Olá, meu nome é Cynthia e eu sofro de NTAP. A síndrome, cujo nome completo é Natural Tendência à Palhaçada, me ataca desde a mais tenra idade, mas piorou bastante depois dos 30 e mais ainda depois do casamento, já que meu marido sofre do mesmo mal. A NTAP evita que os portadores consigam levar muita coisa a sério, o que é um problema para quem é, por exemplo, publicitária, e às vezes precisa fazer textos e títulos melosos para o dia das mães, dos namorados, natal e - oh, a suprema humilhação – cartões de aniversário para os clientes. Claro que os portadores de NTPA sentem tristeza, dor e raiva como qualquer outro ser humano, mas em cerca de 80% das vezes, até com isso eles fazem piada. O pior é que a NTAP não faz necessariamente com que seu portador seja engraçado, mas sim que ache graça emquase tudo, ou tente fazer graça com qualquer coisa, inclusive com os próprios infortúnios, o que, na maioria das vezes, só faz com que ele seja considerado pela sociedade em geral como um pobre bobo alegre ou um rematado irresponsável. É por isso que no meu blog eu só escrevo sobre minha própria vida, sem incursões à literatura, ficção ou poesia. Não é falta de vontade. É de capacidade.
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Se eu fosse escrever uma história densa, dramática, cheia de problemas e lágrimas, a minha NTAP apareceria logo nas primeiras linhas. Para tentar manter a síndrome sob controle, eu poderia apelar, digamos, para o estilo. Inventaria um romance russo passado no século XIX, por exemplo. Mas se eu bem me conheço, a síndrome apelaria para piadinhas bilíngües com os nomes das personagens, e já ia começar chamando a heroína de Condessa Hangova, née Eristoff, uma bela viúva que estaria, no momento em que a encontramos, chorando em seu lar, o Chateau Neufdupape, destruída por um tumultuado affair, de final trágico, com um bonitão que se dizia Marquês de Orloff, mas não passava de um mujique chamado Popov, que a havia abandonado e deixado seca, com remorsos profundos e terríveis dores de cabeça.
A bela (apesar das olheiras, ou justamente por causa delas) jovem seria disputada pelo impetuoso Coronel Engov e o indolente Duque de Sleepitoff, que lhe proporiam amor verdadeiro, casamento honroso e diferentes formas de resolver suas atribulações. Mas o que finalmente acabaria por curar Hangova seria a inesperada chegada de sua nobilíssima prima Stolichnaya, acompanhada de um namorado inglês, Tom A. Tojoose, e a estranha relação à trois que se estabeleceria entre os três - e mais um aparentemente inocente talo de salsão.
Como eu posso ser palhaça, mas adoro um happy ending, depois desse pequeno twist (of lime, ça va sans dire) na história, Hangova descobre seus talentos de contorcionista e sua pantagruélica sede por uma vida livre, renega a nobreza, se junta a uma troupe de artistas mambembes e adota o nome artístico de Absolut Peppar, deixando na mão tanto Sleepitoff quanto Engov, e vivendo feliz para sempre com seu novo marido, um escocês andarilho a quem ela só chama de Black Johnnie, o amante americano, o rústico - porém apetitoso - Sour Mash Jack e, a cada vez que cai em tentação com algum impostor de baixa extração, se refazendo após hoooras fechada com a prima Stoli e seu agora marido Tom (e claro, com o talo de salsão).
Black Johnnie não se importa com os pequenos deslizes de Peppar, porque também tem um fraco pela vulgaridade em dose dupla e já caiu em tentação algumas vezes, com as bailarinas gêmeas brasileiras que atendem pelos exóticos nomes de Coco Nusswasser e Guaraná Champagne e com os trigêmeos acrobatas de origem tailandesa conhecidos como The Rocks.
