Contra azia, má-digestão de sapos, trabalho chato, salário atrasado, dieta restrita e de resultados lentos, vida tediosa, clientes burros, falta de grana, reprises sem fim na TV a cabo de 120 paus por mês que ainda por cima sai do ar sempre que chove, use Laerte, Laerte e Laerte. Porque se as únicas coisas que se pode fazer sem dinheiro são dívidas, que pelo menos elas sejam leves no cartão de crédito e melhorem o humor da gente mais que qualquer serotonina, endorfina, noradrenalina e qualquer outra ina, natural ou sintética. Mais barato aqui, pro caso de mais alguém por aí também estar matando cachorro a grito, tatu a tapa e tartaruga a beliscão como esta que ora vos escreve. E tenho dito.
Primeiro : lendo o post Obsolescência - sorry, sem permalink -, um desabafo dele em seu novo blog, fiquei triste pelo meu amigo-e-corega* de infortúnio, porque sinto o mesmo, com uma freqüência muito maior do que seria aceitável para minha saúde. Da última vez que me senti assim com força total, a melhor analogia para meu estado de espírito era a de que eu era um pterodáctilo num conto de Sci-Fi, caído por uma fresta no continuum espaço/tempo, diretamente dentro de um galinheiro em Mossâmedes, no início do século XXI. Na apresentação para o cliente fidalgo e suas marketettes com inesgotável repertório de perguntas imbecis e certezas ainda mais burras, num português claudicante e gerundista, salpicado de palavras em ingreis de 4a séria primária, eu tive certeza de que eu era um pterodáctilo entre galinhazinhas : ainda confiante no meu taco, minha pegada, meus dentes, garras e asas, no meu instinto predatório, mas irremediavelmente só e fora de lugar e do tempo, num pesadelo, na dimensão errada. Sim, as galinhazinhas são umas bobas com cérebro de titica de... de galinha, oras, mas são a maioria acachapante. E o planeta agora é delas.
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Depois : se você está a fim de amarrar um bode, se afundar e chafurdar em depressão, melhor botar um blues bem dolorido, uma Maysa, até um “Crying Out of Self-Pity” ou similar no seu fone de ouvido. Se resolver atacar de Requiem – que a recepcionista resolveu te dar de amigo secreto quando soube que você gostava de Tom Jobim e demais “músicas pra dormir” -, o velho e bom Wolfgang vai frustrar seus intentos. Porque essa missa cantada pode ser (e é, claro, du-uh) muito solene, pesada e belíssima, mas como você não sabe latim mesmo, só o que te atinge é a melodia, e ela é tão linda e plena e grandiosa que acaba sendo um puta pick-me-up, daqueles que não deixam ninguém ficar de baixo astral, e dão um pique pra trabalhar e/ou escrever abobrinha que sai de baixo, só comparável aos causados pelo ídolo do Alex, aquele da laranja com mecanismo de relógio. Acredite, a única coisa que vai requiescere in pace é seu recém-nascido cabritinho preto. E já vai tarde. Amen.
*Quer saber qual é a do "corega" ? Vai lá que cê entende.
Depois de anos de piadinhas falando de como ela destruía a memória, Mariinha acaba de ser reabilitada por cientistas, que dizem que ela combate até aquela doença triste que Dona Lúcia, funcionária de Mlle. Seslaf, chama de mal de Jaime. Quem diria, hem ? Já deve ter gente fazendo que nem os SS quando tiveram certeza de que Adolph, o antitabagista vegetariano furioso estava mesmo morto : tirando um isqueiro do bolso e lighting it up, kids.
Ou COMO ATRAIR LEITORES PARA SEU BLOG MESMO SEM TER MUITO O QUE DIZER
NA SEXTA À NOITE, ELE ME DEU UMA SURRA
na sinuca : ganhou de 9 a 1, mas eu insisto que foi pura sorte.
MAIS TARDE, EU O FIZ CHORAR
ao contar que, segundo sites de irlandeses que sabem gaélico, a tradução mais correta de “Mo chuisle” (e não Mo cushlie, como está no filme), seria não “mydarling, my blood”, mas sim o mais poético e dolorido “my pulse, beat of my heart”.
