ÁGUA VIVA

Quando meus pais foram morar no Iraque, eu tinha dezesseis anos. Não fui junto porque (felizmente) tinha acabado de passar no vestibular, e sinceramente, não tinha a menor vontade de morar num país em que mulheres são consideradas como seres inferiores a cachorros – e é bom lembrar que muçulmanos odeiam cachorros – e, além disso, minhas irmãs também iam ficar no Brasil. Claro que fomos nos despedir no aeroporto, afinal seriam pelo menos 6 meses sem nos vermos. É claro que alguns tios foram também, e é claro que um agregado chato resolveu me patrulhar por não estar derramando lágrimas, soluçando ou fazendo qualquer outro tipo de showzinho de emoção para diversão da platéia. Fiquei muito puta, mas em vez de dizer que não tinha satisfação nenhuma a dar pra ele e instruí-lo sobre o local mais apropriado para introduzir suas idéias sobre o comportamento que eu deveria ter, só falei que eu não era peru pra morrer de véspera e que quando a saudade batesse eu talvez chorasse – e podia até ligar pra ele avisando, caso ele fizesse mesmo muita questão de ver. 

 

 

Quando eu abri o envelope do meu exame – que eu pensava ser de rotina – no elevador e vi as palavras “Oncológico positivo” tomei um susto, disse “Uau” e admito que contei pra minha mãe e, mais tarde, pro meu marido, sem o menor tato, assustando os dois mais do que devia e depois tendo que consolá-los. Mas só consegui sentir medo mesmo e chorar um pouco vários dias depois, já perto da cirurgia que levou embora meu recheio feminino quase todo e mais os gânglios linfáticos das pernas. Depois que parou de doer, acho que não chorei mais. E se chorei, esqueci completamente. Vai saber.

 

 

Quando o fdp do ladrão me abordou na porta da agência em que eu trabalhava, apontou uma arma pra mim e disse pra eu calar a boca e sair do carro, porque ele ia levá-lo, eu fiquei com tanto ódio do trabalho que ia dar pra ser ressarcida pelo seguro, do fato dele levar minha bolsa com todos os meus documentos, um canivete com aço de Toledo que eu havia ganho de um namoradinho havia mais de 20 anos, montes de bilhetinhos do gatim de desde a época do namoro, que nem senti medo, nem chorei, minhas mãos nem tremeram. Semanas depois, fiquei meio covarde pra sair sozinha, desconfiava de todo mundo na rua, não saía da agência depois das 6 sem alguém comigo. Mas isso também passou logo.

 

 

Anteontem, dia de Natal, fez um ano que o meu menino querido, meu “pupilo”, meu amigo, meu filhotinho de coração morreu num acidente estúpido, com a avançada idade de 23 anos. Lembrei dele o dia inteiro, e ainda que não lembrasse sozinha, no dia anterior, no posterior e no próprio, tudo conspirou pra essa lembrança : vi um carro capotado na rua, achei uma carta que ele havia me mandado quando eu me casei, encontrei revistas do Spawn pra todo lado em casa, passou Homem-Aranha na TV, ganhei o DVD do filme Billy Elliott da minha irmã. Mas essa lembrança não atrapalhou nem entristeceu meu natal, e não, não chorei. Na verdade, nessas 52 semanas desde que ele morreu, essa foi uma das poucas em que eu não derramei uma lágrima quando pensei nele. E eu pensei nele em todas.

 

 

Eu não sou durona. Eu não sou insensível. Eu às vezes choro com comercial vagabundo, filme mais ou menos, tirinhas do Calvin ou da Rose is Rose, música ouvida 800 vezes, posts em blogs de amigos ou de desconhecidos, um olhar do meu bem, um beijinho de lixa da Nina. Mas raramente consigo chorar quando se espera, quando se deve, quando “fica bem”. Talvez minhas emoções sejam retardadas, nos dois sentidos. Talvez seja um reflexo do meu gênio ruim. Talvez seja pura pirraça. Talvez seja porque alguma coisa em mim insiste em ser indomável, e as lágrimas sejam o último refúgio verdadeiro de liberdade total. Essa água aparece quando quer, ninguém a faz brotar, dela ninguém muda o curso, nela ninguém põe represa, ninguém jamais faz secar. Se eu tivesse um brasão, seu dístico seria este : Lacrimae libertas sunt.



