ARE YOU FROM THE PAST?

 

Minha irmã, que muito raramente é fofa comigo, me mandou umas SMS muito fofas ontem. Depois da choradinha de praxe - eu sempre choro quando  recebo gentilezas inesperadas -  fiquei pensando que é uma pena que quase certamente essas mensagens vão se evaporar em algum momento, seja devido a um celular perdido, pifado, molhado, roubado ou a algum "limpar todas as mensagens" distraidamente clicado daqui a algum tempo. Daí foi um pulinho pra eu ficar pensando em como estou velha. Sou tão do século passado que sinto falta do papel, do tangível, do que podia ser guardado, esquecido num bolso ou gaveta por muito tempo e encontrado de repente, inesperadamente, trazendo um monte de recordações boas e, às vezes, até salvando um dia horroroso. Sempre vou lamentar os bilhetinhos escritos em guardanapo pelo gatim no início do namoro, bilhetinhos que eu guardava na carteira e que o escroto filho da puta do ladrão levou junto com minha bolsa - e o carro - anos atrás. Sempre vou ficar triste por nunca poder ter de volta centenas de e-mails perdidos em agências esquecidas no tempo, e-mails divertidíssimos trocados com amigos, quando amigos não eram apenas avatares engraçadinhos em redes sociais (do mesmo tamanho que colegas, conhecidos e pessoas que nunca vi nem verei) e não consideravam perda de tempo trocar mais que 140 caracteres por semana um com o outro, só pra dizer "estou aqui" ou "pensei em você". Eu e o gatim sempre sentiremos a perda de um celular falecido há tempos, não pelo aparelho, mas por uma SMS em particular, guardada nele, que dizia "sem nada para fazer neste carnaval? visite o robertinho no hospital", até porque não há mais Robertinho, e a verdade é que o mundo ficou muito mais bobo sem ele. A saída é torcer para que a memória ainda guarde essas coisas por um bom tempo, ou, quando ela também falhar, o coração faça as vezes de cérebro e guarde tudo isso. Se nós, os velhos, vivemos tendo que fazer das tripas coração, nada mais justo do que ele também dar uma força pro time todo de vez em quando, né?



Escrito por Cynthia às 02h42
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ODE AOS HOMENS DE BONS BOFES

mas sem ÓDIO AOS BOFES DE MAUS BOFES

 

Diferentemente da maioria das mulheres que conheço, sigo no twitter ou leio em blogs, eu tenho um crushzinho de estimação não pelo Dr. House, mas pelo ator que o faz. Ele mesmo, Hugh Laurie, o cara tímido, inglês em todas as acepções do termo, ao mesmo tempo palhaço e discreto, bem-humorado e que prefere gotinhas esparsas de uma ironia sutil a tomar banho com eau-de-parfum Sang-d’Alien 8 by Sarcasme. Claro, claro, eu também me divirto muito com as personagens masculinas (e até algumas pessoas de verdade) que falam tudo o que pensam, que ofendem os outros a torto e a direito sem necessidade, que não seguram a língua em nenhum momento e que deixam bem claro que criancinhas não são a coisa mais linda do mundo, que o cliente (quase) nunca tem razão, que a maioria das pessoas é imbecil, mentirosa, hipócrita e mal-intencionada. Apóio inteiramente o Gordon Ramsay, me divirto muito com o Dr. House e o Sawyer, e se algum dia tivesse tido estômago (e tímpanos) pra suportar um único episódio de American Idol, provavelmente teria me identificado mais com o inglesão de maus bofes do que com a parva boazinha da vez, e acredito que com um ou dois genes de diferença - ou com pais e environment um pouco mais doidos -, eu mesma poderia ter crescido para agir igualzinho ao psicopata do Bardem naquele filme dos irmãos Coen. Eu entendo de verdade esses caras (os malucos, não os Coen) e, em muitas ocasiões, até os invejo, sim. Mas como já passei – bastante, diga-se – dos 30, e sou do tempo em que a adolescência terminava aos 19, e não aos 91, ninguém me verá suspirando romanticamente pelos malvados, pelos grosseiros, pelos indelicadamente sinceros, sejam eles de verdade ou de celulóide, como a maioria das mulheres que eu conheço faz. A estranha verdade é que eles não me atraem no sentido romântico-sexual-australopiteca não. Já passei por isso, claro, mas fico feliz em constatar que pelo menos neste aspecto eu aprendi com a experiência - ou seja, fiz a genial descoberta de que se o macho-alfa em questão é violento, estúpido, egoísta e grosseiro com os outros machos (e tudo isso + galinha, metido a superior, cafa, ciumento, mandão e misógino com as fêmeas), é 100% garantido que mais cedo ou mais tarde também será com a “princesa” aqui.  Meus dias de bater palminha pros Brutus do mundo se acabaram há mais de uma década, junto com o corpitcho de Olívia Palito, e hoje, confesso que gosto mais é do cara legal: o Thomas Keller, o Dr. Wilson, o Jack, o old man do Tommy Lee Jones, o Popeye (que guarda suas forças e seu espinafre só pra quando eles são realmente necessários), e óbvio, meu único e lindo gatim. Não confundir homem gente boa com banana : o cara legal da minha lista sabe, pode e tem cojones para dar uma patada, um passa-fora ou um bom soco nas fuças  (este último, só de outros homens, de preferência do tamanho dele) quando necessário, mas já tem discernimento suficiente pra não fazer isso o tempo todo e à toa, utilizando sua testosterona excedente e seu wit de formas bem mais prazerosas para todos os envolvidos. Podem ficar com os casca-grossa pra vocês, meninas, que eu quero mais é ser paparicada, acarinhada e muito, mas muito, bem-tratada. 

