NA GRAMA COM MARADONA

Falta de assunto (e do que fazer) é assim mesmo. Ontem vi uma "notícia" de que, num jogo beneficente , com craques coroas dos dois lados (Zicão tava lá, e fez gol lindo), Maradona dominou uma bola com a bunda. A foto taí, mas não consigo me decidir por uma legenda. Ajudem aí, pessoas :

Nutbuster ?!

a) O galinho tava no jogo, mas foi Maradona quem botou o ovo

b) Dieguinho que come a bola sabe o cool© que tem

c) Argentino, quando não caga no treino, caga na partida

d) Peraí, Diego, tentar acertar a bola no buraco é golfe !

e) Três bolas em jogo não é falta ? (ou excesso ?)

f) Antigamente a branquinha entrava era pelo nariz...

g) Não é só o Ronaldo que gosta de sentir bola atrás.

h) Foi o cool© de Deus.



Escrito por Cynthia às 22h02
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DECAMEMOM

ou MEUS DEZ MÃE-DAMENTOS

 

ou ainda TEXTO PIEGAS, TÍTULO COM TROCADILHOS QUE NEM MÃE PERDOA

 

 ... a cara da mãe ?!

Foi assim : não esperavam mais nada, veio outra barriga. Aí esperavam um menino, veio (vim) menina. De novo. Pela terceira vez. E uma menina que não era nem tão boazinha quanto a primeira nem tão bonita quanto a segunda, e bagunceira, preguiçosa, ferozmente tímida, totalmente diferente do que deveria. Talvez por esses motivos, talvez por vários outros, enquanto eu crescia, nossa convivência nunca foi fácil, e algumas (várias) vezes eu cheguei a achar que seria impossível. Várias vezes foi, mesmo, impossível, mas como não havia outro jeito, continuamos convivendo.  Para sorte de nós duas, quando eu estava no auge da adolescência, meu pai arrumou uns empregos bem longe de casa e lá se foi ela com ele, me dando um pouco mais de espaço e liberdade de ir e vir - e uma piadinha de estimação que usei dos meus 16 aos 30 e poucos anos, sempre que me perguntavam se eu morava sozinha: “Eu moro com os meus pais, sim. Eles é que não moram comigo”. Primeiro foram pro Iraque, depois pra Manaus, e  por fim para Brasília.

Pouco depois que voltaram, e a distância diminuiu de milhares ou centenas de km pra poucos metros, eu me casei e me mandei. Coincidentemente (hah), assim que eu fui embora, tudo foi ficando melhor, mais simples, mais agradável. Principalmente depois que eu percebi :

 

1- que durante boa parte do tempo então, e até hoje, ela também não era mais do que uma menina, insegura, perdida e muito machucada, que não sabia direito o que fazer, dizer ou sentir, mas tinha que fazer de conta que sim, e acabou acreditando que sabia tudo, e mais que qualquer um, e para sempre;

 

2- que de alguma forma, e muito graças a ela, eu acabava sendo a mais forte das duas, e portanto podia – e devia, e descobri que nem precisava fazer muita força – perdoar o que precisava de perdão, agradecer o que havia para ser grata, dar bronca quando fosse o caso, deixar passar quando fosse a hora, e amar sempre, sem  ficar o tempo todo marcando pontos num livrinho preto, ensebado, rancoroso, e pesado, pesado, pesado demais;

 

3- que quando eu consegui vê-la como a menina que foi – e ainda era, é e sempre vai ser -, freqüentemente eu tinha (e tenho) vontade de fazê-la ficar bem pequenininha, pegá-la no colo, cantar pra ela e prometer que não, ninguém mais, nunca mais, vai machucá-la de novo;

 

4- que eu já era bem grandinha pra querer fazer birrinha e exigir que me amassem nos meus termos, e entender que cada um nos ama como pode,  não como quer, e mesmo se isso nos parece insuficiente, às vezes é até mais do que a gente precisa - ou merece;

 

5- que apesar de tudo, em geral eu gosto do resultado das ações e idéias dela em mim – mesmo aquelas com as quais eu não concordo em nada, e justamente por isso;

 

