Eu nunca coloco som nos meus carros – eu sou paranóica e escaldada, então pra mim esses gadgets só servem pra atrair ladrão e desviar minha atenção. Quando eu quero ouvir música ao volante, eu canto. Sério. –, então realmente não sou a pessoa mais indicada pra entender esses sutis detalhes, mas assim, já que o som normalmente fica a centímetros do volante, pra que é que ele precisa de controle remoto ? Pro passageiro do banco de trás infernizar o motorista com sua escolha (ou indecisão) musical ou pro “preibói” abandonar o carrão a uns dois palmos do meio-fio e, portas abertas, chegar “nas mina” e ligar o sonzão lá de longe, pra impressioná-las com a potência de suas caixas (something’s gotta be) e seu gosto assombroso ? Só pra saber...
De tanto eu reclamar, o Júnior ficou com dó de mim e me mandou amostras de que jornalista anarfa não é fruta típica só de Boiás, ou mesmo do Brasiuiuiu. Foram vários exemplos, mas este aí é o melhor de todos...
Deu no jornal de hoje : em Goiânia, a umidade do ar está abaixo da do deserto do Saara. A polícia nem deve estar podendo usar a velha tática do "cospe, vagabundo" pra aterrorizar usuários do famoso cigarrim macrobiótico. Do jeito que tá, qualquer quantidade de saliva emitida por quem quer que seja deve estar evaporando antes de bater no chão. É tempo de queimada, ê-ô...
Tão querendo mesmo acabar com a minha inocência. Primeiro me disseram que Bruno Bettelheim espancava crianças, em seguida que a Gloria Gaynor (com esse nome, e apesar de toda a sua fan base), depois que descobriu Jeeesus, ficou homofóbica (?!), e agora sai na imprensaque Bob Dylan escreveu uma autobiografia em que fala como sonhava com um emprego nine-to-five e do quanto odiava os hippies (“queria botar fogo nesses tipos”). Só me falta agora descobrirem que o Bush é genial e erudito, e o Michael Jackson gerontófilo !!
Eu sei, eu sei, o problema deve ser meu temperamento horroroso, meu mau humor, meu gênio de cão. Mas eu preciso perguntar a vocês : depois de fazer no mínimo 10 idéias (já não sei mais quantas foram) pra um cliente que não merecia nem duas, algumas até bem legaizinhas, ou pelo menos aceitáveis, algum de vocês conseguiria ouvir, sem rir – ou chorar – o pedido/ordem “agora faz um jingle bem moderno, jovem, bem institucional, mas assim, tem que ser vendedor, e claro, bem natalino. Daqueles com arranjo de harpas, sabe ?”
Mais um coitado não agüentou o esquema aqui do boteco e pediu o boné, e lá vai tia Cynthia de novo analisar os curricula dos incau... oops, dos candidatos. Alguns só mandam mesmo o currículo, que, obviamente, sendo os coitadinhos ainda estudantes, só comprovam sua escolaridade, não trazem nada que me interesse. Alguns, menos tolinhos, colocam suas pastas, com materiais criados na escola ou pra frilas. A maioria, claro, de bobagens, bobaaaagens, ideiazinhas fracas de dar medo, 99,9% delas com a total indigência gramatical a que já estou quase me acostumando (ha). A total incapacidade de usar crase e o verbo “haver” com a mínima propriedade – o que tem de “formado a cinco meses” ou “vou me formar daqui há um semestre” é brincadeira – e o gerundismo dos que telefonam já não me surpreendem (irritam, mas não surpreendem). Mas tem um que foi sui generis. Sua pasta, se não chega a ser exatamente boa, pelo menos foi a única que mostrou laivos de pensamento original, de terreno cultivável, de possibilidade de evolução, e se não fosse por mais nada, o sobrenome do menino (que eu não vou contar, mas é algo assim como “Suhave”) já seria o suficiente pra eu escolhê-lo. Mas aí o songuinha resolve colocar um planejamento de marketing feito por ele (será ?) em uma agência do interior de Minas. Não li tudo, porque esse tipo de material, com seu inevitável amontoado de idéias pré-fabricadas e buzz words me dá enjôo e brotoejas, mas achei sacanagem nem passar os olhos pelo calhamaço. Passei, e dei de cara com uma frase maravilhosa. Abaixo do infalível item “Metas”, tá lá, no último sub-item, “Oferecer soluções aquém das solicitadas pelo cliente”. Hohoho, tomara que seja de propósito. Acho que vou contratar esse cara.