 



Escrito por Cynthia às 11h59
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MEIO X MENSAGEM

ou FRASES DE PARADOXO

ou ainda ADESIVOS QUE NÃO COLAM

Quando o magnífico trânsito boianiense está empacado (leia-se “todo dia”), mas não o suficiente pra que se possa ler mais que duas linhas do livro que estiver habitando no momento meu banco do passageiro antes que algum príncipe da gentileza ou alguma oxigenada dama de raízes escuras se debruce sobre a buzina pra que eu acorde e ande os 50 cm que os separam da felicidade eterna, me divirto lendo os adesivos de pára-choque e/ou vidro traseiro dos carros à minha frente e observando a relação entre o que dizem – tanto os adesivos quanto os carros, e às vezes até os motoristas – e o que mostram. Nos últimos dias, colecionei as seguintes tentativas de desmentir Mc Luhan e seu célebre aforismo “O meio É a mensagem” :


  • Um adesivo de ONG ambientalista na traseira de uma monstruosa pick-up devoradora voraz de combustível fóssil e significativa produtora de dióxido de carbono
  • Um “Deus inventou o sexo seguro e o chamou de casamento” no vidro de uma lata velha conduzida por um lato velho que, aliança na mão esquerda, babava na gravata e falava gracinhas para as moças que atravessavam na faixa de pedestres
  • Um “O que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim mesmo o fizestes” com capítulo e versículo da bíblia no carrão que me fechou, avançou o sinal quase passando em cima do pé de um rapazinho e virou à esquerda sem acionar o pisca-alerta
  • Uma logomarca de academia de ginástica no carro 2.0 dirigido por um obeso fumante
  • Um romântico “Aqui só entra avião”, reforçado por um desenho tosco de uma gostosona lasciva num Escort envenenado levado por um mocréio horroroso
  • Um “não me inveje, trabalhe”, num caminhãozinho cambaio, imundo e corroído de ferrugem
  • Um “Anna Paula e Luckas, meus tesouros” num carro popular que chegava a tremer com os gritos que a mãe (suponho) dava e com o deslocamento de ar provocado por suas tentativas de tapas nos tesourinhos pulando e berrando no banco de trás
  • Uma balancinha da justiça e um adesivo da OAB num carrão estacionado na esquina, parcialmente em cima da faixa de pedestre e a uns bons 40 cm da calçada
  • Um terço católico com a efígie de Maria no centro, convivendo harmonicamente (?) no espaço acima do pára-choque da station-wagon com a cara ultra-detalhista e hiper-arreganhada de um pitbull salivante de uma academia de jiu-jitsu
  • Uma logo de salão com o slogan “Porque beleza não tem hora” na Eco Sport cuja motorista usava bobes do tamanho de canos de esgoto.


A diversão não acaba, mas confesso que diminuiu bastante quando me lembrei que no meu próprio carro, no vidro traseiro, quase escondido pelo limpador de pára-brisas, mas ainda visível, estava o adesivo com o logo da empresa (já fechada) de uma amiga minha, que ainda não tirei porque, além de lindo, foi criado por um grande e talentoso amigo. O problema não é a empresa estar fechada, mas sim o fato de que o nome dela não merece estar associado à minha pessoa. É que por mais que eu goste de pensar que sim, minha história remota e recente, bem como meu saldo bancário mostram que eu sou tudo menos “Smart”. Oh well. Parece que eu podia ter colocado ainda mais um título alternativo neste post, afinal. Algo tipo “Macaca sentada sobre o próprio rabo fala mal do rabo alheio.” Uh, uh.