Escrito por Cynthia às 09h06
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SAVE A WOLTZ FOR ME

Só existe uma coisa melhor que ganhar o presente perfeito : dar o presente perfeito. No caso do gatim, um cinéfilo assumido, macaco de auditório e devoto da Santíssima Trindade dos cineastas ítalo-americanos (Coppola, Scorsese e Tarantino) e tarado absoluto pelo Poderoso Chefão (ele sabe todas as cenas, todas as falas, parece um nerd mafioso, se é que isso existe), nem é difícil. Como eu já tinha dado os DVDs com toooodos os extras da trilogia, só me restou aproveitar uma idéia preexistente, de que fiquei sabendo pela Solange, mas que custava os olhos da cara - e mais aquele que ninguém vê – e, pior ainda, não entregava no Brasil. Normalmente não sou pirata de idéia alheia, mas não resisti, e além do mais a culpa é deles, oras. Quem manda achar que só porque a gente mora no 3o mundo não pode ser louco por cinema ? O fato de minha cunhadinha ser uma fera não só em arquitetura mas também em tudo que envolva criação e arte tornou tudo possível. O resultado foi um presente quase totalmente inútil, mas que ele amou de todo coração, a ponto de estrelar e dirigir uma fotonovelinha ridícula, que quem viu os filmes certamente vai reconhecer... Luz, câmera, ação :

 

Pra quem não assistiu : em primeiro lugar, você é uma besta, não sabe o que tá perdendo, dê um jeito de ver. Em segundo lugar, enquanto não vê : nesta cena, o produtor de Hollywood Jack Woltz, que havia recusado um papel para Johnny Fontane, protegido do Padrinho (e que as más línguas dizem ser uma mal-disfarçada referência a  Frank Sinatra), acorda com a cama ensangüentada e, ao afastar os lençóis de seda, encontra a cabeça cortada de seu cavalo premiado, que valia algo em torno de 600 mil dólares.  Scaaaareeey...



Escrito por Cynthia às 12h50
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HELLMANN'S SPACE TRAVELS, INC.

O que eu vou contar a vocês agora é fruto de muitas experiências antigas e observações minhas e de outros colegas de infortúnio e profissão. Já faz meses que isso não acontece comigo, o que me deixa muito feliz, apesar do perigo de acabar ficando mal-acostumada. Mas não creio que corra este risco, porque meu gatim está passando por tudo isso agora, pela milionésima vez em sua longa e sofrida carreira. Disclaimer feito, vamos nós :

 

Eu acho que isso pode até ser um dos segredos mais bem-guardados do mundo, mas na verdade, as viagens intergaláticas, assim como as viagens no tempo, já existem há décadas. É a única explicação possível para um conhecido fenômeno no mundo das agências de propaganda : a SCV, Síndrome do Cliente Viajante. Ou, com variação quase imperceptível, a do chefe-patrão viajandão. Explicando : ela acontece quando tá tudo perfeitamente sob controle, os prazos tranqüilos e mais do que suficientes para os jobs, nenhum motivo para histeria, choro nem ranger de dentes... e de repente resolvem que você tem que fazer uma supercampanha completa, com todas as peças de mídia e não-mídia possíveis e imagináveis, mais uma apresentação, um texto engraçadinho, criativo, cativante, impactante “mas bem curtinho, porque ninguém gosta de ler” valorizando a agência... tudo isso pra dali a três dias (normalmente isso acontece na sexta), porque “o cliente vai viajar” ou “o chefe vai viajar” e, claro, quer ver tudo antes de sair, porque mesmo que a coisa só vá ser tocada uma semana ou um mês – ou nunca – depois de ele ter voltado, ele quer ver tudo agora. Ou seja, ele só pode estar indo de férias pra Nuvem de Magalhães, pra Galáxia de Andrômeda ou algum outro lugar mais longe ainda, aonde não cheguem sinais de celular, e-mail, nem mesmo fax ou rádio, ou então pro ano de 1812, quando estas coisas ainda não tinham sido inventadas, sequer sonhadas. Você poderia argumentar que eu é que sou implicante, e que a SCV faz sentido, porque provavelmente estes clientes e/ou chefes só não querem ser interrompidos em suas férias, querem descansar totalmente, sem preocupações. Sei. Isso até poderia colar, não fossem dois fatos simples :