6- que seria mesmo impossível pra alguém que viveu sempre para os outros, e abafou seus talentos, desejos e vocações pra se dedicar unicamente aos outros, não acabar com uma carência que jamais foi nem será preenchida por ninguém, a não ser que fosse santa ou doida de pedra;

 

7- que além de tudo, ela é um espelho mágico, no qual eu posso – por mais que seja difícil – escolher os detalhes que eu quero ou não que me reflitam, e que tem vários que eu quero, sim;

 

8- que podia ter sido pior, ou podia ter sido melhor, mas que chorar sobre o leite derramado é inútil, chato e só aumenta a quantidade de líquido e de bagunça pra limpar depois;

 

9- que se ela morrer antes de mim, eu vou pensar, lembrar, morrer de saudades, chorar e querer ligar pra ela dezesseis vezes por dia, todo dia, pro resto da vida;

 

10 – que na pior noite da minha vida, com dores e medos sem nome, imensos, distorcidos e cruéis triturando meus ossos e chupando minha medula no escuro (hmm, ossobuco de Cynthia...), com um corte de mais de um palmo na barriga, pontos que pareciam autópsia fechando aquele vazio todo, um tubo cheio do que só podia ser tabasco incolor enfiado na veia do meu braço e um total desamparo tirando meu fôlego, mesmo com o amor da minha vida deitado no sofá ao lado, finalmente adormecido e ressonando baixinho, eu dei um jeito de pegar meu celular, e chorando baixinho, quem eu chamei, sabendo que viria, e veio, foi ela, foi ela, foi ela...

 

Depois que eu percebi tudo isso, sem muito estardalhaço eu fui fazendo as pazes com ela, comigo, com minha infância, minha adolescência, minhas neuras, com tudo. Não tô 100% zen não, nem sei se estarei algum dia, mas tô no caminho, acho. E hoje posso dizer que, se eu acreditasse em Deus, agradeceria sim, muito e diariamente, pela mãe que tenho, com todos os seus muitos defeitos e inumeráveis qualidades.

Eu não preciso nem quero (e nem posso) gestar e parir e criar alguém pra saber que ser mãe não é fácil. Mas sei muito bem que ser filha também não. A vantagem é que, depois de quase 43 anos treinando, finalmente acho que posso parar de complicar e - em vez de dizer pra ela um décimo do que eu escrevi aqui, e que provavelmente iria descer do jeito errado e machucá-la, o que é tudo o que eu não quero – contar pra minha mãe só uma resumidíssima versão, pequenina, sólida, simples e límpida feito um diamante (de poucos quilates, mas absolutamente verdadeiro), entregue junto com um abraço de tamanduá halterofilista : “Êêêêê, veinha maluca, cê não tem idéia do quanto eu te amo !!”.



Escrito por Cynthia às 02h52
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PUXANDO O FREIO

Navegando por aí, nos meus blogs de sempre, primeiro vi isto. Depois, aqui e ali, e mais além, até em blogs que eu não conhecia - alguns deles sensacionais -, dei de cara com isto. Humana que sou, meu primeiro reflexo foi me revoltar, botar um selo no blog e aderir ao boicote, lógico. Igual a qualquer outra pessoa normal, logo vi a coisa como um David X Golias, e imediatamente passei a torcer pelo pequeno e a tentar ajudá-lo a catar pedra pra derrubar o gigante – ou pelo menos tontear o bicho. Mas logo depois pensei se agir assim não me tornava uma espécie de aldeão com archote, no meio da turba descabelada e sedenta de sangue, correndo atrás do que me parecia ser um monstro. Me perguntei se com isso eu não estava a um passo de virar o tipo de pessoa que acha uma boa idéia depredar a escola Base ou acampar no jardim dos Narrrdoni esperando participar de um linchamento. Por isso pergunto, a quem puder responder, e correndo o risco de levar pedrada, se neste caso em especial os dois lados foram ouvidos e as duas versões investigadas a fundo e a sério quanto à sua veracidade. No site do empregador tem isto aqui, que pode ou não ser a realidade, mas pelo menos dá a versão do monstro outro lado, que aparentemente a maioria das pessoas não se interessou muito em ouvir. Será que algum outro jornalista, imparcial e determinado, foi atrás da história pra ver quem está falando a verdade ? Acho que seria bom, hem ? Enquanto isso não acontece, não compro livros lá (e se as minhas finanças continuarem como estão, coitadas, acho que nem em nenhum outro lugar, por um bom tempo). Se uma investigação jornalística de qualidade for feita, e ficar provado que a empresa não fez o que o funcionário diz, volto a comprar da que, até hoje à noite, era minha livraria favorita. Se ficar claro que estão sendo mesmo fdp, boicote neles, e não é por uns meses, não, é pra sempre. Afinal, um pouquinho de burrice ou modismo empresarial a gente ainda perdoa. Mas ganância cega, revestida de mau-caratismo e maldade pura e simples, aí também já é demais.