 

 



Escrito por Cynthia às 21h15
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AMPLIANDO A VOZ DOS INTELIGENTES

 

Não há mesmo nada tão horrível que não possa ser piorado por algum fanático (ou hipócrita, ou as duas coisas) filho da puta dizendo às pessoas que sofrem, enquanto sofrem, que a culpa da tragédia que acaba de acontecer é delas, unicamente por não acreditarem no que ele (o fanático hipócrita) acredita - ou acha que todo mundo deveria acreditar. Por isso achei oportuno traduzir, pra quem ainda não tiver ouvido falar nisso, ou não domine o inglês, a resposta que uma leitora do jornal Star-Tribune, de Minneapolis, nos Estados Unidos, deu ao tele-evangelista Pat Robertson, que atribuiu a culpa do terremoto no Haiti aos haitianos, por terem supostamente feito um pacto com o demo. Isso mesmo, ele afirma que a nação inteira foi pra encruzilhada e firmou contrato com o coisa-ruim. Li a carta aqui, e traduzi tanto o que ela dizia quanto o prólogo do blogueiro que a publicou. Devo registrar que, na minha versão da carta satânica, tomei algumas (bem poucas) liberdades com o estilo, só pra dar um caráter mais bem-humorado e informal. Afinal, tenho certeza de que o diabo, se houver, deve ser muito mais íntimo do reverendo Robertson do que dos milhares de pobres vítimas do terremoto no Haiti.

 

 

 

O jornal Minneapolis Star-Tribune publicou uma carta de Satã para o pastor Pat Robertson, em resposta ao seu comentário afirmando que os vários problemas do Haiti, incluindo o terremoto, seriam resultado de um pacto que o país teria feito com o demônio. Na verdade, não foi Satã quem escreveu a carta, mas sim Lilly Coyle, de Minneapolis, que a escreveu  como se fosse o chefe do inferno. Acho que ela se saiu muito bem. E você ?

 

 

Querido Pat Robertson,

 

Eu sei que você sabe que qualquer publicidade é boa publicidade, então deixe-me dizer, antes de qualquer outra coisa, que eu apreciei o comercial. E você fez Deus parecer um babaca cruel, que chuta as pessoas quando elas já estão no chão, então achei bem legal.

Mas quando você diz que o Haiti fez um pacto comigo, aí a coisa muda de figura : fica totalmente humilhante pra mim. Eu posso ser a encarnação do Mal, mas não sou nenhum moleque. Do jeito que você colocou a coisa, ficou parecendo que um pacto comigo deixa as pessoas desesperadas e empobrecidas. Tá bom, claro que deixa, mas só no além. É bom lembrar que quando eu faço um trato com as pessoas, primeiro elas ganham alguma coisa aqui na Terra : glamour, beleza, talento, dinheiro, fama, glória, um violino de ouro. Os haitianos não têm nada, e eu quero dizer nada mesmo. E já não tinham desde antes do terremoto. Você nunca assistiu a “Crossroads” ? Ou “Malditos Yankees” ? Se eu tivesse algum negócio rolando com o Haiti, pode acreditar que eles teriam montes de bancos, arranha-céus, SUVs, boates exclusivas, botox – esse tipo de coisa. Um índice de pobreza de 80% não é meu estilo, não mesmo. Nada contra, só estou dizendo : não é assim que eu trabalho.

Você vem fazendo um excelente trabalho, Pat, e eu não quero cortar suas asinhas, mas peraí, assim você me deixa mal na foto. E não quero dizer “mal” do jeito bom. Continue culpando Deus, tudo bem. Isso funciona. Mas me deixe fora disso, por favor. Do contrário, posso ser obrigado a rever seu contrato comigo.

Boa sorte

 

Satã.

LILY COYLE, MINNEAPOLIS

 

É isso aí, Lilly Coyle. Sua carta deveria ser publicada no mundo todo, e pregada na testa do tal Robertson com supercola. Seria o correspondente ao aviso na lateral dos maços de cigarro e na frente dos tambores de lixo nuclear e das latinhas de veneno pra rato. Pode até ser que não funcionasse pra manter os menos intelectualmente dotados longe da mente e da língua tóxicas desse tipo de gente. Mas pelo menos já deixava todo mundo avisado.

 



Escrito por Cynthia às 18h24
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LIVRE COMO UM TÁXI...

