QUEM NÃO É O FILHO DO BRASIL SÓ PODE SER FILHO DA PUTA?

Muito fofinho esse clima de "joga bosta na Geni" pra cima do Chico. Gente que mal sabe cantarolar "parabéns pra você" ou compor uma trova descendo o pau na obra do cara inteira pra "fundamentar" suas ideias discordantes. Sério, juro que li um carinha dizendo que ele rouba no jogo e alguma imbecil chegando a falar da grossura das pernas do compositor como "argumento" contra ele. Gente retardada comparando Paula Lavigne com Chico Buarque e jogando os dois na mesma cesta de lixo com o rótulo de "celebridade". O interessante é que boa parte dessas pessoas seria capaz de tirar as calças pela cabeça de *ódia* se alguém se propusesse a fazer uma biografia honesta e não-messiânica nem baba-ovo do Lula, da Dilma, do Olavo de Carvalho, do Edir Macedo, do papa Francisco ou de seja lá quem for seu ídolo máximo, intocável e perfeito. Porque o importante pra essa galerinha que não sai da adolescência nunca e, ainda que ateia, faz questão de ser sempre do lado do bem absoluto - e jura que sabe onde ele está - não é que não exista censura, é que não exista censura contra os SEUS pastores. O resto é, sei lá, mídia golpista, né? Bando de babaca.



Escrito por Cynthia às 18h40
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MEU HERÓI

Meu herói não tem cavalo branco nem barriga de tanquinho – ainda bem, porque eu acho branco uma cor muito da sem graça e de tanque eu quero distância, seja de que tipo for. O que ele tem é um carro preto, velho, mas anda no meu, ainda mais preto e mais velho, porque deixou o dele, mais confortável, pra mim. Ele não faz o mundo girar ao contrário nem o tempo voltar atrás, mas me conforta dizendo que, porque o mundo gira como gira, as coisas ruins vão passar, e elas passam mesmo. Meu herói não é mascarado nunca, não usa capa (ainda bem), collant (zeus me livre), cueca pra fora da calça (deo gratias) nem botinha vermelha (credo em cruz, pé de pato, mangalô 3x). Meu herói não é milionário, pelo contrário – olha a rima -: ganha seu dinheirinho honestamente, e como todos que assim o fazem, não ganha milhões, mas tudo o que ganha é usado pra deixar nossa casa e nossa vida mais gostosas. Tem funcionado. Meu herói não escala paredes, mas me envolve em sua rede e me balança sem fazer força; não fica verde, mas às vezes é meio imaturo, e eu bem que gosto. Meu herói não é besta: não dá murro em ponta de faca e não embarca em DR, mas me abraça quando eu choro, e quando eu estou me sentindo a última das criaturas, põe “aquela” música pra tocar e me tira pra dançar, mesmo sabendo que eu tenho o charme e o veneno de um cabo de vassoura de jacarandá. As mocinhas pedaçudas não suspiram pelo meu herói, mas crianças, cachorros, velhinhos e gatos, que reconhecem de longe um coração bom e tranquilo, são naturalmente atraídos para sua órbita e ronronam à luz e ao calor que ele emite. Ao contrário do que diz a Fal, meu herói não é um gênio (mas é brilhante, sim), bilionário, playboy nem filantropo, mas sempre que pode, e às vezes até quando não pode, porque ele não é de ferro, ajuda a quem precisa. Seus superpoderes não vão muito além de um abraço capaz de curar o choro mais sentido, de uma maravilhosa audição seletiva, da capacidade de dormir no meio de uma frase e de uma capacidade de perdão arrebatadora – e da surpreendente fé na humanidade, que consegue sobreviver a tudo, apesar de sua inteligência privilegiada. Mas são poderes mais do que suficientes pra salvar a minha vida, de várias formas diferentes, a cada dia, e sem esperar agradecimentos nem retribuição, com modéstia verdadeira. Elogie o moço e ele vai dar de ombros e dizer “ninguém é perfeito”. Não faz sentido, mas é o que ele diz quando não sabe o que dizer. O que talvez ele queira dizer, e não sabe como, é que pra ele isso não é mesmo nada demais, faz parte da sua natureza, ou que afinal, herói é pra essas coisas. 