Escrito por Cynthia às 03h19
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SOLTANDO FUMAÇA - E FOGO E UMAS BRASINHAS TAMBÉM

Se eu tivesse que descrever o brasileiro médio - aquele que, na verdade, representa a esmagadora maioria da população, eu não viria com "homem cordial", "antes de tudo um forte", "trabalhador e festeiro" nem nenhuma outra dessas pílulas docinhas e douradas, não. Eu diria o que realmente acho : que o brasileiro típico não é nada além de um idiota, e da pior categoria :  o imbecil metido a esperto, do tipo que dá um tiro no próprio pé e deixa gangrenar só pra poder furar a fila no ponto de ônibus... e ainda acha que está sendo super safo e levando vantagem sobre os "otários". Mas não levem a mal essa fúria toda, isso é só porque hoje eu tô especialmente puta da vida. Quando eu tô mais calma, eu acho que o brasileiro não é assim não... o ser humano em geral é que é.



Escrito por Cynthia às 14h58
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DO ORGULHO QUE A IMPRENSA BOIANA ME DÁ

ou ENQUANTO ISSO, EM PATÓPOLIS

ou ainda PRA NÃO DIZER QUE EU NÃO FALEI DOS FOCAS

Mas o que foi que essas meninas fizeram pra serem denunciadas ?

...e a bobona aqui pensando que as denúncias eram contra a violência, ou melhor, contra as pessoas que maltratam, violentam e/ou matam crianças indefesas, e não contra as próprias - que ao que eu saiba, eram as vítimas. Mas quem sou eu pra dar palpite, né ? Todo mundo no Brasil tá cansado de saber que jornalistas não erram jamais e que o que passa pelos corretores ortográfico e gramatical do ween-dohs tá automaticamente correto e perfeito. A única saída é eu me recolher à minha insignificância e, só pra minorar minha dor, sugerir que, pelo menos, mudemos o apelidim da última flor do Lácio de “inculta e bela” pra “doida e perigosa”, esqueçamos seu passado de esplendor e joguemos logo um caminhão de cal na sepultura. (Pergunta o(a) bravo(a) e jovem - espero - repórter ao seu chefe : "mas é 'na' ou 'contra' a sepultura, tio ?". E o meu editor imaginário dá de ombros : "Tanto faz. O que couber melhor na manchete.").



Escrito por Cynthia às 02h49
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ALTERNATIVE LIFESTYLE É ISSO AÍ.

