Tudo bem que é pra vender internet banda larga, mas é emocionante. Se estiver numa fase manteiga-derretida - assim como eu -, cuidado pra não derramar lagriminhas no teclado...
Vi este questionário na Rê e no moço da Pena Cruel– como tantas outras coisas legais – e me apropriei (no popular, roubei mesmo) deles. Como obviamente as perguntas foram feitas em português lusitano, “traduzi” as mais passíveis de gerar confusão. As minhas respostas tão aí, a quem interessar possa. Se você quiser responder também, nos comentários ou no seu blog, eu vou adorar saber.
1.Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
(Sem sair do formato papel, que livro você gostaria de ser ?)
Cem Anos de Solidão, do García Márquez. É maravilhoso, cheio de personagens inesquecíveis, estórias maravilhosas e os inúmeros Aurelianos, Josés Arcadios, Arcadios Josés, Josés Aurelianos e Aurelianos Josés que se – e nos – confundem fazem com que a gente sempre possa relê-lo como se fosse a primeira vez.
2. Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
(Você já ficou meio apaixonado(a) por um personagem de ficção ?)
Zilhões de vezes. Do Huckleberry Finn até o Calvin e o Haroldo, passando pelo Jimbo Gumbo, que eu SEI que é o doppelganger americano e bidimensional do meu gatim.
3. Qual foi o último livro que compraste?
Os cinco da trilogia (não sou só eu que sou ruim de matemática não, viu, os sites todos descrevem o livro assim) Hitch hiker’s guide to the universe the galaxy, do Douglas Adams. Tô babando pra começar a lê-los.
Estou enrolada com um de 1400 e tantas páginas – das quais só li um décimo, se tanto, até hoje - que o Artur me emprestou, chamado “A suitable boy”. Não me lembro agora do nome do autor, mas é um indiano dickensiano que escreve superbem. Enquanto não crio coragem pra atacá-lo até o fim, li God Bless you, Mr. Rosewater e Timequake, do meu grande amor Kurt Vonnegut; Felidae, de Akif Pirinçci, que o meu querido Pinto me mandou de presente, os quadrinhos Overman, Classificados 3 e Gato e Gata : bigodes ao léu, do maravilhoso Laerte; e Rê Bordosa, Vida e obra da Porra Lo(u)ca, do Angeli –quem achar que por serem HQs são obras “menores” é uma besta e/ou não conhece os caras -e certamente mais uns dois ou três de que não me lembro agora, com essa memória de 5a que eu tenho hoje em dia. É um saco ficar véia.
5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
a)a Encyclopaedia Britannica – em papel mesmo, e em ingreis, que é pra ter muito o que ler por bastante tempo e treinar a segunda língua;
b)as obras completas do Jorge Luís Borges;
c)Grande sertão: veredas, Guimarães Rosa;
d)um bom dicionário – pode ser Houaiss, Aurélio ou Michaelis, não tenho preconceito, e adoooooooro dicionários;
e)Timequake, do Vonnegut, este mesmo que li faz pouco tempo.
E se não for roubar no teste, levaria também um cadernão com zilhões de folhas, em branco, pra escrever meu(s) próprio(s) livro(s).
6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Ao meu gatim, que é meu maior amor, melhor amigo, leitor, escritor e confrade na tara pela palavra escrita; à Christiana, que também lê maravilhosamente, escreve melhor ainda e que certamente vai repassar o questionário e o “testemunho” à Maria Helenae ao Pinto, que vai repassá-lo ao Zeno; e à Cam, porque também lê e escreve lindamente, e provavelmente vai repassá-lo à nossa amada Fal e às Megeras; e extrapolando o número estabelecido, vou mandar também pra Solange e pra Belly, porque sim.
Na falta do que fazer, fico passeando pela internet e descobrindo coisas interessantes. A mais recente é essa : além da minha música, tem também uma banda de rock com o nome do meu nick mais antigo. E o melhor : a banda é boa. Aqui, ó.
Caramba, a raça humana tá ficando mais boba a cada dia que passa. Li aqui no UOL que o povo tá na frente da capela sistina aplaudindo a fumaça preta...
Nelson diz:
Ué. Não era pra aplaudir só a branca?
Cynthia diz:
Não era pra aplaudir era nada, mas se eles fazem questão, deveria, né ? Vai ver ficaram com medo de ir em cana por racismo se não aplaudissem a preta também...