Escrito por Cynthia às 03h24
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AUAUAU ALL NIGHT LONG

E eu, que achava que não me chocava com mais (quase) nada, vi agora há pouco dezenas - mas poderiam ser centenas ou milhares, eu sei - de membros de um grupinho "do bem", desses que têm certeza de que são moralmente superiores ao resto da humanidade por causa de uma idiossincrasia qualquer, dividindo suas impressões no Facebook e me choquei. É que eu sou uma das últimas pessoas que acham de uma fofura sem fim esses seres - não vou chamar de gente porque tenho minhas dúvidas - que defendem a gritaria e a péssima educação de seus rebentos, bichos e caprichos com o primor de civilidade e bom-senso que é a frase (clichê, ainda por cima) "os incomodados que se retirem". Partindo desse princípio, pra que polícia, pra que cadeia, pra que leis, por exemplo, né? Pra mim, quem repete essa barbaridade feito um papagaio com problemas cognitivos e não gosta de ladrão, assassino, gente violenta ou dos barulhos dos outros, devia mais era seguir seu próprio conselho e simplesmente retirar-se. Pra onde, ficaria a critério deles. Eu sugeriria o raio que os parta, o quinto dos infernos ou a puta que os pariu. 



Escrito por Cynthia às 20h12
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A VIDA, SELVAGEM COMO ELA É.

Quando as portas enferrujadas da velha jaula finalmente cederam ao peso furioso da fera enlouquecida, ela saiu babando e, com rapidez indescritível, cobriu a distância que a separava dos dois humanos, os únicos por ali àquela hora. Um deles era cruel com animais e com crianças, não gostava nem de cachorro e achava engraçado postar piadinhas de mau gosto e fotos de bichos estropiados "por brincadeira" em suas páginas nas redes sociais. O outro era vegetariano, usava uma camiseta com o logo da WWF, dava dinheiro a organizações de defesa dos animais e estivera ali a contragosto, nauseado, justamente para fotografar as péssimas condições do local e começar uma petição no Facebook pedindo o fechamento do zoológico. A fera, faminta, presa, negligenciada e maltratada  por humanos de todos os tamanhos e cores havia anos, parou por um instante curtíssimo. Mediu os dois com seus olhos amarelos, cujas pupilas se dilataram enquanto as narinas sensíveis captavam o delicioso cheiro do medo, e saltou sobre o mais carnudo. Primeiro.



Escrito por Cynthia às 18h41
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REVOLUÇÃO CULTURAL DE CU É ROLA

É preciso ser muito desocupado e muito mala pra ficar bancando o fiscal do gosto e da diversão alheios, enchendo o saco de crianças e adolescentes que curtem Halloween, promovendo um inexistente dia do Saci ou sei lá que porra... vou respeitar esses caras no dia em que resolverem, por uma vez na vida, ser coerentes de verdade e levar seu nacionalismo Policarpo às últimas consequências, trocando seus tênis por alpercatas de couro e seus jeans-e-camiseta-do-Che (que aliás, era argentino de ascendência irlandesa e foi fazer revolução em Cuba e fracassar na Bolívia, que pra quem não sabe, também SÃO terras "de gringo" pra nós, aldorrebelinhos de ocasião. Ou seremos nosotros, latinitos hispánicos de las tres Americas, todos lo mismo?) por calças de linho e túnicas de algodão - ou tanga de penas e peito nu -, voltando à dieta pré-cabralina de caça, pesca e coleta  e, principalmente, peitando a bancada - e a crescente população - evangélica e sua adoração por um deus ultra xenófobo e seu filho hippie, importados, via Itália, de umas poucas tribos de pastores do oriente médio de milênios atrás. Vai lá, bando de joãozinho sem perna. Quero ver.