“(Peter Pan) é uma idéia linda, mas crescer também é muito divertido”; “(Pra fazer Jack Sparrow) eu me inspirei no Keith Richards”; e a melhor de todas, “Ter filhos é muito legal, é como se você estivesse sempre acompanhado de um bêbado bem pequenininho : eles cambaleiam, caem, vomitam, te abraçam, ficam mal-humorados e sentimentais de uma hora pra outra e falam tudo o que lhes vem à cabeça, sempre com a língua enrolada”; e finalmente, porque ele ama o Tim Burton, que eu também amo. Mas ainda acho que se era absolutamente irresistível perpetrar um remakedo filme preferido da Cam, o Willy Wonka devia ser o Nathan Laneou Jack Black– apesar de os dois terem mais carinha de Oompa loompado que de qualquer outra coisa, hohoho...
Matéria de capa do segundo caderno do único jornal minimamente legível de boiânia, sobre um psicólogo paulistano que se vestiu e atuou como gari no campus (o jornal aqui grafa Câmpus, que pode até ser certo, mas é uóóó !!) da USP para escrever sua tese de mestrado a respeito dos “invisíveis”, seguindo a linha do jornalista alemão que se fantasiou de turco, o sociólogo branco que se disfarçava de negro e todos os atores americanos que preferem incorporar doidos, gordos, bêbados, lutadores, cleptomaníacos e outros bichos do que, como aconselhava Sir Lawrence Olivier, interpretar. Até aí, tudo bem. O mais estranho mesmo – ia dizer “inesperado”, mas quem eu acho que engano ? – foi a legenda sob a foto do rapaz, grandona : “Fernando vestiu de gari e sentiu a humilhação social”. Da humilhação do pronome reflexivo, coitadinho, o mais invisível, o mais esquecido e maltratado em terras goianas, ninguém fala. Mas numa coisa a gente tem que concordar : realmente é muita sacanagem o cara ser humilhado só por aparentar ser gari, quando tem tanto jornalista analfabeto sendo tratado como “dotô” por aqui.
Só há poucos dias assisti ao filme da Charlize Theron feia e assassina. Gostei mais do que esperava, mas eu também não sou nenhuma Isabela Boscov (praise be), de modsqui minha crítica não vale. Mas se mais nada prestasse, tem um detalhezinho que por si só valia o preço da locação. É a frase dela pro cliente que, depois de combinar o preço, pede que ela o chame de “Daddy” enquanto eles fuquefucam : “WHY, DO YOU LIKE TO FUCK YOUR CHILDREN ?!”
Irmã-jovem-mãe:ih, acho que ele sujou a fralda. Troca lá pra mim, por favor, vai, deixa eu acabar de almoçar tranqüila uma vez na vida...
Tia desnaturada:eu não, vamos chamar a avó dele. Manhêêê, corre aqui que o neném fez cocô e a mãe dele tá comendo !!
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DIÁLOGO RECENTE
Ele:aí quando acabar de escrever o livro, eu vou precisar de alguém pra dar uma geral no português lusitano. Com as frases em hebraico não tem problema, vou pedir uma ajuda ao R. Tem um amigo dele em Rabat* que...
Ela, histérica:HAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHA, amigão, hem ... ?
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DIÁLOGO ESQUIZOFRÊNICO
Ela:olha só essa garagem: só tem carros brancos, pretos e em todos os tons de cinza e prata, parece um filme em P&B...
Botões :ei, a loira gordinha tem um Fiesta vermelho !
Ela:...pois é, A Lista de Schindler...
*Pra quem estiver distraído : o "t" de Rabat é mudo, como em “Piquet”.
Pensando em posts recentes de minhas candangaspreferidas e em coisas que eu mesma vejo por aí, me pergunto qual é esse apelo tão forte que a adolescência tem, que faz com que desde criancinhas até vovozinhas sejam loucas pra parecer, se vestir e agir como adolescentes. Pior, como um certo tipo especialmente escroto de adolescente, a tal da ninfeta “eu sei que sou gostosa”. Crianças de batom, esmalte e salto alto, por mais que elas adorem – mas também adoram se vestir de índio, de caipira e de abóbora, e se pudessem só saíam na rua de uniforme do Batman ou de Menina Superpoderosa até os 9 anos, é bom lembrar – pra mim são assustadoras, parecem anãzinhas fogosas, hohoho (imagino o que isso vai causar no sitemeter). Mas as velhinhas botocadas, lipadas e (só pode ser) lobotomizadas são pior do que esquisitas, são patéticas, tristes, deprimentes. Porque as crianças, mesmo que sejam ridículas agora, pelo menos estão ensaiando seus futuros papéis, que assumirão com propriedade algum dia. Mas as vovozetas, tadinhas, essas são almas penadas, se agarrando a uma vida que não é mais a delas, arrastando correntes de comentários sarcásticos enquanto se acham lindas, tentando emitir ondas de atração sexual para os amiguinhos das filhas que as chamam de “tia”, feito Blanches Dubois com bisturi e seringa em vez de lanterna japonesa. E a gente sabe muito bem como acaba a Blanche Dubois.