... ou seja, correndo de um lado pro outro até ter que começar a trabalhar de novo. Correndo atrás de presentes, de consultas médicas, de tudo aquilo que é melhor não tentar fazer durante o expediente normal, sob pena de ser vista como preguiçosa, enrolona e outros bichos, mesmo que a pauta esteja limpa e todos os jobs em dia. Se brincar, nesta semana de folga vou acabar trabalhando mais do que nestas últimas 3 ou 4 de, er, "pré-Natal". Fiz até um versinho, ó :


Uma semana de recesso

Não acaba com o cansaço

Ou a sensação de fracasso

Só tira o excesso.

 

Tá, foi fraco, eu sei. Mas até eu me acostumar a blogar de novo, acho que as coisas por aqui vão ser assim mesmo. Se eu não conseguir arrumar assunto ou tempo até quinta, feliz Natal pra vocês. E torçam pra que o meu também não seja dos piores. Acho que vou precisar.

:o*



Escrito por Cynthia às 11h19
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RETRATO FALADO

ou TAKING HINTS

ou ainda EPIFANIA ATÉIA (com acento até o fim, venha ele ou não em 2012)

 

Não deu tempo de pegar o celular na bolsa, escolher a função câmera, aplicar o zoom e tirar a foto antes que o sinal abrisse, mas juro pelo Dawkins que, logo abaixo dos adesivos com as frases “Ora que melhora” e “Abençoadinha”, escritos em vermelho em fonte script,  que ocupavam quase todo o vidro traseiro de um carro cor de burro fugido que já viu dias – nah, décadas – melhores, a placa era LIE 0171. Como dizia John Ritter numa comédia do Blake Edwards que eu vi faz tempo e adoro até hoje (é, eu também já vi décadas – nah, séculos - melhores, em tooodos os sentidos), às vezes eu até acho que Deus existe, sim, e é humorista. O que o John não disse, mas eu digo, é que caso exista mesmo, o grande palhaço no céu pertence ao meu tipo preferido de comediante : discreto, de humor negro, sardônico e auto-depreciativo. Ou seja, como quer a bíblia e bilhões de doidos no mundo inteiro, ele só pode ser judeu. Shalom, Adonai. Por via das dúvidas.



Escrito por Cynthia às 18h34
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GONÇALVES, QUE DIAS !

Na minha terra em setembro

O calor é de arrasar

Calor mais forte ? não lembro

Nem em Palmas, nem Cuiabá



A umidade inexiste

A primavera é miragem

O azul é baço, e o verde

Não faz parte da paisagem



Não há chocolate que quebre

É necessário rasgá-lo

Não dá pra saber quem tem febre

Aos 40º nem me abalo



Na minha terra o inverno

São os meses em que chove

No verão, nada se move

Não há nem vento, é um inferno

Na minha terra em setembro

O calor é de arrasar



O calor que faz agora

Só agrada a rezador

Certo está o crente que ora

E consagra esta terra ao Senhor

É que o demo foi-se embora

(Só porque não agüentou o calor).

 



Escrito por Cynthia às 18h38
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EU SÓ QUERIA DIZER-TE

 

Apesar de reconhecer que são divertidos, acho que nunca li um Harry Potter inteiro – se li, esqueci, assim como acabo esquecendo os filmes da série, poucos minutos depois de sair do cinema (ou mudar de canal). Também jamais lerei um Pauno Coelho, ou Danielle Steel ou sei lá qual entre tantas Barbara Cartlands genéricas. Mas confesso que já li – e prometo que ainda lerei - muita porcaria, e se é impossível negar que a maioria delas foi tempo perdido, de algumas a verdade é que eu gostei bastante.

Mas andei pensando e me parece que, mesmo que não tivesse gostado, eu ainda acharia que é melhor ler bobagem do que não ler nada. Um livro, por fraquinho que seja, sempre tem a vantagem de nos mostrar outros pontos de vista, jeitos de se exprimir, palavras novas. Aos livros, que na minha infância eram bem revisados e traduzidos – diferentemente de hoje – eu devo a maior parte do meu vocabulário e 100% dos meus acertos em gramática e ortografia até agora. Posso até implicar com quem escreve e com quem publica maus livros, mas não com quem os lê. Talvez porque, num mundo em que é cada vez mais lindo se considerar melhor, mais inteligente e capaz do que o resto da humanidade e deixar isso cansativamente claro 24 horas por dia, meu “docontrismo” inato esteja me levando a ficar mais tolerante do que me seria natural.