 



Escrito por Cynthia às 14h15
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IT'S A WONDERFUL LIFE

Aí a máquina de lavar deu tilt pela 3ª ou 4ª vez este ano, a geladeira precisou ter o motor trocado, minha mão esquerda estragou de novo, a porta da cozinha também - eu posso ou não tê-la chutado repetidamente, durante um chilique resultante de ódio desviado, evitando assim matar a gata que me fez tropeçar e aparar a quase queda com a mão que já estava doendo alucinadamente antes, mesmo sem que nada ou ninguém tocasse nela -, a torneira do meu banheiro também voltou a pingar, eu aparentemente não consigo mais ler com estes óculos e agora a porta de um dos armários da sala praticamente se soltou inteira das dobradiças sem ter sofrido absolutamente nenhum ataque. A impressão que tenho é que meu corpo e minha casa tão apostando corrida pra ver quem acaba primeiro.



Escrito por Cynthia às 02h10
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AQUI NO BLOG, ESCONDIDINHO, QUE É PRA NINGUÉM LER.

ou AI, MEU SÁQUIS, CHEGA DESSA MÉRDIS, BANDO DE PATÉTIS.

 

Essa modinha corrente no FB nos últimos dias - estou falando do meme (?) de colocar o rosto do Mussum substituindo o de outras pessoas conhecidas em fotos, com um texto embaixo em que o nome delas é modificado pra terminar em "s" - é incomensuravelmente hilariante. É até mais do que isso: é tão brilhante quanto aquela outra mania, que já dura meses, de acrescentar "só que não" ou "só que ao contrário" no final de uma frase, pra deixar bem claro que ela é irônica, principalmente em casos muito, muito difíceis de se saber a diferença, tipo "hoje fiz tratamento de canal em dois dentes, sem anestesia, e adorei, só que não". É sério: além de ser de uma inteligência, finesse e originalidade absolutas, raras mesmo, hoje em dia, estas incríveis manifestações da caudalosa criatividade e inabalável espírito gozador do brasileiro são de rolar de rir, mesmo depois da 5.983.768.325ª vez que a gente as vê ou lê. A cada vez que dou de cara com uma delas, fico toda arrepiada, com lágrimas nos olhos e tomada de orgulho por todos nós, como nação. Acho que não vou nem conseguir dormir.



Escrito por Cynthia às 01h03
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ARE YOU FROM THE PAST?

 

Minha irmã, que muito raramente é fofa comigo, me mandou umas SMS muito fofas ontem. Depois da choradinha de praxe - eu sempre choro quando  recebo gentilezas inesperadas -  fiquei pensando que é uma pena que quase certamente essas mensagens vão se evaporar em algum momento, seja devido a um celular perdido, pifado, molhado, roubado ou a algum "limpar todas as mensagens" distraidamente clicado daqui a algum tempo. Daí foi um pulinho pra eu ficar pensando em como estou velha. Sou tão do século passado que sinto falta do papel, do tangível, do que podia ser guardado, esquecido num bolso ou gaveta por muito tempo e encontrado de repente, inesperadamente, trazendo um monte de recordações boas e, às vezes, até salvando um dia horroroso. Sempre vou lamentar os bilhetinhos escritos em guardanapo pelo gatim no início do namoro, bilhetinhos que eu guardava na carteira e que o escroto filho da puta do ladrão levou junto com minha bolsa - e o carro - anos atrás. Sempre vou ficar triste por nunca poder ter de volta centenas de e-mails perdidos em agências esquecidas no tempo, e-mails divertidíssimos trocados com amigos, quando amigos não eram apenas avatares engraçadinhos em redes sociais (do mesmo tamanho que colegas, conhecidos e pessoas que nunca vi nem verei) e não consideravam perda de tempo trocar mais que 140 caracteres por semana um com o outro, só pra dizer "estou aqui" ou "pensei em você". Eu e o gatim sempre sentiremos a perda de um celular falecido há tempos, não pelo aparelho, mas por uma SMS em particular, guardada nele, que dizia "sem nada para fazer neste carnaval? visite o robertinho no hospital", até porque não há mais Robertinho, e a verdade é que o mundo ficou muito mais bobo sem ele. A saída é torcer para que a memória ainda guarde essas coisas por um bom tempo, ou, quando ela também falhar, o coração faça as vezes de cérebro e guarde tudo isso. Se nós, os velhos, vivemos tendo que fazer das tripas coração, nada mais justo do que ele também dar uma força pro time todo de vez em quando, né?