 

1)    Eles não respeitam as férias, fins de semana, feriados nem emergências familiares de nenhum de nós (pra não falar em hora-extra), exigem o número da casa e do celular de todos os empregados e não têm a menor vergonha de ligar a qualquer hora do dia ou da noite pra que a gente “crie” uma campanha urgente e “inesperada”, de aniversário, por exemplo, cujo título obrigatoriamente tem que ser “O aniversário é nosso mas o presente é seu”. Uma vez que a escravidão já foi abolida há um tempinho, pelo menos nas grandes cidades, não seria muito lógico pessoas que tratam assim os seus semelhantes esperarem que as férias, fins de semana, feriados ou emergências deles sejam 100% sagrados (mas é claro que eles pensariam isso sim, portanto o mais importante é o item nº 2, ou seja :)

 

2)    Eles ligam, passam e-mail, fax, mandam pombos-correio e recados esganiçados de cinco em cinco minutos pelos motivos mais desimportantes, mesmo quando estão de férias, provavelmente debaixo de um guarda-sol, com ombros descascando, pasta d’água na cara e o laptop sobre os joelhos, tentando impressionar as moças bonitas que passam - num doce balanço, a caminho do mar - com sua suposta importância e workaholism inútil. E pior que as ingratas das moças só olham pros surfistas, tsc.

 

Portanto, creio ter provado, além de qualquer dúvida, que por mais que o governo desminta, que os patrões neguem, que os clientes nos chamem de doidos, existem, sim, e só a eles são franqueadas, as viagens no tempo e no espaço sideral. Nós, os pobrecitos, os badecos, os orelha-seca, a ralé, a senzala, o chão da fábrica, a jaula dos macacos, só podemos ir pra Caldas Novas (“Mas deixa o número do fax do hotel”), pra fazenda do tio-avô da irmã do namorado da prima (“Mas deixa o celular ligado”) ou, com muito mais assiduidade, para a puta que nos pariu (“Mas deixa um telefone”). De ônibus. E tenho dito.



Escrito por Cynthia às 14h22
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É MAIS FORTE QUE EU

Eu não quero falar mal da menina. Ela é gente boa, divertida, bem-humorada e razoavelmente competente. Então vou falar do ensino brasileiro. Porque afinal, não seria de se esperar que alguém que já se formou em COMUNICAÇÃO, pelamordi, e está terminando seu “embiêi” pelo menos soubesse que "homogeneizado" se escreve com H, sim, e que tem um E ali pelo meio ? Ou que pensasse um pouco antes de pedir ao garçom do restaurante italiano pra trazer "dois pennes" (fale alto que cê entende), al limone ou sei lá com que molho ? Claro que depois não dá nem pra ficar grilada se todo mundo perguntar o que ela vai fazer com dois pennes e nem uma bruschetta, ou sugerir um vinho pra acompanhar. Periquita, claro.



Escrito por Cynthia às 11h36
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TU ÉS BARULHENTO, TU ÉS CHATO

A todos os São Paulinos que assistiram ao jogo pela TV e comemoraram, pularam e gritaram no sacrossanto refúgio dos seus lares ou em bares, botecos e no meio do mato, meus mais sinceros parabéns. Foi maravilhoso, foi lindo, vocês mereceram e têm todo o direito de estar felizes da vida. A todos os outros São Paulinos, que acharam mais legal estourar dúzias de foguetes, berrar, se esgoelar, buzinar e cantar desafinadamente, aos gritos, debaixo da minha janela às 10 da madrugada de domingo, eu só tenho uma coisa a dizer :

VÃO PRA PUTA QUE OS PARIU, CAZZO !!