Mas sim, Peppar e Johnnie são felizes, apesar de ninguém saber com certeza quem são os pais de seus lindos filhos, que Hangova/Absolut Peppar, em seus arroubos românticos, batizou todos com nomes italianos. Pistacchio é o mais velho, Pastrami o do meio e Noccioline a caçulinha, que herdou a beleza da mãe e já sabe fazer o 4 montada num cavalo branco enquanto ele trota de lado e cambaleia no picadeiro. Noccioline, dizem, é bastante precoce para seus tenros 13 aninhos e já foi vista piscando languidamente para Angélico, o peripatético padre siciliano adotado pela troupe depois de ter sido roubado e surrado pela famigerada dupla de bandoleiros Baikal, o mau e Kovak, o Fétido. Fra Angélico parece ser um homem sério, mas nenhum dos artistas se arrisca a pôr a mão no fogo por ele. Sabe como é essa gente de show biz, né ?
Eu não me lembro, mas sabem, eu vi o homem pisar na lua.
Eu vi hippies de verdade, não de boutique.
Eu vi o Brasil ser tricampeão com Carlos Alberto, Pelé, Tostão e Garrincha.
Eu vi a separação dos Beatles.
Eu vi o fim da guerra do Vietnam.
Eu vi a 1a vez em que as transmissões de TV no Brasil foram em cores.
Eu vi os primeiros walkmen.
Eu vi o fim da ditadura.
Eu vi as máquinas de escrever mecânicas serem trocadas por elétricas.
Eu vi os primeiros PCs, de tela preta e letras verdes.
Eu vi layouts de anúncios feitos à mão.
Eu revisei anúncios em letra-set.
Eu vi a queda do Mike Tyson (quando ele ainda era imbatível).
Eu vi a queda do muro de Berlim.
Eu vi o surgimento da internet.
Eu vi os primeiros CDs.
Eu vi os primeiros fornos de microondas chegarem ao país.
Eu vi as primeiras eleições diretas depois de tantos anos.
Eu vi a decepção que elas foram.
Eu vi Chernobyl e o acidente com o Césio (este beeem de perto)
Eu vi a abertura dos portos do Collor às nações amigas
e o rombo que ele fez nos cofres da nação pra colocar cascatas em seu jardim.
Eu vi PC Farias ser morto numa história muito mal contada e que foi explicada como “crime passional” cometido por uma amante com idade para ser filha dele.
Eu vi a guerra fria acabar.
Eu vi aviões de carreira entrando nas torres gêmeas do WTC no meio da manhã.
Eu vi meu nome num envelope de laboratório junto com a frase “oncologia positiva”.
Eu vi a erupção do vulcão Santa Helena, terremotos no Japão, no Irã, no México, e algo me diz que ainda verei o Big One de San Francisco.
Eu vi o tsunami.
Eu vi três papas morrerem, e por um deles eu realmente senti muito.
Eu vi um operário virar presidente.
Eu estou vendo que decepção ele tem sido.
Eu vi o PT fazer alianças com os mais asquerosos fisiologistas do país e ainda posar de vestal.
Eu vi um idiota ser eleito duas vezes presidente do mundo, vi as merdas que ele fez etenho medo do que ele ainda vai fazer.
Eu vi o fim de Friends, de Sex and the City, vi Homem Aranha 2 e ainda vou ver Batman Begins (dizem que é ótimo) esta semana.
Eu vi muita coisa que você não viu, porque não tinha nascido, porque era hora de dormir ou porque já tinha passado da hora, e muitas delas mudaram a História, não só a minha, mas aquela grandona, com maiúscula, da humanidade inteira.
Muitas me fizeram rir, muitas me fizeram chorar, algumas me fizeram ficar feliz por ter vivido até aqui, outras me fizeram pensar que talvez eu já tenha vivido demais.
Mas nada me deixa mais triste do que aquelas que eu não vou ver.
Eu não vou ver você buscando um prêmio, de gravata e tênis, e com o mesmo boné de sempre, virado pra trás.
Eu não vou ver você dizendo que conseguiu parar de fumar.
Eu não vou ver cabelinhos brancos nas suas têmporas, me lembrando de como eu tô velha.
Eu não vou ver sua cara feliz e orgulhosa me apresentando uma menina, me contando que sim, é ela, me apresentando seu filho, e quem sabe até seu neto.
Eu me contentaria em não ver nada disso, se soubesse que um dia ainda ia vê-lo na rua e poder dizer, rabugenta, que você é um ingrato e nunca mais me mandou nem um e-mail.
Eu ainda te vejo na rua.
Eu te vi na rua domingo, mas é claro que não era você.