Falou a mulher de 39 que até hoje se veste como se vestia aos 16 – jeans, camiseta larga, (às vezes com a gola cortada) e tênis All Star... Mas digo em minha defesa que pelo menos não deixo o barrigão de fora, não estou ficando loira e gatos siameses me mordam se algum dia eu injetar bactérias letais na minha testa ou colocar silicone nos locais que um dia foram redondos e hoje não tão mais.
O sitemeter às vezes me mete medo. Papel+ parede+Ferrari não combina com o cafofo mas tudo bem, coroas+gordinhas+safadas é até engraçado e de certo modo chega a fazer bem ao ego, mas sexo+bizarro+com+dogs é demais !! Gente esquisita... e onde é que tá a PETA, que não vê isso ?
Eu sei que os funcionários da CEF devem ter ótimas e importantes razões pra sua greve, e espero sinceramente que suas reivindicações sejam atendidas, mas, do fundo sinistro e obscuro do meu egoísmo tenebroso, também espero que demore uns bons dez dias. É que nunca foi tão fácil estacionar aqui na porta da agência...
Sabe o que aconteceu aqui ontem à noite ? CHOVEU !!! Fiquei tão feliz que nem quero saber se a chuva foi filha única de mãe viúva, se só serviu pra melhor cozinhar a gente no vapor hoje, nem se o pato é macho, a mula é manca ou quem é o defunto. Só sei que a temperatura, ainda que por pouco tempo, caiu mais de 10 graus, que meu pára-brisas ficou transparente de novo e que o vento fresquinho que entrava pela janela de casa tinha o perfume mais gostoso do mundo : terra molhada depois de meses de sede. I could have danced all night, I could have danced all night… just singin’ and dancin’ in the rain !
Pense numa pessoa intelectualmente prejudicada. Não, esqueçamos o politicamente correto e sejamos honestos : pense numa pessoa burra, mesmo. Muito, muito, extremamente, absurdamente, assustadoramente, inacreditavelmente burra. Uma toupeira considerada imbecil pelas próprias toupeiras. Uma criatura daquelas que não dá pra entender como conseguiram chegar à idade adulta sem morrer de pura estultice pelo caminho. Você olha, olha, e não consegue imaginar como aquela forma de vida humanóide chegou a aprender a atravessar a rua, olhar as horas, amarrar os cadarços, limpar a própria bunda. Tudo bem, a geração mais nova ainda tem o auxílio do relógio digital e dos tênis com velcro, mas a bunda continua lá, e continua precisando ser limpa, né ? Pois imagine que um cara desses, portador de QI de dois dígitos, analfabeto funcional - com o agravante da total indisposição pra sequer tentar ler qualquer coisa que não seja “Francillaynne gosta de caminhadas à beira-mar, de andar a cavalo e de homens fortes e sinceros” – consiga crescer sem entrar pra lista do Darwin Awards; que chegue a entrar numa faculdade (provavelmente de propaganda, e paga, claro), se forme, estagie numa empresa e aprenda a empurrar botõezinhos e clicar em mousezinhos. Lindo, sensacional, viva a inclusão. Mas isso lá é motivo pra colocar esta besta hexagonal (quadrada é pouco), esse babaca de argola, essa anta agônica pra editar MEUS comerciais ? E o pior é que eu tenho certeza que esse só sai da ilha se for pra virar diretor...
Eu tenho a boca mais rápida que o cérebro. Vivendo na terra de Marlboro, é bem possível que qualquer dia eu amanheça com a boca cheia de formiga. Anteontem, assistindo ao Colateral (gostei, aliás), na hora da cena do blackout, com a promotora negra apavorada na biblioteca escura, a figura à minha frente no cinema faz sua piadinha racista : “Fecha o olho senão ele te acha.” A namorada ajuda : “E a boca”. Eu abro a minha e sussurro, sem pensar, e certamente sendo ouvida por umas três fileiras : BABACA.