Gatim e eu devemos mesmo ser uns pervertidos, uns tarados escrotos sem preceito, sem vergonha na cara e sem noção. Ou isso ou nós faltamos à aula no dia em que explicaram que é obrigatório odiar seu cônjuge, no máximo a partir de dois anos de casamento, e falar sempre mal dele, e tratá-lo como a um(a) irmã(o) especialmente irritante, e fazer piadinhas derrogatórias sobre sua inteligência/aparência/capacidade, e ser infiel sempre que possível, e continuar juntos só por preguiça. Só isso pra explicar por que tanta gente nos acha um casal esquisito e/ou antinatural (ou tem certeza de que nós somos uns falsos) só porque até hoje, 10 anos depois, a gente ainda se ama, se gosta, e aprecia tão profundamente a companhia, as idéias, a voz, o toque um do outro, e tem tanto assunto e tanta saudade no fim do dia, mesmo se comunicando por MSN o tempo todo. Deve ser esta nossa inominável perversão que faz com que a gente ainda se trate com uma delicadeza e educação que a maioria das pessoas mal dispensa a estranhos, raramente a amigos e nunca a parentes ou maridos/mulheres. Só isso pra explicar por que, num bar cheio de gente, o barrigudão sentado sozinho por horas escolheu justo o gatim pra chamar (via recadinho pelo garçom) pra jogar sinuca com ele, e ainda ficar chateado – e vir tirar satisfa COMIGO, assim que o gatim foi ao banheiro – quando ele recusou delicadamente. Se havia pelo menos outras 10 mesas, com duplas, trios ou turmas de amigos (a maioria só de homens) jogando, se o fofão não era gay – e mesmo que fosse, seria preciso muita cara-de-pau pra cantar um cara junto com a mulher, né não ? – e se nós estávamos tão obviamente nos divertindo, nos bastando e morrendo de rir com nossas piadinhas particulares, mal notando o resto do mundo à nossa volta, por que ele foi escolher justo o meu barbudinho de camisa florida pra jogar a leite de pato com ele e tirá-lo de sua solidão pública, notória, e me desculpem a maldade, muito merecida ? Simples. Só pode ser porque pra um cara desses, assim como pra muita gente – até bem menos tosca e menos bêbada que ele, infelizmente -, o gatim não podia estar seriamente gostando daquilo, e tinha que ser salvo, imediatamente, do destino pior-que-a-morte de ter que se divertir, oh, abominação, com a própria mulher.



Escrito por Cynthia às 16h39
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DIÁLOGOS BOBOS E TROCADALHOS IMBECIS

- Ih, amore, acho que agora além de redator full-time, único revisor confiável e atendimento bissexto, cê pode começar a fazer lobby, também.

- Uai, por quê ?

- Olha só o tamanho dos pêlos nascendo aqui nas suas orelhas... estas são a marca de um verdadeiro lobbysomem, hahaha...

 


- Olha só que estranho, seu cursor fica andando sozinho, mesmo sem ninguém mexendo nele...

- Ah, é. Meu computador é assim mesmo, mouse-assombrado.

 


- Uau, cê sabia disso, que de tanto ficar confinado, todo boi de rodeio acaba virando homossexual ?

- Claro, claro. Inclusive é daí que vem a gíria.

- Que gíria ?

- Boi-ola...

- Aaaaarrrggghhh...


- Coisa mais esquisita essa doença... a pessoa come tudo o que vê pela frente, seja alimento ou não. Até moeda, chave, bolinha de gude... um cara no Grey’s Anatomy comeu até uma tesoura !

- Ah, mas com esse nome, só podia, né ?

- Como assim, o que é que tem o nome ?

- O nome da doença é “Pica”, né ?

- É. E... ?

- ... então, o nome já entrega : quem tem pica, come tudo o que aparecer, e o resto do corpo é que padece depois... 


- Putz, essa mania de cirurgia plástica tá braba mesmo. Até o Jumento tava falando em fazer.

- Quem ?!

- O cara que lava carro lá perto da agência. Ele tava falando outro dia que quer fazer uma lipo, porque tá com a barriga muito grande e a mulherada não anda querendo mais nada com ele...

- Puta merda, se nem com um apelido desses ele tá arrumando mulher, deve ser uma barriga e tanto mesmo.


- E aí, lindinha, o seu risoto de frutos do mar ficou bom ?

- Puta merda, ficou sensacional. Tô quase pedindo minha própria mão em casamento.

- Hehehehe...

- Mas também, normal, né ? Eu já venho me f*dendo há tanto tempo que já tava mais do que na hora de formalizar a relação...

 



Escrito por Cynthia às 17h26
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ONTEM FOI O DIA INTERNACIONAL DA ANTA !!

Felizmente, parece que a comemoração não requer que se presenteie as antas metafóricas da família, coleguinhas ou conhecidas... ou meu dinheiro não ia dar.

Fofa, fofa, fofa

Agora, falando sério, pra quem tiver interesse pela espécie, ameaçada (não por mim, não por mim, que eu não ameaço ninguém, por mais anta que seja), tem informações aqui, ó : http://www.tapirday.org



Escrito por Cynthia às 13h53
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DO ORGULHO QUE A PROPAGANDA BOIANA ME DÁ

ou ... E DEPOIS EU É QUE SOU IMPLICANTE

ou ainda SERÁ QUE EU MEREÇO MESMO ABRIR UM JORNAL E VER ISTO ?

eu não mereSSo...