Eu sonhei com você outro dia.
Faz mais de dois anos que eu não te via.
Faz pouco menos de um ano que você me escreveu.
Sábado fez seis meses que você morreu.
Eu ainda te vejo na rua, Daniel, mas quando o carro passa, a carinha debaixo do boné virado nunca é a sua. Nunca é você.
Eu sei que não vou te ver nunca mais, mas sei que nunca vou parar de te ver.
Juntando os meus e os do gatim, são quase cinqüenta quilos a serem perdidos. Cinqüenta quilos são praticamente uma pessoa inteirinha, daquelas bem magrelas. Tomara que funcione. Além de ser bom pra nossa saúde, auto-estima e finanças - minhas roupas mais legais são as de quando eu era magra - , o gatim ainda vai poder abusar da licença poética e contar pros outros "daquela ocasião em que dispensou uma top model..."
Larga dessa bobagem de ser mulher honesta até em sonhos, dona Cynthia. Da próxima vez que for dormir e tiver a sorte de sonhar com o Benicio Del Toro, pára de ser besta, não banca a lady proper e vê se se comporta no mínimo como uma Scarlett Johansson. No máximo, como uma... Del Baca. Hohoho.
P.S. - Atenção, gatim. Se você sonhar com A Jennifer Connelly, tenha o bom gosto de me retribuir a gentileza, se comportar como um mordomo inglês (guardado na geladeira e morto há três dias) e acordar sequinho. Ou não me conte nada.
ou DO EMBARAÇOSO, TRISTE, TRÁGICO EIMINENTE DESASTRE CAUSADO PELO GATIM TONITRUANTE E DE COMO ELE FOI EVITADO NA ÚLTIMA HORA POR FORÇAS ALÉM DE NOSSA COMPREENSÃO
Como eu sempre digo quando estou particularmente feliz, às vezes dá uma vontadezinha de acreditar em poderes superiores, nem que seja só pra agradecer pelas coisas boas que temos. Mas às vezes bênçãos bem menores e mais prosaicas dão ainda mais vontade de cair de joelhos e agradecer a Deus, ao Olimpo ou a algum outro panteão ainda maior e mais complexo inteirinho, enquanto se bate no peito gritando “Eu não sou digno”. Explico-me : já falei aqui que um dos – pouquíssimos - defeitos do gatim é falar alto demais, sempre, mesmo que estejamos só nós dois, dentro do carro, num canto deserto da cidade e às 3 da manhã. Agora calculem os decibéis que ele alcança quando estamos em lugares cheios de gente que também não prima pelo controle do volume da própria voz. Estabelecido o cenário, imaginem nós dois jogando sinuca na sexta-feira, depois do trabalho, ele de um dos lados da mesa e eu do outro, gente berrando e rindo pra todo lado, barulho de copos, de tacos, de bolas de marfim batendo umas nas outras, e ele resolvendo me contar que tinha pensado em provocar nosso web buddy Leonardo, a quem só chamamos pelo sobrenome (são muitos amigos chamados Leo), a respeito de alguma incoerência em suas preferências cinematográficas ou algo assim. Sabendo-se que pensar antes de falar também não é o forte de nenhum de nós, me digam se foi ou não foi Deus que evitou, no último segundo, que ele berrasse, em alto e bom som, no meio do salão : “Sabe, às vezes eu fico com vontade de cutucar o Pinto...”
Engraçado : depois de velha, comecei a ficar medrosa, culpada, (mais) neurótica (ainda). Hoje comprei um sofá novo. De couro, porque não esquenta - e quem já passou um agosto em Goiás sabe o quanto isso é vital - e porque tava muito, mas muito barato. Dividi tudo em 5 vezes (sem juros, hohoho) porque não tive coragem de pagar à vista, e putz, a prestação é pouco mais de 5% da renda da nossa pequena família. Mas agora tô achando que ele é muito claro e vai ficar sujo. Que o gatim vai derramar cerveja nele. Que eu vou manchá-lo com chocolate ou com batom. Que a empregada vai fazer uns rasgões, ou pelo menos não vai saber limpá-lo. Que o filhinho dela vai riscá-lo com caneta esferográfica, como fez com o outro. Que a Nina vai resolver afiar suas lindas garrinhas nele assim que ele chegar. Quimelda, cadê a simples e boa alegria de colocar uma coisa legal e bonitinha na minha casa depois de tanto tempo ? Cadê o velho e bom "foda-se se o salário atrasar, se a cerveja pingar, o chocolate manchar, a gata arranhar - e virar tamborim - e a empregada mugir, quer dizer, rasgar essa meleca" ? Ó, eu não sei se esse excesso de juízo veio no pacote junto com as ruguinhas ao redor dos olhos, mas se foi, onde é que devolve, hem ? Num gostei não...
