui da terrinha de praticamente expulsar a clientela por volta da meia-noite, conversamos bastante, ficamos ainda mais fãs do Milton e, como se não bastasse, ganhamos de presente o livro “Intermitências da Morte”, do Saramago, que já comecei e estou adorando, apesar de implicar um pouco com o p’rtuguêish luz’tano do mestre e de apanhar um bocado de seus diálogos sem travessões nem aspas. Isso foi no domingo. Na segunda, lá pelo fim do dia, sem mais aquela, o céu desabou, choveu a cântaros, baldes, caminhões-pipa, choveu como se o mundo fosse se acabar, como se toda a água destinada aos 5 meses de chuva estivesse perto do prazo de validade e tivesse que ser usada naquele mesmo dia. Ruas e avenidas viraram rios. Calçadas sumiram. Praças se transformaram em espelhos d’água, com flores aquáticas colorindo a superfície feito vitórias-régias fashion. Motoqueiros levaram a sério seus apelidos de pé-no-saco e enfiaram os pés em saquinhos de supermercado para poder continuar atrapalhando o trânsito sem se molhar tanto. Milton, cansado demais – e eu suspeito que com um pouco de medo de causar uma enchente na cidade – ficou no hotel. Ontem, saímos de novo, e à medida que chegava a hora de ir buscar o Milton, as nuvens iam se organizando e a chuva começando, pronta pra durar a noite inteira. Mais uma noite muito agradável, apesar do restaurante “de comida típica” ter sido uma decepção. Talvez eu devesse ter superado a vergonha da minha casinha tão pequena e bagunçada e chamado o índio velho para jantar um – modéstia às favas, excelente - risoto de pequi com frango feito por moi-même... bom, mas isto é o de menos : o importante é que depois disso ficou bem claro que o Milton é, sim, uma espécie de mago, que não só escreve zilhões de vezes melhor que Sir Paul Rabbitt como também faz chover mais do que ele. Portanto, senhores Verbeatniks, saiam da piscina de água de coco, fiquem espertos, abram os olhinhos. Se Tiagón é rei, Gejfin é síndico, Renato K é pai e Olivia é ministra, Milton Ribeiro é nada menos que o Manda-Chuva, Júpiter, Zeus, Chaac, Indra, Nanã Burukê, Thor, Tlaloc, Tinia, Raiden, o Baal, Tupã encarnado. Cuidado com ele. (E por via das dúvidas, epahei, Iansã, minha mãe.)

 



Escrito por Cynthia às 07h36
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DECLARAÇÃO DE ÓDIO

ou ODEIO MUITO TUDO ISSO

 

Eu odeio, odeio, odeio, odeio, odeio muito mesmo, de verdade, do fundo mais profundo do meu negro e rancoroso coração, com todas as forças do meu mesquinho ser, com todas as minhas malvadas células, irascíveis moléculas e antipáticos átomos, com a eternidade da minha resmungona alma imortal, se é que eu tenho isso, eu assumo e declaro que odeio, odeio, odeio, odeio, odeio acordar cedo. Mas ainda tem uma coisa que eu odeio mais que acordar cedo : é acordar cedo durante essa @#$%¨$*#% de horário de verão.



Escrito por Cynthia às 06h38
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STARRING GATIM

Gatim sempre reclama que nos nossos diálogos bobos, ele só entra como escada para os meus punchlines. Eu não concordo. Portanto, para mostrar que isso é injustiça dele, aqui vão alguns diálogos bobos, todos estrelando o único, o grande, o perfeito e maravilhoso Gatim de Moraes – comigo de figurante num só, aparecendo de costas e sem direito a  nome nos créditos :

 

NO TRABALHO

 

Gatim                    :         Aí o tráfego pediu pra gente ficar até mais tarde hoje e

matar esse job, tudo bem ?

 

Colega evangélico    :         Ah, hoje eu não posso, porque tenho uma célula...

 

Gatim                     :        Cara, eu já vi muita desculpa esfarrapada pra não

trabalhar, mas  essa de ser um organismo unicelular é a primeira vez...

 

 

 

EM CASA

 

 

Gatim                    :         E onde é que tá o tal filme que o Prada fez ?

 

Eu                         :        Ah, é mesmo, vem cá que eu vou pôr no Milton pra você ver. Epa,

essa frase ficou esquisita, hem ? Fica parecendo que eu

tenho o que “pôr” nos outros...

 

Gatim                    :         Ah, é, e pra mim ficou lindo, né ? Nessa historinha, ou eu

sou corno, ou sou voyeur...

 

 

 

EM FAMÍLIA

 

 

Meu tio                  :         ...e aí ficou tudo resolvido, finalmente !

 

Gatim                    :         Mas a juíza não era amiga da outra parte ?

 

Meu tio                  :         Nah, isso era a antiga. Essa agora é braba, da nona vara...

 

Gatim                    :         Uau, dá-nó-na-vara ?!  Braba é pouco...