NO DIA SEGUINTE, À TARDE, MINHA CUNHADA ME FEZ CHEGAR AO CLÍMAX
com seu maravilhoso bolo de chocolate
E À NOITE PASSEI HORAS DELICIOSAS COM DOIS HOMENS,
meu marido e um amigo, conversando à toa num barzinho até os garçons começarem a recolher as toalhas e mesas e a colocar as cadeiras
DE PERNAS PRO AR.
No domingo, mais uma vez saí da dieta e comi esfihas e pizza de pepperone. O pior é que
A língua portuguesa (mãe), o falar brasileiro (pai), os escritores, compositores, poetas, professores (irmãos), os advogados, publicitários e jornalistas de primário bem feito (primos) e a pequena porção da população corretamente alfabetizada (amigos) comunicam o falecimento de seu amado Presente do Subjuntivo. O desafortunado tempo verbal adoeceu seriamente em São Paulo, na década de 1970, envenenado pela péssima qualidade de ensino. Fragilizado, teve seu estado de saúde agravado por ataques de todos os veículos da mídia e veio a falecer, anos mais tarde, em todo o território nacional, enfraquecido após longa batalha contra os germes da burrice aguda e da preguiça crônica. Apesar dos esforços dos conhecidos “A menos que eu vou”, “Embora ele está” (sic), “Caso isso for”(sic plus), “Ainda que não acontece”(sic ultra) e outros de igual teor em nos consolar, comunicamos também que consideramos o Presente do Subjuntivo insubstituível e dispensamos estas débeis tentativas de caridade cristã. Ainda que sua morte tenha sido aceita pela maioria do povo brasileiro, nós continuaremos a honrar sua memória e tudo faremos para que ele esteja sempre em nossos pensamentos e orações, sejam elas faladas ou escritas, subordinadas, coordenadas, sindéticas ou assindéticas. Por este ato de respeito aos nossos sentimentos, antecipadamente agradecemos.
Não importa se o filme é bom de qualquer jeito. Eu tenho o direito de não saber o final antes de assistir. É por isso que eu sou 100% a favor da eutanásia - aliás, eutanásia un cazzo, sou a favor mas é da cacotanásia, uma morte bem ruim, dolorida e principalmente PREVISÍVEL - pra quem conta fim de filme. E o pior é que esse tipo de palhaçada agora nem é mais privilégio de pessoas físicas bocudas, não. Tem até jornalista fazendo isso, em nome daquelas polemiquinhas super whiny, nojentas e estéreis que americano reunido em associações adora. Bando de babacas. Sim, tô falando dos jornalistas. E dos americanos-associados do tipo todo-mundo-tem-que-pensar-igual-a-mim. Grrrrr.
Sabe aquelas tirinhas do Pat Brady (Rose is Rose), em que sabores, cheiros e outras lembranças e situações fazem com que a personagem, de 35 anos, fique pequenininha de novo ? Pois é, aconteceu comigo agora. Fui dar uma olhada aqui, achei o jingle dos cobertores Parahyba e fiquei com cinco aninhos na mesma hora !! Tá até difícil teclar com minhas mãozinhas pequenas e cheias de covinhas...
Depois de assistirmos a um especial do Animal Planet versando sobre o horóscopo chinês e as semelhanças entre os animais descritos pelo tal zodíaco, os da natureza e os humanos nativos de cada signo, eu achando tudo lindo, gatim achando tudo uma bobagem só, mas agüentando por consideração a mim, fomos dormir. Ele ainda resmungando seu ceticismo, eu toda animada com a precisão das descrições de nós dois - o coelho e a serpente - e alguns de nossos amigos. Ainda no clima sino-zodiacal, dei boa noite pra ele, toda meiga : “Meu coelhinho...” e o paiaço, morto de sono, responde cantando : “se eu fosse como tu...”
(Update : me aguarde, lindo. Hoje tem sinuca... mwahahahahaha...)