Aha, acho que agora entendi tudo : o negócio é que o pessoal daqui é louco-louco-xonadão pelas festas juninas, mas como não fica bem ir trabalhar, namorar, passear etc. o tempo todo fantasiado, de chapéu de palha, com remendos nas calças e dentes escurecidos, eles internalizam a personagem e canalizam tudo pro trânsito ! É por isso que dirigem feito caipiras enlouquecidos e ensopados de quentão. Viram como eu sou esperta e inteligente ? Só não me peçam pra explicar por que é que eles continuam dirigindo assim em julho, agosto, setembro, outubro...
Apesar da crescente antipatia que tenho pela Veja, tive que comprar a desta semana pra ter uma idéia da profundidade do buraco em que estamos. Porém, criaturinha superficial que eu sou, mais do que o atoleiro em que Lula lelé e toda a sua turma se (e nos) enfiaram, fiquei encanada foi com o fato daquele nosso nada saudoso ex-presidente daquilo, imagino, ainda roxo – e presume-se, a cada dia mais enrugado – aparentemente só se relacionar com loiras de olhos verdes e sobrancelhas escuras, de até no máximo uma certa idade. Parece inclusive que a nova namorada, além de tudo isso, é a cara da primeira mulher. A revista não diz que fim levou a segunda, a famigerada Ró-sane das bolsas forradas com o mesmo tecido das roupas e das lapidares frases “meu maior orgulho foi ter me entregado virgem a Fér-nando” e “Homem inteligente, no Brasil, só conheço um : meu marido”, mas se operfil de consumo do cinqüentão for mesmo parecido com o meu, (assim como ele é com mulheres, eu sou com sapatos : é sempre o mesmo tipo que me atrai, e só costumo trocá-los por modelos mais novos, sem muita diferença no visual, quando começam a ficar muito riscados ou sem brilho), deve ter feito presente dela a algum conhecido menos afortunado, ou, dependendo do estado da perua, jogou fora mesmo. É, porque tem casos em que nem uma boa meia-sola resolve.
Só mesmo ela pra, além de receber com tolerância, graça e simpatia um penetra gratuitamente agressivo, chato e mal-humorado (além de terrivelmente, hum, hã, prejudicado ortograficamente) em sua caixa de comentários, ainda deixar o bicho falar à vontade, sem apagar os comentários nem bloquear o IP do(a) mal amado(a) como eu teria feito. Pra Belly, que tem centenas de terabytes de espaço cardíaco, meu primeiro - e torçam pra que seja o último - cartum neste blog. Smoochas, Bell.
Até à época dos descobrimentos, alguns dos nativos – chamados então de “selvagens” - das Américas Central e do Sul acreditavam que devorando seus inimigos, se apropriariam de sua bravura, força e conhecimentos. Hoje, cerca de 500 anos, homens civilizadíssimos, inteligentes e “evoluídos” de todo o mundo ainda tentam se apropriar da juventude alheia comendo mocinhas(os) com idade para ser suas(seus) filhas(os) ou netas(os). Algumas mulheres também praticam esse tipo de canibalismo especializado, mas pra cada Cameron Diaz ou Demi Moore que papa um garoto 9 ou 20 anos mais jovem que ela, existem pelo menos 10 Woody Allens, Michael Douglas(s) e Jack Nicholsons (pra não falar em Michael Jackson de novo) atacando o berçário e traçando ou até se casando com garotas que ainda não eram um brilho nos olhos dos pais quando eles já tinham sonhos molhados com Marilyns, Sophias e – em certos casos – provavelmente até com Mae West. That’s evolution for you.