Ontem, no supermercado, eu com minha roupinha de grávida – nunca estive, não estou nem vou estar, mas é confortável, deixa minha pança livre e é fresquinha – vou me encaminhando pro caixa mais vazio quando leio “Caixa para idosos, gestantes e deficientes físicos”. Como minhas deficiências são todas mentais e idosa é a véia, desviei e fui no caixa ao lado, com fila, claro. Em seguida, uma cinqüentona safa entra lá na fila especial, e escuto um homem a três metros de mim falando mal da outra e “bem” de mim : “Pô, a que tá barriguda não entrou no caixa especial e aquela lá entra”. E eu, no meu cochicho de teatro : “barriguda é a...”
Hoje, parada no sinal, atrás de uns três outros carros, menos de meio segundo depois da luz ficar verde o cara de trás, numa pick-up (argh) modernosa buzina longamente, como se o mundo o estivesse atrapalhando. A fila começa a andar, ele já desvia meio cantando pneu e emparelha com meu carro, enquanto eu comento, de mim pra mim mesma, sem nem olhar antes se o cara tava de chapéu, “esse povo de pau pequeno é fogo...” Eu sei, minha bocona ainda vai ser o meu fim.
Schwarzenegger sanciona lei em favor dos homossexuais (14/09/2004)
Não me entendam mal, não tô reclamando não, achei muito legal. Mas não dava pra contar o que foi que ele tomou ? É que tá assim de gente precisando de uma dose...
Não foi de uma vez só, não, foi aos poucos que eu o matei. Ele atrapalhava muito, sabe ? E me fazia engolir muitos sapos, dos grandes, cujo gosto horrível ainda não saiu da minha memória. Não era um sujeito mau, pelo contrário, mas a sua mania de colocar os sentimentos, desejos e motivações dos outros, de praticamente qualquer um, acima dos meus, me deixava muito, mas muito indignada. Quando resolvi lutar contra ele, ali pelo fim da adolescência, eu não pensava em assassinato. Só pretendia dominá-lo um pouco, mostrar quem mandava, deixar espaço pros seus dois irmãos mais velhos (porém mais infantis) se expressarem. Não foi de uma hora pra outra, também. Era um golpe aqui, uma asfixiazinha ali, um Thorazine aplicado na veia do pescoço de vez em quando... acho que esses maus-tratos foram enfraquecendo, envenenando o cara, e de repente, quando fui prestar atenção, ele já estava morto, e pelo jeito, há um bom tempo. Pelo menos não fedeu : foi até o fim um perfeito representante de sua raça, sutil, discreto, perfectly proper, pensando mais nos outros do que em si. Secou, diminuiu, virou praticamente uma ameixa seca, uma uva-passa jogada num canto escuro. Pra mim, não fez muita falta. Para as pessoas à minha volta, certamente faz muita. Tenho certeza de que todas, ou praticamente todas, preferiam a minha companhia quando ele estava sempre junto, me podando e vigiando. Às vezes eu sinto um minúsculo lampejo dele, mas acho que não é sua alma, ou loucura parecida. É que com tantos anos de convivência, eu certamente absorvi um pouquinho dele, uma parte impossível de matar. Apesar de tudo, eu gosto disso, dessa sobrevida dele em mim. Seria muito difícil viver completamente sem meu superego.
Ainda sobre o clima ultra-árido : a pele tá um horror, os olhos secos, os lábios escamosos, a garganta um deserto, a mucosa nasal sangrando à toa, à toa... mas em compensação, mofo não existe, calças jeans e toalhas secam num instante e o sal jorra tão fácil e tão soltinho que a gente nem precisa bater na bundinha do saleiro. Uau, que consolo.
... é, do hipopótamo Zeno, que foi me falar, há uns meses, desse site aqui. Agora eu tô aqui maldizendo minha pobreza, porque quero comprar uns CDs mais caros do que meu orçamento permite. Claro que eu posso escolher os mais baratos, claro. Mas cês não tão einteindeindo : é Cole Porter, que eu amo loucamente, alucinadamente, ensandecida(hohho)mente. E o diabo do homem era prolífico pra caramba, tem músicas de que eu nunca tinha ouvido falar e até algumas que nunca haviam sido publicadas (é assim que se fala ?) antes. O problema é que eu não quero o mais barato. Eu não quero um. Eu quero 53. Eu quero TODOS !!! E nem joguei na Mega-Sena acumulada...