Escrito por Cynthia às 02h42
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ODE AOS HOMENS DE BONS BOFES

mas sem ÓDIO AOS BOFES DE MAUS BOFES

 

Diferentemente da maioria das mulheres que conheço, sigo no twitter ou leio em blogs, eu tenho um crushzinho de estimação não pelo Dr. House, mas pelo ator que o faz. Ele mesmo, Hugh Laurie, o cara tímido, inglês em todas as acepções do termo, ao mesmo tempo palhaço e discreto, bem-humorado e que prefere gotinhas esparsas de uma ironia sutil a tomar banho com eau-de-parfum Sang-d’Alien 8 by Sarcasme. Claro, claro, eu também me divirto muito com as personagens masculinas (e até algumas pessoas de verdade) que falam tudo o que pensam, que ofendem os outros a torto e a direito sem necessidade, que não seguram a língua em nenhum momento e que deixam bem claro que criancinhas não são a coisa mais linda do mundo, que o cliente (quase) nunca tem razão, que a maioria das pessoas é imbecil, mentirosa, hipócrita e mal-intencionada. Apóio inteiramente o Gordon Ramsay, me divirto muito com o Dr. House e o Sawyer, e se algum dia tivesse tido estômago (e tímpanos) pra suportar um único episódio de American Idol, provavelmente teria me identificado mais com o inglesão de maus bofes do que com a parva boazinha da vez, e acredito que com um ou dois genes de diferença - ou com pais e environment um pouco mais doidos -, eu mesma poderia ter crescido para agir igualzinho ao psicopata do Bardem naquele filme dos irmãos Coen. Eu entendo de verdade esses caras (os malucos, não os Coen) e, em muitas ocasiões, até os invejo, sim. Mas como já passei – bastante, diga-se – dos 30, e sou do tempo em que a adolescência terminava aos 19, e não aos 91, ninguém me verá suspirando romanticamente pelos malvados, pelos grosseiros, pelos indelicadamente sinceros, sejam eles de verdade ou de celulóide, como a maioria das mulheres que eu conheço faz. A estranha verdade é que eles não me atraem no sentido romântico-sexual-australopiteca não. Já passei por isso, claro, mas fico feliz em constatar que pelo menos neste aspecto eu aprendi com a experiência - ou seja, fiz a genial descoberta de que se o macho-alfa em questão é violento, estúpido, egoísta e grosseiro com os outros machos (e tudo isso + galinha, metido a superior, cafa, ciumento, mandão e misógino com as fêmeas), é 100% garantido que mais cedo ou mais tarde também será com a “princesa” aqui.  Meus dias de bater palminha pros Brutus do mundo se acabaram há mais de uma década, junto com o corpitcho de Olívia Palito, e hoje, confesso que gosto mais é do cara legal: o Thomas Keller, o Dr. Wilson, o Jack, o old man do Tommy Lee Jones, o Popeye (que guarda suas forças e seu espinafre só pra quando eles são realmente necessários), e óbvio, meu único e lindo gatim. Não confundir homem gente boa com banana : o cara legal da minha lista sabe, pode e tem cojones para dar uma patada, um passa-fora ou um bom soco nas fuças  (este último, só de outros homens, de preferência do tamanho dele) quando necessário, mas já tem discernimento suficiente pra não fazer isso o tempo todo e à toa, utilizando sua testosterona excedente e seu wit de formas bem mais prazerosas para todos os envolvidos. Podem ficar com os casca-grossa pra vocês, meninas, que eu quero mais é ser paparicada, acarinhada e muito, mas muito, bem-tratada. 

 



Escrito por Cynthia às 11h59
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MEIO X MENSAGEM

ou FRASES DE PARADOXO

ou ainda ADESIVOS QUE NÃO COLAM

Quando o magnífico trânsito boianiense está empacado (leia-se “todo dia”), mas não o suficiente pra que se possa ler mais que duas linhas do livro que estiver habitando no momento meu banco do passageiro antes que algum príncipe da gentileza ou alguma oxigenada dama de raízes escuras se debruce sobre a buzina pra que eu acorde e ande os 50 cm que os separam da felicidade eterna, me divirto lendo os adesivos de pára-choque e/ou vidro traseiro dos carros à minha frente e observando a relação entre o que dizem – tanto os adesivos quanto os carros, e às vezes até os motoristas – e o que mostram. Nos últimos dias, colecionei as seguintes tentativas de desmentir Mc Luhan e seu célebre aforismo “O meio É a mensagem” :