Sério, gente, eu nem ia falar nada, mas não agüento : será que é mesmo TÃO difícil, depois de estudar por no mínimo 15 anos, um animalzinho desses botar seus bravos neurônios Tico e Teco (ou Pinky e Vácuo) pra funcionar por meio segundo, só o suficiente pra perceber que Ç só se usa antes de A, O e U ? Será que os "redatores" publicitários boianos acreditam mesmo que a pronúncia da letra C antes de qualquer vogal é igual à da letra K, tipo ka, ke, ki, ko ? E se for, por que eles não deixam a titia velha, chata e implicante aqui contente uma vez na vida e vão todos tomar nos seus respectivos e anal-fabetíssimos Çus ?



Escrito por Cynthia às 14h48
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TEORIA DA CONSTIPAÇÃO, OPS, CONSPIRAÇÃO

Eu tenho certeza absoluta de que os culpados pelo(s?) terremoto(s ?) em São Paulo foram uns certos ETs babões, assíduos freqüentadores da cidadezinha de Springfield, situada em local incerto e não sabido  - de certo, só se sabe que fica no território dos EUA. É que os habitantes de Rigel VII vivem ligados nas transmissões de TV da Terra - são fãs de seriados americanos antigos - e não agüentavam mais interceptar "notícias" do Brasil sobre os milhares de malas, débeis mentais, desocupados e parasitas de todos os tipos, determinados a tirar uma casquinha da mídia no caso da menininha assassinada.  Com sua poderosa e superior tecnologia empregada a serviço do mal (há males que vêm pro bem, é bom lembrar), mandaram aqui pra baixo um abalo sísmico de leve, só pra ver se pelo menos o pessoal da “imprensa” virava o disco. Se o circo não parar logo, prevejo para breve furacões, erupções vulcânicas e talvez até um tsunamizinho ou dois em Santos ou no Guarujá... ou até coisa pior : um dilúvio completo, daqueles de deixar o do Noé na poeira. Com a diferença que o que vai cair não vai ser água... nem baba de anjo.

Star Trek também serve !



Escrito por Cynthia às 23h29
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AVE, CAESARINA. EGO PRECOR PIETATEM TUAM.

Assim como tem muito protestante que acha que pode comprar seu lugar no paraíso, e muito católico que acredita que não precisa ajudar ninguém, também tem muito espiritualista (é isso mesmo ?) que acredita em reencarnação, mas não de forma incondicional : só acreditam mesmo  pra valer se isso significar que, em vidas passadas, eles(as) foram reis, princesas, papas, imperadores, espiões, estrelas do palco e do cinema, enfim : gente graúda, importante, bonita, gostosa, poderosa e de preferência cheia da grana. Infelizmente, o mundo sempre teve bem mais pobres-coitados que chiques-e-famosos, portanto, pra eles estarem certos, só o corpo de uma das primeiras colocadas no ranking do "eu já fui ela", a pobrezinha da Cleópatra, por exemplo, precisaria ter sido habitado por zilhões de diferentes espíritos, um pra cada dia de vida, ou até um pra cada hora do dia, pra dar conta da procura. Se computarmos aí os que, espíritos evoluídos que são, não têm preconceito de raça (no sentido de espécie),  a coisa fica ainda mais improvável, já que, segundo a metempsicose,  tudo que respira tem o direito de reencarnar em qualquer outro ser vivo, seja ele humano, animal, vegetal ou até, sei lá, o Eu(muito)rico  Miranda. Eu acho, inclusive, que pra samsara ser realmente justa, este seria o único modelo de reencarnação possível. Por isso, não foi surpresa nenhuma pra mim quando, depois de atacar meus recém-comprados hortifruti, e rolando no chão da cozinha em mais uma manifestação de seu louco amor por folhas de salsão, minha felina filha se encaixou numa pose que subitamente revelou todo o seu passado de glórias : a bela Nina, em uma encarnação passada, foi ninguém menos do que um imperador de Roma. Tendo eliminado a possibilidade de ela ter sido Júlio, o primeiro César, que assim como sua namorada Cléo também deve ter tido um corpinho com mais rotatividade que motel pra poder comportar todos os que clamam ter passado por lá (alguns têm até a careca e a barriguinha pra provar), Gatim acha que foi Cláudio, já que no dia da foto ela estava um tanto quanto manca. Já eu, que sei que o andar claudicante foi passageiro - resultado de um leve pisão dado sem querer pela empregada -, e que passo mais horas do dia junto dela (e portanto conheço mais a fundo a doce disposição e a amável personalidade de nossa bigoduda mocinha), tenho certeza de que o corpo habitado séculos atrás pelo afável e encantador  espírito da Nina não foi o de Cláudio, mas sim o de seu antecessor. As botinhas pretas, a um só tempo marcas de nascença e direito divino, só fazem confirmar o que a coroa de louros insinuou e seu jeitinho meigo sinaliza desde sempre. E agora mesmo é que eu nunca mais viro as costas pra ela. 