P.S. - Mas se o Kurt Vonnegut, o Chico Buarque ou o John Cleese tivessem me dado uma chance quando eu era solteira, juro que encarava um bom velhinho, hohoho…
Pra quem achou divertido, aqui tem mais. Ah, e não vá ninguém aí na cadeirinha do computador vestir carapuça não, viu ? Não é pra nenhum de vocês. O único blogonauta em quem o heróico personagem poderia se encaixar teve um de seus - me dizem que cada vez mais frequentes - hissy fits pro meu lado há meeeses e nunca mais voltou aqui, graças a Zeus...
Eu não ligo a mínima pra bom dia, boa tarde, boa noite, como vai, como está a família, bom fim-de-semana, saúde, até logo, não some não, me liga, depois a gente se fala. Não acho errado que não me ofereçam sua água, suas balinhas, seus cigarros. Não acho necessário que me digam que emagreci, que estou bem, que é bom me ver. Se quiserem dizer, digam, é simpático. Se não, não tem problema. Oi e ‘ciao’ (como é que se escreve essa merda ?) estão de bom tamanho e às vezes nem deles eu sinto a menor falta. Mas eu odeio, abomino e desprezo do fundo do meu coração gente que não sabe falar por favor nem obrigado(a). Por mim, morriam todos.
Saio da minha mesa cantarolando "Águas de março", vou até o departamento de mídia da agência pegar um papel na impressora de lá e, sem dar um pio, só escuto as moças comentando
- ...e na novela 3, põe ?
- Claro, todo dia.
- E Casseta, que dia que a gente põe casseta ?
Saio antes do fim da prosaica conversa, até pela absoluta falta de interesse e por um certo receio de imaginar qual é o sistema que elas usam para escolher os programas para cada anunciante, e só ao voltar à minha mesa reparo que parei de murmurar "... é pau, é pedra, é o fim da picada" e comecei a assoviar o tema de Vila Sésamo. Pra quem não sabe - ou não se lembra -, "todo dia é dia, toda hora é hora..." Hohoho.
Eu odeio suco de caju, mas amava a cajuína – não sei se era da Jandaia ou da Maguary. Sei que era pronta pra beber e vinha em caixinha longa vida, mas eu fazia questão de colocar no copo, porque até a cor era linda, dourada e transparente. Tão gostosa que quando tomava chegava a ter vislumbres de a que será que se destina o existirmos. Comprava aos montes. O que eles fizeram ? Pararam de fabricar, ou pelo menos de vender por aqui, pra sempre. Depois foi o suco de uva moscatel, este da Maguary mesmo, certeza. Eu, minha irmã, sobrinhos, ficamos todos fãs. Também transparente e gostoso, o suco era perfeito diluído tanto em água comum quanto na água com gás. Que pensam vocês que ela fez ? isso mesmo, parou de fazer o suco – ou de vendê-lo aqui na terrinha. Aí eles lançaram a vitamina, uma espécie de purê de banana, maçã e mamão que se podia misturar no leite sem precisar passar pelo liquidificador – pra preguiçosos como eu, era perfeito – e a palhaça aqui ficou freguesa de novo. E agora não encontro essa @#$%%$@#$ pra comprar há pelo menos seis meses. Juro pra vocês que mesmo que a Magoa-a-mí descubra e venda barato o suco da eterna juventude, eu não compro. Cansei deles.
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Na minha adolescência, comprei várias vezes um rímel importado, cujo nome esqueci, e que parecia formar uma espécie de cápsula plástica sobre os cílios, e era totalmente contacts-friendly, à prova de lágrimas, borrões e o melhor de tudo : não tinha efeito-racoon. Pra tirar, bastava esfregar suavemente os cílios debaixo do chuveiro morno ou quente e voilà. Agora, mais de 20 anos depois, encontro novamente meu amado rímel na internet - o nome dele é Blinc - , com um delineador de sidekick pra formar a dupla dinâmica, fico toda eufórica, faço o pedido... e descubro que eles não entregam no Brasil e que aqui não tem representantes. Ódio.