  • Um adesivo de ONG ambientalista na traseira de uma monstruosa pick-up devoradora voraz de combustível fóssil e significativa produtora de dióxido de carbono
  • Um “Deus inventou o sexo seguro e o chamou de casamento” no vidro de uma lata velha conduzida por um lato velho que, aliança na mão esquerda, babava na gravata e falava gracinhas para as moças que atravessavam na faixa de pedestres
  • Um “O que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim mesmo o fizestes” com capítulo e versículo da bíblia no carrão que me fechou, avançou o sinal quase passando em cima do pé de um rapazinho e virou à esquerda sem acionar o pisca-alerta
  • Uma logomarca de academia de ginástica no carro 2.0 dirigido por um obeso fumante
  • Um romântico “Aqui só entra avião”, reforçado por um desenho tosco de uma gostosona lasciva num Escort envenenado levado por um mocréio horroroso
  • Um “não me inveje, trabalhe”, num caminhãozinho cambaio, imundo e corroído de ferrugem
  • Um “Anna Paula e Luckas, meus tesouros” num carro popular que chegava a tremer com os gritos que a mãe (suponho) dava e com o deslocamento de ar provocado por suas tentativas de tapas nos tesourinhos pulando e berrando no banco de trás
  • Uma balancinha da justiça e um adesivo da OAB num carrão estacionado na esquina, parcialmente em cima da faixa de pedestre e a uns bons 40 cm da calçada
  • Um terço católico com a efígie de Maria no centro, convivendo harmonicamente (?) no espaço acima do pára-choque da station-wagon com a cara ultra-detalhista e hiper-arreganhada de um pitbull salivante de uma academia de jiu-jitsu
  • Uma logo de salão com o slogan “Porque beleza não tem hora” na Eco Sport cuja motorista usava bobes do tamanho de canos de esgoto.


A diversão não acaba, mas confesso que diminuiu bastante quando me lembrei que no meu próprio carro, no vidro traseiro, quase escondido pelo limpador de pára-brisas, mas ainda visível, estava o adesivo com o logo da empresa (já fechada) de uma amiga minha, que ainda não tirei porque, além de lindo, foi criado por um grande e talentoso amigo. O problema não é a empresa estar fechada, mas sim o fato de que o nome dela não merece estar associado à minha pessoa. É que por mais que eu goste de pensar que sim, minha história remota e recente, bem como meu saldo bancário mostram que eu sou tudo menos “Smart”. Oh well. Parece que eu podia ter colocado ainda mais um título alternativo neste post, afinal. Algo tipo “Macaca sentada sobre o próprio rabo fala mal do rabo alheio.” Uh, uh.

 

 



Escrito por Cynthia às 21h15
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AMPLIANDO A VOZ DOS INTELIGENTES

 

Não há mesmo nada tão horrível que não possa ser piorado por algum fanático (ou hipócrita, ou as duas coisas) filho da puta dizendo às pessoas que sofrem, enquanto sofrem, que a culpa da tragédia que acaba de acontecer é delas, unicamente por não acreditarem no que ele (o fanático hipócrita) acredita - ou acha que todo mundo deveria acreditar. Por isso achei oportuno traduzir, pra quem ainda não tiver ouvido falar nisso, ou não domine o inglês, a resposta que uma leitora do jornal Star-Tribune, de Minneapolis, nos Estados Unidos, deu ao tele-evangelista Pat Robertson, que atribuiu a culpa do terremoto no Haiti aos haitianos, por terem supostamente feito um pacto com o demo. Isso mesmo, ele afirma que a nação inteira foi pra encruzilhada e firmou contrato com o coisa-ruim. Li a carta aqui, e traduzi tanto o que ela dizia quanto o prólogo do blogueiro que a publicou. Devo registrar que, na minha versão da carta satânica, tomei algumas (bem poucas) liberdades com o estilo, só pra dar um caráter mais bem-humorado e informal. Afinal, tenho certeza de que o diabo, se houver, deve ser muito mais íntimo do reverendo Robertson do que dos milhares de pobres vítimas do terremoto no Haiti.