 

Gaia Nina Laureata    Gêmeos, mórbida semelhança



Escrito por Cynthia às 04h36
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FOSSA NEGRA E TARJA PRETA

Ainda bem que quando eu peguei "O Vigia" e "O Vale das Sombras" na locadora no começo da semana, meu lado infantil se manifestou e exigiu "Encantada” e "Bee Movie" pra contrabalançar. Sim, porque se por um lado é um alívio ver filmes feitos para adultos de verdade - e não para eternos adolescentes presos em corpinhos de 20, 30, 40 e 50, como parece ser a regra Hollywoodiana para a década de 00 - , por outro é preciso fugir um pouco da realidade de vez em quando pra não pirar. Verdade que os filmes deprimentes são bem melhores do que os antidepressivos, mas pra mim, que já fui meigamente chamada (pelo ex-namorado dos infernos) de "ovo da casca mole" zilhões de vezes, e que em termos de fuga e escapismo deixo Houdini e J.S. Bach no chinelo, mais vale um filminho feel-good mediano do que um pé-na-cara sensacional. E agora torçamos pela minha sanidade e disposição de continuar passando pelas janelas abertas no feriadão, porque hoje foi o gatim quem escolheu os filmes do finde, e ele ignorou completamente a seção de comédias e contos de fadas mal-disfarçados. Acho que escaparei sem maiores traumas da Incrível e Triste História do Cândido Jesse James e seu Comparsa Desalmado, e não sei com certeza qual será o grau de achatamento da joie-de-vivre cynthiana de “Bobby” e “O Preço da Coragem”, mas estou razoavelmente convencida de que nem Angelina de rabo nem Ray Winston de barriga de tanquinho serão engraçados o suficiente pra afastar o baixo-astral gerado pela mistura. Bom, podia ser pior. Ele podia gostar de filme iraniano, né ?  

 

Update - óiem só o que o bobão supracitado me fala pelo msn ao ler o post :

"Lindinha, toma umas vodkas e assiste a todos de uma vez, aí você vai achar que o Daniel Pearl foi covardemente assassinado pelo Jesse James e ninguém fez nada porque achou que ele tava crying Beowulf e fazendo todo mundo de Bobby..." 

É o meu Bobbão preferido puxando o samba do cinéfilo doido e levantaaaando a galera do bobódromo, hahaha...       



Escrito por Cynthia às 16h04
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IGUALDADE, ENFIM.

        Eu admito que sou preconceituosa. Aliás, admito em parte : costumo dizer que sou pós-conceituosa, já que abri a guarda várias vezes para diversos representantes dos tipos de pessoa de que eu não gosto, e a maioria já me provou, por atos e/ou palavras, que eu estava coberta de razão em não ir com a cara delas.  Loiras falsas; políticos em geral; donos de caminhonete ou carrão importado; simpáticas(os) profissionais; homens que pintam o cabelo ou que, tendo mais de 30 anos, o prendem em rabos-de-cavalo; celebridades ou celebridinhas© em geral; pessoas que usam óculos modelo aviador; maus motoristas que se acham “os” pilotos; hebefrênicos de todos os modelos; crentes fanáticos; gente que usa camiseta regata pra dentro da calça, ou bermuda com sapato social; gente que gosta, acredita e enche o saco dos outros pra que também gostem e acreditem em palhaçada de auto-ajuda; gente que gosta e impinge a quem não gosta suas músicas bregas, sertanejas, pagodes ou gospel em alto volume; gente com fala recheada de gerundismos ou buzz words e... mais um monte de que eu nem me lembro agora.