 



Escrito por Cynthia às 12h24
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MARIE ANTOINETTE TÁ PERDENDO A CABEÇA

Eu não sou de falar de política aqui, mas tem coisa que passa da conta, e além do mais, acho que isso nem chega a ser política, é mais uma questão de mau-gosto e deslumbramento misturados com falta de desconfiômetro, simancol, noção ou seja qual for o nome que estão dando hoje em dia pra velha e cansada vergonha na cara.  Olha que notícia mais linda : “O Palácio do Planalto abriu licitação para comprar uma faixa presidencial novinha em folha. Por R$ 38 mil. A faixa, em cetim verde-bandeira e amarelo-ouro, terá fios de ouro 18 quilates nas franjas e nos bordados. E revestimento à prova d’água.” Tirei daqui, ó. Só não sei se estou mais envergonhada pelas franjinhas de ouro ou mais curiosa sobre a necessidade do revestimento à prova d'água. Será que é pra não molhar caso o presidente encha a caveira de branquinha e caia nos laguinhos do Alvorada ? Tá tão louco pra garantir a reeleição que já se preparou pra coligar até com os patos ? Ou estará só se prevenindo pro caso de se abrirem de novo as comportas pra mais algum mar de lama ?



Escrito por Cynthia às 13h53
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CHEGA DE 15 MINUTOS

ou VAI À MERDA, ANDY WARHOL.

Se tem uma coisa que eu não entendo é blogueiro que quer popularidade, mil acessos por dia, 80 comentários na caixa, gente de todas as idades e tipos freqüentando, comentando, babando ovo ou chutando canela. Eu odeio isso. Não gosto de multidão nem na rua, quanto mais na minha casa. Eu adoro ter poucos leitores, adoro que esse número aumente às vezes, e bem devagar, de forma orgânica, com pessoas que passam, olham, se identificam e vão ficando, e de repente já são amigas, e a gente já nem se lembra bem quando começou a ler e a ser lido, só sabe que gosta delas e do que elas escrevem, que torce por elas, que quer o bem de cada uma. Das pouquíssimas vezes que meu blog tive uns picozinhos de "sucesso" - pausa para rir até ficar frouxa da idéia de blog diarinho não-remunerado e sucesso na mesma frase - , não gostei muito, não. Claro que tem exceções maravilhosas, como o Edu e o Lui Gu, tão queridos, a Kris, alguns amigos da Rê e um ou outro que eu nem sei, por ser supersilencioso, mas infelizmente, isto não é o normal. Normalmente, o que aparece nessas marés é ou spammer tentando pegar uma carona na nossa instantânea e felizmente fugaz notoriedade, que desaba sobre a gente ao ser citada em listas de blogs legais ou por blogueiros de milhares de acessos/dia, (como a Fal, o Sérgio Faria, a Meg, o Ina ou o Pedro Doria, por exemplo - que são maravilhosos, mas ou têm uma paciência de santo ou não têm caixa de comentários); é só o sitemeter dar uma subida íngreme e de repente, do nada, feito gremlins pulando de gizmos molhados, pipocam os desesperadinhos tentando aparecer pra gerar visitas ao próprio blog (o clássico legal-seu-blog-flow-agora-visita-o-meu-e-deixa-um-comentário-bjuxx-fulaninho@blogsta.com) ou, pior ainda, um bando de gente mal-educada, burra e apressada, que mal lê um post, entende tudo errado ou, mais freqüentemente, não entende nada, e já sai dando pitaco, se metendo a fazer meu mapa psicológico sem me conhecer ou cuspindo ofensinhas tolas, cheias de erros de português ou de raciocínio, falando merda, bancando o juizinho de quinta ou o crítico de jornal de bairro, como se suas opiniões me interessassem ou fosse bonito ser grosso. E aí eu fico muito, muito puta. Porque sim, apesar de o blog ser aberto ao público, eu não sou Geni, não. Eu não sou paga pra escrever e muito menos pra ouvir besteira, e besteira mal-escrita, que é o pior tipo que existe. Eu escrevo para poucos, muito poucos. Para aqueles que têm afinidades comigo, que pensam parecido, e mesmo quando pensam diferente ou até de modo oposto, têm educação e delicadeza suficientes para ou não dizer nada ou dizer com classe e comedimento. E eu retribuo da mesma forma. Por isso acho que se algum dia algum texto meu criar vida própria outra vez, como aconteceu há poucos meses com o da reforma ortográfica, eu vou deixar o bastardinho cair na vida, virar spam, ser atribuído à Clarice Li(n)spector – hohoho -, LFV, Danuza, a cada blogueiro que achar legal usar um ctrl+c / ctrl+v nele e publicar no próprio site, ou à puta que pariu a todos eles. Porque se o que o reconhecimento da autoria e o link subseqüente faz é trazer esse tipo de gente pra dentro da minha casa, feito gato que tenta agradar aos donos trazendo lagartixa morta ou pássaro estripado, eu tô fora.



Escrito por Cynthia às 07h49
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MEDO DE AGULHA

Quem acha que crochê é coisa para doces vovozinhas e pacatas donas-de-casa nunca ouviu falar em Frau Waller...

Que tal, Solange ?! Eu fiquei louca pra aprender crochê e tricô, como nunca antes... Ah, aqui tem mais.



Escrito por Cynthia às 12h45
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SOME THINGS NEVER CHANGE

Feliz sono novo !!



Escrito por Cynthia às 06h17
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