 

 

 

O jornal Minneapolis Star-Tribune publicou uma carta de Satã para o pastor Pat Robertson, em resposta ao seu comentário afirmando que os vários problemas do Haiti, incluindo o terremoto, seriam resultado de um pacto que o país teria feito com o demônio. Na verdade, não foi Satã quem escreveu a carta, mas sim Lilly Coyle, de Minneapolis, que a escreveu  como se fosse o chefe do inferno. Acho que ela se saiu muito bem. E você ?

 

 

Querido Pat Robertson,

 

Eu sei que você sabe que qualquer publicidade é boa publicidade, então deixe-me dizer, antes de qualquer outra coisa, que eu apreciei o comercial. E você fez Deus parecer um babaca cruel, que chuta as pessoas quando elas já estão no chão, então achei bem legal.

Mas quando você diz que o Haiti fez um pacto comigo, aí a coisa muda de figura : fica totalmente humilhante pra mim. Eu posso ser a encarnação do Mal, mas não sou nenhum moleque. Do jeito que você colocou a coisa, ficou parecendo que um pacto comigo deixa as pessoas desesperadas e empobrecidas. Tá bom, claro que deixa, mas só no além. É bom lembrar que quando eu faço um trato com as pessoas, primeiro elas ganham alguma coisa aqui na Terra : glamour, beleza, talento, dinheiro, fama, glória, um violino de ouro. Os haitianos não têm nada, e eu quero dizer nada mesmo. E já não tinham desde antes do terremoto. Você nunca assistiu a “Crossroads” ? Ou “Malditos Yankees” ? Se eu tivesse algum negócio rolando com o Haiti, pode acreditar que eles teriam montes de bancos, arranha-céus, SUVs, boates exclusivas, botox – esse tipo de coisa. Um índice de pobreza de 80% não é meu estilo, não mesmo. Nada contra, só estou dizendo : não é assim que eu trabalho.

Você vem fazendo um excelente trabalho, Pat, e eu não quero cortar suas asinhas, mas peraí, assim você me deixa mal na foto. E não quero dizer “mal” do jeito bom. Continue culpando Deus, tudo bem. Isso funciona. Mas me deixe fora disso, por favor. Do contrário, posso ser obrigado a rever seu contrato comigo.

Boa sorte

 

Satã.

LILY COYLE, MINNEAPOLIS

 

É isso aí, Lilly Coyle. Sua carta deveria ser publicada no mundo todo, e pregada na testa do tal Robertson com supercola. Seria o correspondente ao aviso na lateral dos maços de cigarro e na frente dos tambores de lixo nuclear e das latinhas de veneno pra rato. Pode até ser que não funcionasse pra manter os menos intelectualmente dotados longe da mente e da língua tóxicas desse tipo de gente. Mas pelo menos já deixava todo mundo avisado.

 



Escrito por Cynthia às 18h24
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LIVRE COMO UM TÁXI...

... ou seja, correndo de um lado pro outro até ter que começar a trabalhar de novo. Correndo atrás de presentes, de consultas médicas, de tudo aquilo que é melhor não tentar fazer durante o expediente normal, sob pena de ser vista como preguiçosa, enrolona e outros bichos, mesmo que a pauta esteja limpa e todos os jobs em dia. Se brincar, nesta semana de folga vou acabar trabalhando mais do que nestas últimas 3 ou 4 de, er, "pré-Natal". Fiz até um versinho, ó :


Uma semana de recesso

Não acaba com o cansaço

Ou a sensação de fracasso

Só tira o excesso.

 

Tá, foi fraco, eu sei. Mas até eu me acostumar a blogar de novo, acho que as coisas por aqui vão ser assim mesmo. Se eu não conseguir arrumar assunto ou tempo até quinta, feliz Natal pra vocês. E torçam pra que o meu também não seja dos piores. Acho que vou precisar.