        Mas ultimamente, pelo que eu ando vendo aqui em Boiânia, seja no trânsito, no supermercado, no shopping ou mesmo nas áreas comuns do meu prédio, o Sargento Hartman tinha razão : não existem mesmo mais bons motivos pra que se tenha preconceito ou se faça distinção entre ricos, pobres ou classe média, gente com instrução de nível superior, mediana ou analfabetos, gente ao volante de um Pajero  Full ou de um fusquinha full-dido : são (ou talvez seja correto dizer, ainda que um tanto otimisticamente, estão) todos, sem diferença visível, igualmente grossos, mal-educados, babacas, desrespeitosos e, pra resumir, grandessíssimos filhos da puta.



Escrito por Cynthia às 16h37
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NOSSO QUERIDO BOB

         Ontem o gatim e eu perdemos um amigo maravilhoso. Aliás, eu, o gatim e mais uns bons milhares de pessoas, porque o Roberto era do tipo que faz amigos instantaneamente e sem fazer força  - e nem distinção, porque ele era mais democrático que dengue :  de engraxate a governador, de gari a senador da república, qualquer pessoa exposta a ele por mais de cinco minutos não tinha saída a não ser virar seu amigo, fã... ou seu desafeto, e pro resto da vida.  Ressalte-se que pra conseguir desgostar dele, a pessoa tinha que ter algo de muito errado ou podre dentro de si. Felizmente, estes sempre foram minoria.

        Eu tinha feito um longo texto falando dele, não pra louvá-lo,  porque ele nunca precisou disso e porque eu nem era tão próxima a ponto de me investir em sua representante – me encaixo mais na categoria “fã” que amiga, e isso por pura falta de maior convivência. Quer dizer, convivência direta, porque a indireta é das mais fortes : Gatim era amigo-e-fã do Bob há mais de 20 anos, e o diretor de arte com quem eu trabalho agora era tão amigo e fã e colaborador e sócio que acho que faltou pouca coisa pra entrar na categoria “filho”. Por isso, eu sou bombardeada dia e noite, no trabalho e em casa, com frases, tiradas, máximas, manias, histórias e piadas do Bob. E por mais que ouça, nunca deixo de achar ótimas.  Eu quis escrever sobre o Bob mais como um serviço público, para dar aos que não tiveram a sorte de conhecê-lo um gostinho das deliciosas bobagens e do pensamento (para sempre) vivo do grande Robertinho.

        Na verdade, escrevi o texto anterior em casa, no domingo, quando ele ainda estava na UTI com morte cerebral. O coração, grande e forte como sempre, ainda lutou mais dois dias contra o câncer fdp que acabou por vencer a partida. E mais de oito vezes meu word, que nunca foi disso, deu pau e se recusou a salvar o texto. Contei pro gatim, que disse “Se eu acreditasse nessas coisas, ia achar que era o espírito do Bob fazendo molecagem só pra rir da sua cara. Afinal, ele sabe tudo de computador, o velho nerd.” Acreditando ou não, arquivei a idéia. Ontem, durante o velório e enterro, faltou luz na capela durante a missa, e mais tarde, no momento em que os coveiros fecharam a gaveta, relâmpagos fortes brilharam no céu, que estranhamente não tinha uma nuvem, só estrelas. Mais uma vez pensamos “Se a gente acreditasse nisso, ia achar que era o Bob, primeiro fazendo palhaçada na missa e depois chegando lá em cima já fazendo barulho”. Gatim ainda disse que tinha certeza de que ele ia passar batido por São Pedro e procurar São Paulo, só pra mandar o velho santo ir tomar no cu e ainda explicar : "Porque eu sou é corintiano, nhááá !" De qualquer forma, não tentarei ressuscitar o texto que eu tinha escrito, até porque ele acabou virando mais uma lista de qualidades – verdadeiras - do que algo que realmente transmitisse o jeito ao mesmo tempo Baixim e Cumprido, Bob Hoskins e Mel Brooks, Zé Pelintra e São Francisco do Bob. Em vez disso, achei melhor dar a vocês uma amostra real de como ele era em...