 



Escrito por Cynthia às 06h59
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DE PROFUNDIS

 

Tem algo que eu preciso dividir com vocês, porque é demais pra mim. Estou em plena crise profissional.  Ofuscada, obnubilada, estarrecida. É que aqui perto da agência tem um outdoor de uma confecção de lingerie. A foto é boa, a modelo, pedaçuda como deve ser modelo de moda íntima, com aquela carinha levemente piranhosa que também cai bem para este tipo de produto, a calcinha e o sutiã são até bonitos - apesar do tom de rosa casinha-de-vila que não me agrada, mas também eu não devo ser levada em consideração neste aspecto, eu sou uma chata e odeio cor-de-rosa - , a iluminação é legal, a maquiagem bem-feita, enfim, eu até perdoaria o chapéu (sim, pessoas, a moça tá de calcinha, sutiã... e chapéu ! Não sei se tem botas de cowboy também, o outdoor não é tão grande assim) e a absoluta falta de criatividade, porque, sinceramente, será que não rola nunca mais alguém fazer outro tipo de outdoor de griffe que não seja com uma tipa deitada e :

 

a)    olhando “sensualmente” pra câmera

b)    fazendo cara de quem despreza o mundo e pretende vomitar sobre ele em cinco segundos, quatro, três, dois...

c)     com cara de dopada, olhando pro além ?

 

Mas enfim, dizia eu, eu até perdoaria tudo isso, se não fosse o título que acompanha esse clichê de chapéu. O que não dá pra esquecer é essa chamada brilhante, a sacada genial, incomparável, mesmerizante. Aquela que faz com que eu queira largar tudo, profissão, família, marido, gata, e ir ser lavadora de defunto numa funerária do Queens ou puta e pobre lá em Kwala Lumpur, pra nunca mais ter que ouvir português na minha vida.  As palavras que queimam minhas retinas, meu cérebro, minha suposta alma imortal : “LEMBRE DELA. VISTA ELA. E FIQUE BELA.”  E nem é isso o que mais me apavora. É que até hoje, toda vez que eu achei que a propaganda por aqui já tinha chegado ao fundo do poço, um novo alçapão se abria e ela caía mais um pouco, ou seja, ainda dá pra piorar. Muito. Preciso tirar um passaporte novo, rápido.

 



Escrito por Cynthia às 09h15
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GOTAS DE HEBEFRENIA

Tem um job chatíssimo aqui relativo a uma feira de arte. Minha modestíssima vingança ? Salvá-lo num arquivo com o nome FArt.

 

 

Se o seu marido for adorável e inteligente, mas também um palhação incorrigível, nunca peça a ele, distraída, “Amore, abre uma lata de tomate pelado pra mim ?”

 

 

Cinco minutos no trânsito de Goiânia e você já incorpora um analista de Bagé com cargo comissionado no SMT, e sai disparando frases do tipo : “Mais autoconfiante que um carro 1.0 querendo ultrapassar um caminhão na descida”, “Mais presunçoso que um fusca azul-calcinha buzinando prum Audi preto”, “Mais arriscado que atravessar a Av. 85 de salto plataforma às 6 da tarde”, por exemplo. O pior são as frases que você começa a dizer para os outros motoristas, enquanto dirige. “Vai colar no rabo da tua avó, que já é acostumada” e “Mas tu é mais folgado que a xoxana da tua mãe, né, animal ?”  são apenas algumas que me ocorrem no momento. Mas tem mais.

 

 

Tem coisa melhor do que ser chamada de “Minha musa” por um menino lindo, com a cara do Gianechinni, 20 anos mais novo - e gay ? E ele dizer pra sua irmã que “se ele fosse hetero...” ? Tá, até tem, mas é ótimo. Tô tão tão tão que acho que vou começar a escrever auto-estima com L...  fica meio anarfa (ou anaufa ?), sí, pero chiquetésima.

 

 

Se você e o marido têm ataques de riso incontroláveis e à toa, jamais pergunte a ele “Você está louco de raiva ?” ou “Você chegou há pouco de fora ?” dentro do elevador, segundos antes de alguém entrar.