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Há uns cinco anos, a Natura lançou uma colônia chamada Sol. Uma delícia, não só comprei e detonei vários vidros como quase pedi comissão, já que um monte de mulheres – e de homens – perguntavam o nome do meu perfume “tão gostoso” e compravam também. Aí, claro, a diaba da Natura parou de fazer a colônia. Tempos depois, voltaram com uma versão que tinha o mesmo nome, embalagem e layout, mas um cheirinho dos mais enjoativos, que não tinha nada a ver com a deliciosa primeira versão. Pra quê ?!
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Há uns 5, 6 anos, comprava direto as melhores jujubas do mundo, numa importadora do Setor Oeste. Nunca mais vi, e mesmo tendo pedido descaradamente pra amigos que moram em cidades mais bem servidas de importados, ninguém achou. Ano passado, uma colega de trabalho foi a Atlanta, caiu na besteira de perguntar o que eu queria e claro, ouviu “Jelly Bellies”. Claaaaaaaro, falei que pagava, que ela podia trazer quantas pudesse e estivesse disposta etc. Ela me trouxe de presente, e não quis receber nada, um saquinho de meio quilo que eu fiquei regulando por um mês, comendo pouquinho pra durar mais. Ainda outro dia, achei na Amazon, inclusive em pacotes de 1 kg (2.2lb), fiz o pedido e... eles não mandam pro Brasil. Eu é que tô quase mandando esse povo todo pra pq os p... e daqui pra frente só tomando água, me maquiando com carvão, “perfumando” com sabão de coco e adoçando a boca com rapadura. Saco.
Sabe aquele seu ex-namorado sufocante, o marido que você mandou pastar em boa hora, aquela amiga hipercarente, aquela yiddish mamma com ascendência italiana, aquele irmão ciumento, aquela coleguinha que jura que é mais próxima de você que suas irmãs ? Acabam de virar produto !! Acho engraçado pensar que alguém queira pagar por uma - ou três - coisas dessas. Enfim, tem gosto pra tudo na vida, e estes você sempre pode eviscerar, descontinuar e/ou jogar no incinerador quando ficarem excessivamente exigentes... mas que a idéia é engraçada, isso é. Se eu também tenho meus dias de Dannie, Mossie & Brettie ? Of course, dahlings. E que atire a primeira pedra quem nunca falou, lábios trêmulos, voz embargada, “Você não gosta mais de mim...”
Harrison Ford que não me ouça, mas a verdade é que eu sou uma replicante. Replico o tempo todo : respondo, discuto ou brigo comigo mesma; com as imagens da TV, sejam de ficção ou de telejornal; com textos em outdoors e comerciais; com as vizinhas histéricas e eternamente cacarejantes; com blogs que leio sempre e com outros que só leio quando me mandam um link especialmente estúrdio; com todos os motoristas do trânsito caótico de Boiânia, e com as mães deles também, às vezes. Tem dias em que vou xingando e exortando os caras a praticar atos sexuais bizarros consigo próprios ou com ajuda de equipamentos variados, de casa até o trabalho – ainda bem que é perto - , claro que me aproveitando da distância entre nossos pára-choques e a segurança dos vidros do carro fechados. Terra de Marlboro, sabe como é, não é difícil levar um tiro nos cornos como resposta explosiva a uma xingadinha mais altissonante. Algumas vezes aproveito pra ajeitar os óculos com o dedo médio, também, mas isso é perigoso porque muita gente já sacou. Algumas das bobagens replicadas por mim a coisas que eu vejo por aí :
Conversando com o adesivo pregado no capacete do motoboy à minha frente no trânsito : “não, filhinho, não desistir nunca não é a marca do vencedor. É a do chato de galochas”.
Com o comercial imbecil que parte da ridícula premissa “Você vai se apaixonar por este aparelho/plano/operadora de celular” (é tão fraco que não consigo lembrar qual o produto ou serviço anunciado) e mostra uma garota experimentando o coup de foudre, o namoro e o casamento com um enorme número vermelho tridimensional, e termina com ela ninando um pequeno número também vermelho e 3D : “Putz, o número comeu a menina ? Achei que ele só fizesse 14, 21, 23 ou 69...”
Não entendo essa implicância do Lúcio com o milho na culinária aqui da terrinha. Milho verde, tenro, refogado na manteiga com alho é mais do que um prazer gustativo : é uma delícia tátil. Sim, sim, o milho verde é o plástico-bolha da boca.