:o*



Escrito por Cynthia às 11h19
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RETRATO FALADO

ou TAKING HINTS

ou ainda EPIFANIA ATÉIA (com acento até o fim, venha ele ou não em 2012)

 

Não deu tempo de pegar o celular na bolsa, escolher a função câmera, aplicar o zoom e tirar a foto antes que o sinal abrisse, mas juro pelo Dawkins que, logo abaixo dos adesivos com as frases “Ora que melhora” e “Abençoadinha”, escritos em vermelho em fonte script,  que ocupavam quase todo o vidro traseiro de um carro cor de burro fugido que já viu dias – nah, décadas – melhores, a placa era LIE 0171. Como dizia John Ritter numa comédia do Blake Edwards que eu vi faz tempo e adoro até hoje (é, eu também já vi décadas – nah, séculos - melhores, em tooodos os sentidos), às vezes eu até acho que Deus existe, sim, e é humorista. O que o John não disse, mas eu digo, é que caso exista mesmo, o grande palhaço no céu pertence ao meu tipo preferido de comediante : discreto, de humor negro, sardônico e auto-depreciativo. Ou seja, como quer a bíblia e bilhões de doidos no mundo inteiro, ele só pode ser judeu. Shalom, Adonai. Por via das dúvidas.



Escrito por Cynthia às 18h34
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GONÇALVES, QUE DIAS !

Na minha terra em setembro

O calor é de arrasar

Calor mais forte ? não lembro

Nem em Palmas, nem Cuiabá



A umidade inexiste

A primavera é miragem

O azul é baço, e o verde

Não faz parte da paisagem



Não há chocolate que quebre

É necessário rasgá-lo

Não dá pra saber quem tem febre

Aos 40º nem me abalo



Na minha terra o inverno

São os meses em que chove

No verão, nada se move

Não há nem vento, é um inferno

Na minha terra em setembro

O calor é de arrasar



O calor que faz agora

Só agrada a rezador

Certo está o crente que ora

E consagra esta terra ao Senhor

É que o demo foi-se embora

(Só porque não agüentou o calor).

 



Escrito por Cynthia às 18h38
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EU SÓ QUERIA DIZER-TE

 

Apesar de reconhecer que são divertidos, acho que nunca li um Harry Potter inteiro – se li, esqueci, assim como acabo esquecendo os filmes da série, poucos minutos depois de sair do cinema (ou mudar de canal). Também jamais lerei um Pauno Coelho, ou Danielle Steel ou sei lá qual entre tantas Barbara Cartlands genéricas. Mas confesso que já li – e prometo que ainda lerei - muita porcaria, e se é impossível negar que a maioria delas foi tempo perdido, de algumas a verdade é que eu gostei bastante.

Mas andei pensando e me parece que, mesmo que não tivesse gostado, eu ainda acharia que é melhor ler bobagem do que não ler nada. Um livro, por fraquinho que seja, sempre tem a vantagem de nos mostrar outros pontos de vista, jeitos de se exprimir, palavras novas. Aos livros, que na minha infância eram bem revisados e traduzidos – diferentemente de hoje – eu devo a maior parte do meu vocabulário e 100% dos meus acertos em gramática e ortografia até agora. Posso até implicar com quem escreve e com quem publica maus livros, mas não com quem os lê. Talvez porque, num mundo em que é cada vez mais lindo se considerar melhor, mais inteligente e capaz do que o resto da humanidade e deixar isso cansativamente claro 24 horas por dia, meu “docontrismo” inato esteja me levando a ficar mais tolerante do que me seria natural.

Ou talvez seja somente porque, depois de já ter almoçado num restaurante de nome assustador, e de ter acabado de comprar um bolo diet de uma empresa de nome macabro, eu tenha ficado com a sensação de que, se os donos ou responsáveis pela “criação” de tão nefastos nomes tivessem lido o bom e velho Jorge Amado (digam o que disserem, eu gosto do véio) em Dona Flor, em que o cafajeste (sim, com J, pelamor) Vadinho repetia lascivamente à professora gostosinha de culinária o nome que ela havia posto em sua escola, sussurrando no ouvido da moça “Quero Sabor & Arte”, talvez eles tivessem visto o absurdo que estavam a ponto de fazer e buscado nomes melhores, que não inspirassem em seus clientes o medo do canibalismo e da ameaça de morte (nem tão) veladas dos pratos da Cozinharte e dos bolos diet da Fin’Arte. Brrrr.

 



Escrito por Cynthia às 00h29
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