 

 

Tudo bem o pessoal que faz os documentários de vida animal da Discovery colocar nomes nos bichos que eles estão acompanhando e filmando. Mas peraí, Sayanne ?! Assim os tigrinhos já vão crescer complexados, achando que são filhos da puta...

 

 

O bom de ser alienada é esse tipo de surpresa : não sei se estavam comemorando algum título esportivo, vitória política ou se estão “treinando” para o Réveillon, mas dias atrás, quando eu ia pra casa à noite, cansada, com pés doloridos e de mau-humor, um inesperado show de fogos de artifício me deixou imediatamente feliz, encantada, com cinco anos de idade. Como se estivessem fazendo aquilo só pra mim.

 

 

É muito bom ser a melhor amiga do seu amor, a não ser quando você tem que esconder algo dele. De ontem pra hoje eu já quase contei pro próprio do presente-surpresa que ele vai ganhar de natal umas cinco vezes. Opa, seis.

 

 

Tem gente que diz que “se cunhado fosse bom, não começava com cu”. Bom, ou a Dona Naty criou os filhos dela todos muito bem ou eu sou homem, gay, ativo e não sabia.

 

 

Peraí, recapitulando : eu gosto da sogra e dos cunhados, acho o marido o máximo, ando me divertindo no trabalho, shows pirotécnicos surgem do nada pra me fazer feliz... ai, jizuis, será que eu morri – e o mais incrível ainda, fui pro céu ? Hm, deixa eu ir pro trânsito de novo que isso passa.



Escrito por Cynthia às 15h09
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A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA

Já contei pra vocês da vez em que eu estava num sebo e me lembrei de perguntar se eles tinham “Os frutos dourados do sol”, do Ray Bradbury (it’s only Sci-Fi, but I like it, yes I do), e o vendedor disse que não tinha esse, mas se não serviria “O fruto dourado do pequi” ? E da vez em que entrei numa loja de CDs procurando por um do Marilyn Manson e o vendedor me trouxe um do Barry Manilow ? E de uma menina que deu um CD de músicas de natal, com harpa e tudo, para nosso amigo Bob, que havia pedido “um bom disco de Noel” de amigo secreto – e o vendedor da loja disse pra ela que “só podia ser aquele”* ? Pois ontem fui perguntar numa grande livraria da cidade se eles tinham a Ilíada da mesma coleção de uma Odisséia que a gente já estava levando, e a moça - muito gentil, por sinal – perguntou “Como é que chama ? Ailia ?” e mesmo depois de esclarecida sobre o nome, ainda tinha uma pequena dúvida : “É de quem ?”. O que consola é que pelo menos os CDs de Elis Regina e similares saem por 10 ou 15 reais, enquanto os de breganeja batem na casa dos 30 ou 40 fácil, fácil. E o que dá esperança é que os livros de auto-ajuda estavam todos na estante número 171. Tá bom, pode até ser coincidência, mas se um único organizador de estantes de livraria ainda for capaz dessa ironia, nem tudo está perdido...

 

*Na época, ficamos tão condoídos que compramos o songbook do Noel Rosa pro Bob (liais, rrrrecomeindo).



Escrito por Cynthia às 15h03
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WHAT NEXT ?

Primeiro veio a Daslou. Depois, a muito mais simpática e acessível Daspu. Hoje já vi uma leitora do Megeras sugerindo a Dasmoo. Acho que antes que a Tati Quebra-Barraco acorde pro nicho de mercado ou a Toni Bentley resolva se estabelecer aqui na terrinha, vou tentar levantar um troco mudando meu nome pra Cupertina, arrumando uma sócia chamada Cunegundes e fundando a Dasku. Mas calma, gente, é só a marca do lojão. (Mesmo !!!)



Escrito por Cynthia às 13h40
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STREAM OF UNCONSCIOUSNESS

Tô na fase de perfuminhos, sabonetes, hidratantes e xampus. Pacotinhos da Lush chegando pelo correio me fazem feliz. Sacolinhas da Natura sendo trazidas pela Regina aqui na agência também. Perfumarias idem ibidem. Mas ou eu aprendo a encontrar outras formas de felicidade consumista ou vou ter que começar a tomar uns dezoito banhos por dia.