Ao ler jornais, o Pinto e a Bárbara, do BHC : peraí, se antes tudo o que não era hétero era gay, ou GLS, por que é que agora virou GLBT, LGBTTS e sei lá mais o quê ? Que exagero, gente... com as pelo menos 11 orientações sexuais diferentes conhecidas atualmente, daqui a pouco a gente vai ter que falar Passeata do Orgulho de A a Z, pra ficar mais curtinho...
Pro gatim, irritado com uma ameaça de resfriado, dizendo “Pra que é que a gente tem nariz, hem ?” “Porque respirar por outros orifícios ia ser um horror, meu lindo...”
Pra pessoas excessivamente agressivas - sem motivo – nos comentários em seus próprios blogs e nos dos outros : Tá boua, fia ?!
Pro coleguinha gerundista, auto-ajudante e que acha plágio uma coisa normal, porque “tanta gente faz” : “Tem muita gente que rouba, mente, mata, trai o marido, e eu não faço nenhuma dessas também.”
Nunca ouviu falar nestes nomes ? Não estavam na capa da Caras desta semana ? Normal. Estes são os "sexy Brazilian names" criados a partir do meu nome e do do gatim - que certamente são brasileiros, apesar do y e do th do meu greguíssimo prenome, mas provavelmente não tão sexy. Eu achava que os nomes gerados seriam mais estereotipados e castelhanos, mas parece que me enganei. Na verdade, nem todos são assim tão italianos e/ou hispânicos. Colocando o nome do meu pai e de alguns amigos, vi Araújos, Melos e outros de ascendência mais obviamente lusitana no site. Tá com tempo livre e quer saber como seria o seu nome se fosse brasileiro, ou se fosse sexy ? Aqui, ó.
Tcharam ! Finalmente fiz o petit gâteau ! Não ficou 100% perfeito porque, talvez por causa da forma de silicone, alguns se quebraram e sangraram seu cremoso e celestial recheio antes da hora. Mas como eu sou fã também do Petit Prince (o do Saint-Éxupery, não o que andou se chamando ), e acho que o visual é secundário, o importante está por dentro, e que só se vê bem com o estômago, o coração ou outra víscera dessas, vou me orgulhar dele mesmo assim, porque o bicho pode até não ter ficado muito lindo, mas ficou de-li-ci-o-so.Como já tinha usado a mim mesma e ao gatim como cobaias, e a receita foi aprovada, tentei mandá-la por e-mail só pra quem pediu, mas meu e-mail deu um siricotico e agora não sei se mandou ou não, então resolvi publicar logo aqui. A quem não é craque em silicone, recomendo as boas e velhas forminhas de metal. Enjoy.
1 xícara rasa de doce de leite (eu usei Itambé, mas talvez um mais consistente seja mais seguro pro momento de desenformar)
8 colheres de sopa rasas de manteiga sem sal
1 pitada de canela empó
1 colher de chá de essência de baunilha
1 pitada de cravo em pó (não encontrei, mas não fez falta)
2 gemas
2 ovos inteiros
¼ de xícara de farinha de trigo
¼ de açúcar refinado
6 forminhas untadas de 7 cm Ø (se forem de silicone, enfarinhadas também)
Sorvete de creme (eu prefiro de banana, hmmmm) para acompanhar.
Pré-aqueça o forno a cerca de 180o. Misture o doce e a manteiga em banho-maria. Tire do fogo e vá acrescentando os outros ingredientes – menos o sorvete, claro - sempre mexendo com um batedor de ovo entre um e outro, para deixar tudo lisinho e homogêneo. Despeje nas forminhas untadas e leve ao forno por cerca de 8 minutos. Tire, desenforme e sirva com uma bola de sorvete do lado. Tem quem ache legal colocar calda de goiaba no sorvete. Eu acho que fica muito doce demais da conta, então deixei sem. Aliás, da próxima vez que eu fizer esse gâteau, não tem a menor dúvida de que vou colocar raspinhas de limão (1 colher de café, ou menos) na massa. Nada combina mais com doce de leite que raspinhas de limão. Hum, talvez eu faça isso hoje mesmo... afinal, sobrou um montão de doce de leite.