Cheguei lá através do blog do Jean e não podia ter dado mais certo : meu warning label generator acertou na mosca. Acho que eu devia imprimir esse troço em papel auto-colante e pregar na testa, como aviso a chefinhos e chefetes de que hoje é um péssimo dia pra se bancar o criativo de merda pra cima de mim. Aliás, pensando bem, já é tarde demais. Eu devia ter feito isso era ontem. Faz o seu aí e vê no que dá (e depois me conta...).
Vi agora há pouco na página de abertura do UOL que até Sandiléia, a santa, ensandeceu e botou sei lá quantos ml de silicone nos seios. Mas ela não era a Vossa Sagrada Senhorita da Perpétua Virgindade ? Pra que isso, então ? Me lembrei na hora daquelas taças de cristal trabalhado trancadas na cristaleira da casa da vó da gente : muito bonitas, mas feitas só pra olhar, não pra usar...
Alguém escreveu em blog, linkou ou me mandou por e-mail uma frase da vitaminada e nutritiva Nigella, dizendo que quem fica subindo em balança merece o que vê, hohoho. A senectude galopante faz com que eu não saiba mais onde li, mas pelo menos me lembro do conteúdo, e concordo inteiramente com ele. É por isso que, depois de quatro dias tentando me transformar em rainha moma (não, nada a ver com o museu de arte moderna, a não ser, talvez, o tamanho da área construída) às custas das receitas maravilhosas de Lord e Lady Artur e da enorme variedade de uma sorveteria que acabei de descobrir, que além de sorvetes e banana-splits deliciosos tem picolés indescritivelmente gostosos de praticamente todas as frutas tropicais, selvagens (do cerrado e uma ou outra amazônica) e mais algumas de cuja existência eu nem suspeitava, eu prometo solenemente não subir em balança antes do dia 21 de fevereiro, quando estarei completando uma semana de volta à Esparta alimentar de onde escapei quando Carnaval, fim da “fórmula natural” e amigos malignos, porém excelentes cozinheiros, se juntaram pra me engordar de novo. Até o dia 14, entretanto, continuarei comendo mais que lima nova, como se diz aqui no interior. É, eu sei, eu não presto. Aaaaaaaaaaaaai, mas eu tô tão feliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiz...
Especialmente pra Tatitiana, que gosta dos meus diálogos bobos, aqui vão dois fresquinhos - de ontem, na Sinuca – e dois mais antigos, um da sinuca também, há semanas, e outro do trabalho, duas agências e muitos anos atrás.
Ele:Já quer ir jogar ?
Ela:Hum-hum.
Ele:Então vamos pegar as bebidas e vamos lá pra dentro.
Ela:Ok. Melhor avisar ao cara do balcão que a gente tá
mudando de mesa.
Ele:Certo, eu aviso. Como é mesmo o nome do cara ? X, né ?
Ela:Não, lindo. Putz, faz ANOS que a gente vem aqui e você
ainda não sabe ? X é o baixinho, esse aí é o Y.
Ele:Ah, tá. X é o que tem cabelo, então, Y é o careca.
Mlle. Seslaf, notre rousse preferée – vista acima em suas férias na praia e aqui no mesmo sofá de sempre, mas sob um ângulo totalmente novo – hoje se torna um novo clássico, “La femme de trente e un ans." Pra mostrar como a gente a adora, os parabéns pra ela ficam por aqui de hoje até quando o feriado acabar (ou minha preguiça, o que for mais rápido).
Nunca vi UM capítulo de BBB, nem do Aprendiz, versão nacional ou importada, nem The Bachelor nem The Bachelorette nem nenhuma dessas cacas que passam em canais abertos, fechados e arregaçados, e sinceramente, nem pretendo. Portanto, jamais pensei que viria a dizer isso, mas este reality show eu não perco. Em minha defesa : o que aparentemente vai ser uma mistura de Extreme Makeover - sem o sangue e os dentes de azulejo - com Changing Rooms - infelizmente sem o Lawrence - e uma pitadinha de Queer Eye é (irresistível) demais pra mim... ou seja, o troço nem estreou por aqui ainda e já virei fã. Tsc, tsc, tsc.
Se a noite passada e esta manhã forem um prenúncio do que será o mês de fevereiro, só posso dizer o seguinte : vou ali tirar um cochilo, me acordem em março, tá ?