 

 

Engraçado demais observar a percepção que outras pessoas têm da gente. A menina que faz a direção de arte  - e fica na sala comigo – tava ouvindo som sem fones de ouvido quando cheguei hoje de manhã. Ela é um docinho, educadíssima, e me perguntou se eu me incomodava com o som, eu disse que não e ela continuou ouvindo. Até começar uma música cuja letra dizia algo como “the neighbors complain of the noise above / but she only comes when she’s on top”. Ela ficou meio sem gracinha e imediatamente botou os fones, provavelmente achando que uma senhoura de idade como eu deve ficar escandalizada ao ouvir essas coisas. Hohoho...

 

 

O estranho de ir ficando velha é que a gente vai vendo as coisas se repetirem tão descaradamente que acaba pagando de chata. Uns dois anos atrás, uma amiga mais nova – e quase todas são – me mandou uma música do Flaming Lips e eu na hora estranhei o fato de uns 80% da melodia dela serem rigorosamente iguais a “Father and Son”, do Cat Stevens, aquele que virou Mohamed. Hoje, a música que a menina da arte ouvia, apesar da letrinha safadinha, tinha a melodia idêntica à de La Bamba. Ou, pra quem preferir, de Twist and Shout. Será que já se acabaram todas as combinações possíveis entre as notas musicais ou a meninada "compositora" esperrrta tá enfiando os bracinhos até o cotovelo no baú do papai e achando que engana ?

 

 

Por outro lado, tem sessão Vale a Pena Ouvir de Novo também : imaginem Billie Holiday cantando uma versão de “Olhos nos olhos”, do Chico Buarque. É a sensação que me dá “No more”, com a maravilhosa Madeleine Peyroux (ouvi falar dela pela primeira vez no blog do Pecus, ouvi na rádio UOL, adorei e comprei).  E tem muito mais coisa legal nesse CD, Careless Love. Altamente emepetrêsvel.

 

 

“Responsabilidade Social” é você estar absolutamente à toa, com os patrões viajando, os clientes hibernando, três supermercados novos na cidade, um monte de lojas novas nos shoppings, uma lista de presentes de Natal intocada nas mãos e você não ir às compras às 4 e meia da tarde porque, sei lá, sair assim no horário de trabalho não fica bem. Melda.

 

 

"Sucesso na internet" é seu marido receber um texto seu por e-mail, você colocar no google palavras-chave desse texto, que você criou e postou  há uns 4 meses e o dito-cujo aparecer - algumas vezes com uma intro diferente, outras citado como sendo de autor desconhecido, muitas como se o próprio dono do blog tivesse criado aquilo - numa porção de páginas... e nenhuma delas ser a sua.

 

 

O ruim de não ter filhos é quando você combina com a família inteira que só se vai dar presente de Natal pros pais e pras crianças. E  todo mundo, exceto você, tem filhos, ou seja, você dá uns quinze presentes e ganha um. Do seu marido. E aí fica carentinha e compra mais uns catorze pra você mesma...


Escrito por Cynthia às 14h20
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ESCATOLOGIA PODE ?

O MINISTÉRIO DA SAÚDE (E DO MEIO AMBIENTE) ADVERTEM :

CHILI CON CARNE FAZ MAL... À CAMADA DE OZÔNIO.



Escrito por Cynthia às 08h36
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PDAEP MAIS UMA VEZ

ou QUESTÕES DE ALTA INDAGAÇÃOÓ PARTE I

 

 

1)    Por que será que toda vez que alguém precisa trabalhar na fiação, no telefone ou em algum outro aspecto mais hardware da sala enquanto eu estou trabalhando no meu computador espremido no cantinho, o elemento – que indefectivelmente invade minha bolha e fica fisicamente mais perto de mim do que a maioria das pessoas, incluindo os meus amigos mais queridos – parece estar usando um desodorante com o aroma pizza - mezzo portuguesa caprichada na cebola, mezzo Gorgonzola ?

 

2)    Já que a moça da limpeza fica na agência o dia inteiro, por que será que ela não arruma as salas, passa pano molhado no corredor de cerâmica branca escorregadia e limpa as mesas e monitores no horário do almoço, quando não tem ninguém trabalhando ?