1-Menos de 6 horas de cama com menos de 4 de sono – e o sono cheio de sonhos cansativos – ;
2-Despertar final atrasado, café incompleto tomado às pressas;
3-Banho apressado (porém completo, que eu sou desorganizada mas sou limpinha);
4-Leve azia;
5-Leve dor de cabeça, pelo 6o dia consecutivo;
6-Engarrafamento monstro num pedacinho ridículo de rua por causa de bobagem;
7-Telefonema no meio do engarrafamento pra perguntar “se eu vinha trabalhar”;
8-Mau humor do cão – “eles atrasam meu salário por três meses e eu não posso me atrasar por 15 minutos, grrrrrr” -;
9-Calor;
10-Ruinião longa, chatinha e déjà vu cheia de gerundismos, discurso recheado de clichês de auto-ajuda empresarial e neurolingüística à Lair Ribeiro (yaaaaaaaawnnnn);
11-Serviço com prazo curtíssimo, briefing fraquíssimo e informação incompletíssima;
12-Falta de grana;
13-Falta de saco pra retomar a dieta interrompida;
3-Ajudei a caçulinha a escolher uma música pro casório dela com um amigo que a gente ama muito (Dream a Little Dream of Me, com a Mamma Cass e os outros caras);
4-Acho que fiz as pazes com minha irmã postiça no 1;
5-Ganhei um gatinho de resina muito fofo da indigitada supracitada;
6-A Nina ficou no meio de todo mundo e só riscou fósforo uma vez, e só porque quase teve o rabinho pisado;
7-Fiz um risoto – modéstia às favas -maravilhoso, com todo mundo sentado na cozinha à minha volta;
8-Mogatim que não sabe fazer nada na cozinha ajudou picando todo o alho e cebola pra mim, chorando loucamente mas sem reclamar;
9-Todo mundo comeu pacarai e elogiou na mesma medida;
10-Comemos na cozinha mesmo, falando alto até uma hora da manhã e nos vingando das vizinhas gritadoras, mwahahaha...;
11-Minha internet no trabalho voltou e o Duke Ellington tá tocando suavemente, só pra mim, na minha orelha (nos fones de ouvido, actually).
Apesar dos 14 X 11 - e do Vila Nova ter ganho do meu time NOS PÊNALTIS -, o lado bom da vida ainda tá ganhando de goleada. Mais um dia em que vale a pena continuar passando pelas janelas abertas. Bom dia !!
Parada aqui quase na porta da agência - e NÃO era pra falar com ninguém daqui -, atrapalhando o acesso ao estacionamento, uma Caravan que um dia foi dourada, caindo aos pedaços, com toda uma traquitana de caixas de som se equilibrando perigosamente em cima do capô, e com uma faixa de cada lado, onde se lia :
“Alguns ‘bola uma Idéia’. Agente cria com Arte.
Claudin Publicidades. Carro de som a melhor propaganda, com retorno garantido”.
Os sics ficam por conta de cada um. Eu só pergunto : o harakiri é aqui ?
(Triiiiimmm...) "Alô." "Cynthia ? Tudo bom ? Papai. Foi você que comprou o Clã dos Inhamuns* pra mim ?" "Foi, gostou ?" "Chegou aqui. Quanto foi ?" "Não te interessa." "Mas quanto eu te devo ?""Nada. É presente." "Quanto cê pagou ?" "Não é da sua conta." "Uai, obrigado." "De nada, pai.""Então tchau." "Tchau." (Click.) "Eu também te amo, pai."
* Livro com a história dos nossos antepassados, os primeiros Feitosa, raça de cabras da peste, gente “mais ruim” que bosta de cobra, mais valente que Lampião, e, pelo menos nos primórdios... matriarcal, hohoho.
Neste fim de semana, eu e o meu carro tivemos nossos respectivos pneus recalibrados, repondo rapidamente algumas libras perdidas ao longo dos últimos tempos. Ele ficou muito mais leve, fácil de dirigir, lépido e fagueiro. Eu fiquei muito mais pesada, injuriada e desgovernada. E o pior é que isso me dá uma fome...
Eu preciso ler mais jornal. Se por um lado isso me entristece, provando repetidamente que a humanidade não tem mesmo conserto e não aprende nada com a experiência, por outro me faz morrer de rir, ao ver que a humanidade não tem mesmo conserto e não aprende nada nem com a experiência nem com o maternal, o jardim, o pré-primário, o 1o, o 2o e o 3o graus, e muitas vezes, nem com o mestrado, o doutorado, o PhD e a PQP. Senão, vejamos uns trechinhos selecionados do jornal de hoje (os primeiros, olhem só, no caderno “cultural”) :
Na seção de resenhas de filmes estreando na TV a cabo, a moça responsável pela crítica diz que “o charme e a simpatia de Julienne (sic) Moore e Pierce Brosnan tornam As Leis da Atração uma comédia romântica assistível.” Pois é, apesar de um ataque de caridade - ou de mau gosto – tê-la forçado a escrever que o tal filmeco, um abacaxi do tipo podre-há-uma-semana, vergonhoso, horrível,era suportável, parece que o inconsciente da jornalista se rebelou e resolveu se vingar, picando a bela ruiva Julianne Moore em tirinhas bem fininhas...