Update : lá tem Tom Waits pacaraia também... e o DVD de Producers, do Mel Brooks... buáááá...
Eu (felizmente) não vi, mas fontes fidedignas dizem que, no debate entre os candidatos a prefeito - ou os pré-prebostes, ou mais adequadamente ainda, os probóscides - um lá deles disse que o que outro tinha falado era uma sandice. Nisso, um terceiro pede direito de resposta, mesmo que ninguém estivesse falando de sua triste figura. Mas o cara ficou cheio de razão e se achando ofendido. É que o nome dele é Sandes...
A campanha para prefeito em Goiânia está uma tristeza. Os candidatos são ou figurinhas da mídia – tem radialista meloso metido a Oprah, apresentadora de programa mundo-cão disfarçado de “voz da comunidade” – ou políticos já testados, e não necessariamente aprovados : o songa no poder pedindo mais 4 anos e a raposa velha populista querendo voltar a ele depois de um looongo e merecido inverno. A preguiça do eleitor com tudo isso não poderia ter sido mais bem descrita do que o adesivo que eu vi hoje de manhã no vidro de um carro. O mais legal é que só pode ter sido “customizado”, feito com partes recortadas de outros adesivos, do contrário eu já teria visto antes. Alguém muito decepcionado com o ex-governador e ex-ministro Ir*s Re*ende tascou no vidro de trás, em letras enormes, seu protesto : MENTÍRIS. É o trapalhão que faltava dando as caras na eleição da cidade florida...
Eu gostei do filme do Shyamalan. Gostei mesmo, fazer o quê. E agora estou empatada com o cara : adivinhei o gimmick, o thingamajig, o watchamaycallit do Sixth Sense e do The Village, boiei legal no Unbreakable e Signs. Agora é só esperar pelo tiebreaker. Mas eles exageraram tanto na campanha publicitária deste, brincando de Hitchcock e criando expectativas que o filme não cumpre, que não posso evitar de imaginar como é que vão fazer a campanha do próximo. A julgar pela de agora, vai ser algo como “Não conte o final deste filme. Sério, não conte mesmo. Escuta aqui : você está proibido, não, você está TERMINANTEMENTE PROIBIDO de contar o final deste filme. Sem brincadeira, quem contar o final desse filme vai se arrepender de ter nascido, valeu ? Seguinte, preibói, se tu contar o final desse filme, nós vamo invadir sua casa, envenenar tua mulher, estuprar seu cachorro, fazer ‘cósca’ na tua sogra, esconder seu controle remoto e dar café com Coca-Cola e Reativan pros teus filhos, tá ligado ? Conta, se tu for macho !!”
Em mais uma prova de imbecilidade e descaso por nós, trabalhadores coitadinhos, a direção aqui do boteco resolveu mandar dedetizar o local ontem, no fim do dia. Não poderia ter sido antes do feriado, nem poderia esperar até amanhã, liberando todo mundo de vir no sábado, claro. Não foi levado em consideração que redação e arte ficam em salas fechadas, sem ventilação, cujas únicas “janelas” são vidrões feitos unicamente pra que big brother e big sister possam melhor watch us e monitorar nossas aventuras pela internet, MSN e correlatos e, quem sabe, até cronometrar o tempo que passamos trabalhando (i.e. digitando, no entender dos luminares do pensamento ocidental E oriental). O cheiro que tá nessa sala é indescritível. Basta dizer que há fortes probabilidades de que todo mundo aqui amanheça com as patinhas pra cima e as antenas durinhas.
Desde seu mais recente piripaque, aquele bulímico, que minha menininha está com a barriga raspada – foi preciso pro ultra-som, e puta merda, como demora pêlo de gato pra crescer de novo - , e está engraçada, o pêlo parecendo um spencer de pele usado com barriga de fora por uma garota de tez muito clara. No começo ela ficava um pouquinho desconfiada com essa nudez involuntária, mas nos dias de calor do cão dos infernos que estão rolando por aqui ultimamente, dá pra ver que agora está feliz da vida : toda vez que tem uma chance, se esparrama na cerâmica ou no chão em frente à geladeira, sempre que a gente abre (ao contrário do Calvin, ela ainda não consegue a façanha de abri-la sozinha, Graças a Zeus.), a barriguinha pelada encostando no chão friinho... e um sorrisinho-mona-lisa no rosto. Juro.