 

3)    Por que é que vagas como as de telefonista, caixa de supermercado, balconista, doméstica, office-boy e outras que exigem bem pouca qualificação acabam sendo inevitavelmente preenchidas por pessoas que não são qualificadas nem pra isso ?

 

4)    Por que é que tanta gente com profissões que supostamente exigem maior qualificação, pra não dizer bom gosto, educação e classe, também não tem nenhuma dessas qualidades ?

 

5)    Por que é que justamente aquelas pessoas que obviamente mal têm coordenação motora pra dirigir com atenção total e as quatro patinhas livres são as que mais gostam de falar ao telefone, fumar, cutucar o nariz, mexer alucinadamente no rádio e praticar outras atividades que monopolizam uma das mãos enquanto conduzem seus automóveis ? E por que será que com tanta freqüência elas estão no carro ao meu lado ou à minha frente ?

 

                   Peraí que tem mais. Esta era a Parte I, lembra ?



Escrito por Cynthia às 14h58
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PDAEP DE NOVO

QUESTÕES DE ALTA INDAGAÇÃOÓ PARTE II

 

 

6)    Por que é que quanto mais modernas e liberadas as mulheres ficam, mais elas acabam sendo usadas, abusadas e feitas de palhaças por homens mais tecnologicamente desenvolvidos, bem-vestidos e com maior desenvoltura verbal do que os primeiros primatas bípedes, mas de resto tão primitivos quanto ?

 

7)    Por que é que de repente passou a ser considerado sexy, legal, estiloso ou sei lá eu que caralho não ter um pingo de respeito ou educação por quem quer que seja, incluindo velhos, crianças, deficientes e grávidas ?

 

 

8)    Por que é que gente com acesso ao computador e que supostamente tem capacidade mental suficiente pra se conectar à internet e entender o que é um mecanismo de busca ainda trata o Google como se fosse um gênio da lâmpada de piada, e escreve coisas como “eu quero receitas de...” – ou “eu preciso do resumo do...” ?

 

9)     Por que é que quando a pilha de jobs tá enorme e eu não tenho tempo nem pra me coçar eu fico cheia de idéias pra posts, e quando não tem porra nenhuma pra fazer não me ocorre absolutamente nada, e eu me sinto compelida a fazer listinhas como esta ?

 

10)     E finalmente, a questão mais importante : por que diabos é que não existe Fanta Uva Diet em Goiânia ?!

 

 

ÓCopyright Mlle. Seslaf



Escrito por Cynthia às 14h56
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PHALTA DE ASSUNTO É PHODA

Já pensou se esse tal "transplante de rosto" que fizeram lá na Inglaterra França dá certo ? Vai ser estranho. Se eu bem conheço a raça humana, com o sucesso virá a banalização, e assim que nem o botox ou as plásticas  fizerem mais efeito nas peruas, socialites e pessoas do show biz ou da Caras, elas provavelmente vão começar a apelar pra arrancar a cara inteira de pessoas mais jovens com morte cerebral. Depois de mais um tempo, já vão pular a fase do botox e do lifting, e pegar logo uma cara nova inteira, de preferência já com o nariz mais delicado e os lábios mais róseos, a cada vez que acharem que estão perdendo a carinha dos seus 15 anos. Em seguida, claro, vão esquecer essa frescura de esperar que os jovens lindos morram e começar a encomendar as mortes a outros jovens - pobres e feios, bien sûr - , com muito cuidado pra não estragar o couro ou os músculos da babyface pretendida. Nem me preocupo por mim ou por meu gatim : dessa nós, os coroas não-lindos, estamos a salvo, mas tem muita gente que vai ter que começar a andar de véu ou máscara de Jason na rua, pra não despertar a cobiça dos abutres ricos... e já pensou se depois conseguem inovar e ser bem-sucedidos em transplantes de pele, escalpo, músculos, e até, sei lá, de pinto ? Epa. Pensando bem, ninguém mais estará a salvo no mundo... e quem estiver, sinceramente, não terá mesmo muita razão pra viver...



Escrito por Cynthia às 13h33
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