Na seção que trata das estréias no cinema, outra moça nos conta que “... roteirista conhecido nos Estados Unidos, John Sayles estréia na direção com” e fala o nome do filme, produzido em 2003. Hohoho, então quer dizer que além de só ser conhecido nos esteites, todos aqueles filmes que o Sayles dirigiu desde 1980 eram só treino...
Estas duas próximas não foram no segundo caderno nem culpa dos jornalistas, mas as notícias em si me fizeram rir sozinha feito uma louca, a primeira provavelmente de nervoso, a segunda de cócegas irresistíveis no cérebro :
O PP – partido do Paulo Maluf - lançou a candidatura do Sev*rino (o dos Supositórios) Caval*anti à Presidência da República, em 2006.
Essa é velha, mas eu me lembrei dela porque hoje é sexta-feira, e como acontece toda sexta-feira depois do trabalho, eu vou à missa – eu e gatim somos fiéis fidelíssimos da Primeira Igreja Batebolista da Caçapa Sagrada, também conhecida como Snow Bar, ali na Av. Portugal, e batemos ponto toda sexta-feira pela salvação das nossas calmas, gastando menos que o dízimo e nos divertindo bem mais – e foi lá que eu vi a bobagem que ora compartilho convosco, irmãos. Mas deixemos de frescura pseudo-religiosa e vamos ao assunto.
O negócio é que, com a saturação total da mídia e até da no-media (os mais frescos conhecem como “below the line”, os mais cáusticos como “below the belt”, mas é tudo a mesma bo...isa.), o povo tá colocando propaganda nos lugares mais inusitados. No caso específico, os banheiros do Snow Bar. Há uns meses, durante a prática da devoção, interrompi minhas orações pra fazer pipi e tava lá a novidade : numa moldura de alumínio em frente ao vaso, um cartaz do Sebrae nacional, que desde então já foi substituído por vários outros anunciantes e mensagens, mas que me fez rir muito na época, e ainda por cima me tornou capaz de adivinhar que tanto o mídia quanto o redator da agência responsáveis pela peça em questão eram do sexo masculino*. Por quê ? Primeiro, pela altura da tal moldura de alumínio, mostrando que quem a recomendou como mídia até sabe que mulheres costumam fazer xixi sentadas, mas não entende que isso é só em casa. Em bares e botecos, principalmente os não muito chiques, as moças exercitam os músculos das coxas e os da saudável frescura e higiene, que nos rapazes costuma ser menos desenvolvido, mantendo sempre uns bons centímetros de distância entre as próprias pernas e o assento do vaso, o que faz com que “à altura dos olhos” se torne um pouco diferente do que imagina o tal mídia. Depois, pelo próprio teor da mensagem em que o redator tascou, o mídia viu e o cliente aprovou, and I kid you not, um “Se você precisa de ajuda para abrir seu negócio, chame o Sebrae.”
*Ou isso ou era uma redatora muito grilada com a conta, que se for tão enjoada em nível nacional hoje quanto era no regional ali pelo fim da década de 90, eu sou perfeitamente capaz de entender, me identificar e achar ainda mais engraçado. Mas ainda acho que isso foi coisa de homem.
UMA REDATORA DEIXADA NA MÃO E MIL IDÉIAS NA CABEÇA
(Eu sei que falei que não ia escrever sobre sonhos. Mudei de idéia, posso ?)