 

DIÁLOGOS BOB

 

- Lindo, tem uma mensagem nova aqui no seu celular.

- Lê aí pra mim, por favor.

- “Sem nada pra fazer neste carnaval ? Visite o Robertinho no hospital”.

 

 

*      *      *

 

- ...e um dia você vai carregar meu caixão, Nerso.

- E eu, Bob, que sou seu amigo há muito mais tempo, não vou carregar não ?

- Cê não, Fogoyó, que cê é manco e vai deixar meu caixão cair, vagabundo.

 

*      *      *

 

- ... e aí, apesar de  os executivos de Detroit me implorarem pra eu ficar lá e ensinar marketing pra eles, eu preferi voltar pra Goiânia... mas antes passei na Índia, porque tem uns monges lá que pediram pra eu ir dar uma palestra sobre espiritualidade pra eles...

- Sei, sei. Falar nisso, você já leu “Os últimos passos de Jesus na Índia”, do guru Ranga Sri Navaranda ?

- Já, já. Aliás, li até o volume 2, no original, antes de ser publicado. Sou amigão do autor !

- É mesmo ? Engraçado, rapá.

- Uai, engraçado por quê ? Não posso ter lido o livro, não posso ser amigo do autor ?

- Acho difícil.

- Por quê ?

- É que eu acabei de inventar ele...

 

*      *      *

 

- Ê, Roberto, vai entrar numa grana preta, hem ?

- Por que, ganhei na Mega-Sena e não tô sabendo ?

- Não, é que todo mundo que foi perseguido e preso na ditadura tá processando a União e ganhando dinheiro. Até gente que sofreu bem menos que você. Até aquele seu parente.

- É, mas eu não. Quando eu entrei na luta armada eu sabia no que tava me metendo, agora vou bancar o coitadinho ? E por dinheiro ainda por cima ? Vou ficar gigolando minha biografia, agora ? Eu não.

 

*      *      *

 

- Bob, nós vamos ali fumar Mais Tonha e já voltamos.

- Cuidado, que tem coisa que vicia, viu ?

- Imagina, Bob.

- É mesmo, rapá. Conheço um cara que é tão viciado em cu que no dia em que ele não consegue papar um, ele fuma um rolinho de bosta só pra matar a fissura...

 

*      *      *

 

- Esse cara não é certo não, né, Bob ?

- Vixe, isso aí é doido de cagar amarrado !

- ???

- ...pra não comer a própria merda !

 

*      *      *

 

-... e só depois que ele sair da anestesia é que vamos ver se a cirurgia não afetou o cérebro dele.

- Olha aí, ele tá acordando. Pai, cê tá bem ?

- Obrigado pelo beijo, mas... quem é você, moça ?

- Buáááá...

- Peraí, peraí, papai tá brincando, filha, é brincadeira !

- Sniff...

- Agora chama sua tia lá fora que eu vou fazer a mesma coisa com ela, vai.

 

 

É pouca coisa, eu sei. É difícil demonstrar em poucas linhas tudo o que ele foi em seus 60 muito bem vividos, mas insuficientes anos. Mas em cada uma das milhares de pessoas com quem ele conviveu, a quem ele ajudou, ensinou, esculhambou, sacaneou (mas só de brincadeira), orientou e a quem fez rir tem muitas outras histórias, causos, diálogos, piadas e neologismos aprendidos com o Bob. Cada uma dessas pessoas, espalhadas por aí, vai manter viva a memória e um pouco do avassalador bom humor de que o Bob era a encarnação absoluta. Quanto à alma, bom, eu poderia dizer que ela virou um poltergeist, um passarinho ou um anjo muito escatológico e debochado. Mas sabem como é, eu não acredito nessas coisas.



Escrito por Cynthia às 16h20
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NOT REALLY ORIGINAL, BUT VERY TRUE.

LIFE IS A FUCKING BITCH.

AND THEN... YOU DIE.



Escrito por Cynthia às 13h39
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