Se você também anda entusiasmada com cozinha e encontrar por aí um saquinho de “frutos do mar para paella” congelados, não compre. Ou só compre se tiver a oriental paciência de separar mariscos e camarões da lula e do polvo. Cada um tem um tempo de cozimento diferente para ficar saboroso e macio, e se você cozinhar tudo junto, um fica bom e os outros ficam duros e borrachudos. Claro que você já sabia disso. Eu também sabia, mas resolvi confiar nas instruções do fabricante e achei que ele saberia mais do que eu. Será que eu sou a última consumidora inocente do Brasil, ou foi trabalhando nesse muquifo que eu acabei tão burrinha assim ?
Ele : Eu acho que a assassina é aquela ali, ó, olhando pra ele com concupiscência
Ela : Com o cu o quê ?
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A feijoada completa (completa não, faltou a ambulância na porta) foi boa. Horas depois, procurando alguma coisa, ela entra no banheiro dele, minutos depois dele sair. Ele vem correndo, tentando impedir.
Ele, apavorado : O que cê vai fazer aí ?
Ela, esverdeada : Pelo jeito, morrer...
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Falando sobre o valor absurdo da taxa do condomínio :
Ele : O prédio então tem 4 funcionários, depois que o Avelino foi embora.
Ela : Ele foi embora ?
Ele : Tomara, porque demoliram toda a casa dele. Se não foi, deve estar bem machucado...
Juro que não tô reclamando ainda, só achando graça : acabei de descobrir que o nome da empresa de uns cantores românticos (leia-se sertanejos) aí, que a agência onde eu tô atende, e que sempre achei meio “culto” demais para os proprietários que tem, na verdade não é o que eu pensava. Deixa ver como eu conto isso sem revelar demais... ah, sim. Suponhamos que o nome da empresa fosse, digamos, Usbeque. E aí hoje eu escuto a menina da arte contando aos outros que na verdade não é o que a gente pensa, porque quando ela fez uma logomarca pros caras – e depois de pesquisar um bocado a respeito do Uzbequistão – e a logo foi recusada, eles finalmente explicaram pra coitadinha que o nome não tem nada a ver com geografia ou países exóticos : é que eles, hã, hum, já sei : eles sempre gostaram muito de futebol*, e quando pequenos, o pai ensinava a escapar da defesa chamando os zagueiros pelo nome antigo : “os beque” isso, “os beque” aquilo... É a Daslu fazendo escola, hahaha.
*O nome e a estorinha que o explica foram mudados para proteger meu traseiro, mas o espírito da coisa e o atentado ao plural foram mantidos.
A vida tá uma droga, a grana tá curta, o trabalho tá uma merda, o espelho dá vontade de chorar, as perspectivas de melhora a curto prazo em qualquer um desses aspectos são bem próximas de zero – não digo próximas de que lado pra não piorar ainda mais – , e só não baixa um Hamlet de saia (For who would bear (...) The oppressor's wrong, the proud man's contumely, (...) When he himself might his quietus make / With a bare bodkin?) por causa do carinha que hoje cedo, do nada, sem data especial e sem motivo, resolve me trazer café na cama, e ainda pede desculpas por não ter uma rosa na bandeja... ai, ai... eu posso até ter pregado chiclete debaixo da mesa da santa ceia, mas alguma coisa muito, muito boa eu devo ter feito depois disso. Tô tão felizinha que prometo ficar 54 minutos sem reclamar da vida... talvez até 55.
E se fosse com você ? Você começaria a tomar calmante todo santo dia ou criaria coragem e pediria as contas (num emprego que paga relativamente bem, mas que anda te deixando doente) sem ter nada em vista ? Você esqueceria 22 anos de profissão relativamente bem-sucedidos e tentaria fazer QUALQUER outra coisa, incluindo secretariar algum executivo meia-boca – if you’re that lucky - , e sair pedindo emprego de quase qualquer tipo pra amigos e conhecidos, sabendo que pode não conseguir, e mesmo que pinte alguma coisa, que você não vai ganhar nem um terço do que ganha hoje e trabalhar tanto quanto ou mais ? Você teria coragem de, depois de ser independente desde os 17 anos, vender o carro, tornar-se um ser improdutivo, ficar sabe-se lá quanto tempo pendurada financeiramente no seu marido, bancando a dona-de-casa e tentando perder os 30 kg de pura infelicidade que você acumulou nos últimos anos ? Não digo que aqui você decide, mas sinceramente gostaria de saber sua opinião. Manda bala.