Dizem que à medida que envelhecemos, precisamos de cada vez menos horas de sono. Só que parece que se esqueceram de passar a informação ao meu conjuntinho corpo-e-mente, cada vez mais enrugado, e o que acontece é que a cada dia eu quero dormir mais e mais. Doze horas por dia seria o ideal, mas eu juro que deixava por dez numa boa. É isso que eu faço nos fins-de-semana. Ainda assim, continuo com sono o tempo todo. Pra piorar tudo, ando sonhando cada vez mais, e acordo exausta. Não é pra menos : são sonhos compridos, intermináveis, coloridíssimos, longas-metragens que misturam romance, drama, comédia, sci-fi, metalinguagem e fantasia, cheios de efeitos, e que certamente vão acabar com meu já combalido orçamento familiar, porque além do Escher de sempre na cenografia, agora resolveram abusar também das participações especiais. É claro que a estrela sou sempre eu - ainda que às vezesperfeitamente disfarçada (a verba de maquiagem, oh, céus) como alguma outra pessoa, podendo inclusive ser de outra raça ou aparecer como objeto, criança ou bicho- , óbvio, afinal os sonhos são meus e quem manda no cinema moderno é o produtor, taí o Bruckheimer que não me deixa mentir. Mas ando contracenando com um pessoal que cês nem imaginam.Um dos mais recentes teve Mel Brooks, Marilyn Manson e Nelson Xavier como coadjuvantes, perseguição de carros, cenas internas comperspectivas de dar nó (o Escher anda mais doido do que nunca, acho que depois de morto o bicho deu pra tomar LSD), montes de externas com muito mar verdíssimo, em praias com estátuas colossais-de-rodes e ondas cecilbedemíllicas, argumentos de Pedro Almodóvar – só pode ser, o trechinho com a escola de adaptação de transexuais à realidade feminina tem que ser dele - , cães de ataque treinados, consultoria de babalorixás e quejandos(teve uma cena de macumba que não sei de onde veio, deu até medinho), respiração debaixo d’água e o que mais George Lucas, Steve Jobs e Spielberg juntos e encharcados de tequila com crack e lança-perfume possam imaginar.
Tudo isso e muito mais eu tenho exibido pra minguadíssima platéia de mim mesma, sem beber nada mais alcalino que Fanta diet e sem nenhum aditivo químico ou natural, nem mesmo um cigarrinho macrobiótico; sem elogios da Isabela ou destrinchamento do Rubens Ewald, filha; e o pior : sem merchandising, financiamento do governo, da Petrobrás, do Unibanco, sem apoio da Lei Rouanet, sem retorno de bilheteria e obviamente sem chances de recuperar o preju em DVDs e veiculação nas TVs a cabo, ou até nas abertas. Deve ser por isso que aqui na agência minhas idéias andam tão mais ou meninhos, e minhas finanças tão frágeis. É que eu gasto tudo assim, no escuro. De olhos bem fechados.
Assim não é possível. Tudo que pensei em postar nos últimos dias tá aparecendo mais bem escrito, resumido E ANTES em blogs que eu percorro todo dia. Pensei em falar nos meus sonhos loucos, e o Marco Auréliofalou nos dele antes. Pensei em reclamar da indústria têxtil, que já inventou stretch, tecidos que mudam de cor, que absorvem ou evaporam o suor, que aquecem ou refrescam de acordo com a temperatura externa mas que até hoje não foi capaz de inventar um tecido pra etiquetas de roupas – especialmente íntimas – que não arranhem, incomodem nem magoem nossas delicadas peles de lírio. A Yara falou antes. De como eu nunca consegui ter um diário mas aqui no blog eu escrevo coisas que até eu duvido ? Christiana falou (lindamente) antes. Das minhas eternas vizinhas cacarejantes e odiosas ? A Rê falou dos vizinhos dela de um jeito muito mais bem-humorado e divertido, se não me engano, ontem. Ou antes. Republicar posts passados ? Gatim e Padre Levedofizeram antes (e compensa mais ler os deles).De política, notícias, atualidades ? Nunca fui boa nisso, e qualquer coisa que pudesse pensar em dizer, certamente o Smart, o pessoal do No Mínimoe os Hippos teriam dito melhor e – claro, acertou - antes. Do deputado wildeano, taking it on the gutter and looking at the stars ? Todomundofalou antes. Da própria sincronicidade de idéias entre blogueiros diferentes e distantes, o moço da Pena Cruel falou antes. Do resultado do BBB no 15.754 ? Puh-leeeeeeease. Dos acontecimentos e problemas da minha própria família e amigos ? Eu, hem, Rosa ? Morro antes.
É duro acordar cedaço, com sono, pra ir ao Dr. Jaspion, estacionar lá longe, agüentar criancinhas mimadas e suas mães mal-educadas e ainda piores educadoras na sala de espera, pagar 60 paus - eu sei que é pouco, mas pra quem não recebe há dois meses é dinheiro, beibes - e descobrir que ou minhas roupas pesam quase 4 kg (not likely) ou que a balança de casa, que eu achava que subtraía 2 quilos da minha significativa massa corporal na verdade rouba mais de 5, ou seja, eu estou apenas cerca de 12 quilos menos gorda do que no começo dessa @#$% de dieta, e não 15, como pensava - e oh, céus, ficava tão alegrinha ao pensar... quer dizer, passei os últimos 5 meses passando fome e vontades pra perder menos de 3 kg por mês. Acho que vou comer um chocolate, só de raiva.