Ou talvez seja somente porque, depois de já ter almoçado num restaurante de nome assustador, e de ter acabado de comprar um bolo diet de uma empresa de nome macabro, eu tenha ficado com a sensação de que, se os donos ou responsáveis pela “criação” de tão nefastos nomes tivessem lido o bom e velho Jorge Amado (digam o que disserem, eu gosto do véio) em Dona Flor, em que o cafajeste (sim, com J, pelamor) Vadinho repetia lascivamente à professora gostosinha de culinária o nome que ela havia posto em sua escola, sussurrando no ouvido da moça “Quero Sabor & Arte”, talvez eles tivessem visto o absurdo que estavam a ponto de fazer e buscado nomes melhores, que não inspirassem em seus clientes o medo do canibalismo e da ameaça de morte (nem tão) veladas dos pratos da Cozinharte e dos bolos diet da Fin’Arte. Brrrr.

 



Escrito por Cynthia às 00h29
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RELAX, DON'T DO IT

Às vezes eu acho que o que eu preciso mesmo é de um superego externo. Tipo ou uma coleira que dê choque quando eu começar a rosnar para estranhos (ou conhecidos, ou, vá lá, até amigos, parentes, chefes, autoridades e pára-quedistas variados) muito folgados, ou alguém que fique no meu pé 24h por dia, me dando um cutucão sempre que sentir que eu vou fazer ou falar ou escrever algo que não deveria.  Pensando bem, melhor a coleira. Porque se o tal superego externo fosse uma pessoa, perigava eu enfiar a mão na orelha dela no segundo ou terceiro cutucão. E aí precisaria de um segundo superego pra me prevenir de bater no primeiro, e um terceiro, e um quarto... é, não ia dar certo. Eu não tenho dinheiro pra pagar tanta gente – e mais os processos por lesão corporal que certamente se amontoariam – nem pra trocar meu carro por um ônibus de dois andares. Sem falar que é pouco provável que o gatim aceitasse dividir nossa cama com uma dúzia de pessoas, ainda mais do tipo ideal para o emprego, ou seja, reprimidas e repressoras. Será que yoga funciona ? Ohmmmmmmmmmmmmm...

 



Escrito por Cynthia às 18h40
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L'ENFER, C'EST MOI

ou BONJOUR, TRISTESSE

 

Eu não sei se já falei disso aqui antes, e é bem provável, mas vou falar de novo : eu não lido muito bem com tristeza. Por alguma razão, normalmente (usar o termo “normal” aqui é quase uma piada, mas entendam, é uma normalidade derivada da quantidade de vezes em que isso acontece, e não da qualidade) minha cabeça transforma a tristeza em raiva ou irritação tão rápido que eu mal chego a notar que estou triste, e não puta da vida. Não é sempre, óbvio. Mas é o suficiente pra eu saber que não é lá muito saudável. Por causa disso, minha fama de griladinha da estrela já está mais do que consolidada por aqui, e se por um lado isso me prejudica um bocado, por outro também faz com que vários malas – sejam eles plenamente desenvolvidos ou ainda em formação – tenham um certo cuidado comigo, evitando entradas na bola com pé alto e se refreando de tomar intimidades não dadas com muita frequência. Não dá pra negar que eu gosto disso. O problema é que, desacostumada à tristeza, em alguns momentos eu simplesmente não sei o que fazer com ela. Eu posso ser mal-humorada, mas não sou burra. Eu sei reconhecer quando a raiva simplesmente não se aplica. Quando quem faz eu me sentir mal não tem culpa disso, e certamente o evitaria se pudesse. Talvez por isso, nesses momentos o que costuma acontecer é que eu fico fisicamente doente. Mais do que o habitual, quero dizer. Uma enxaqueca que já vai para o 3º dia sem dar mostras de diminuir, náusea permanente, dores variadas, uma insônia ainda mais feroz do que a costumeira e uma absoluta falta de vontade de viver tomaram conta, desde o fim do mês passado, deste arredondado corpitcho que é meu latifúndio. Chegaram sem a menor intenção de ir embora, com seus bonés feios, suas barracas de plástico preto e bandeiras vermelhas, dispostas a só sair depois de deixar a terra arrasada, e tentar me livrar delas é como tentar bater o recorde dos 100m nadando borboleta de ré, vestida de escafandro e numa piscina de melado. A melhor amiga do mundo e o melhor marido do universo dão uma força pra eu não afundar de vez, mas pelo menos por enquanto, não são capazes de operar milagres. Nessas horas, a única coisa que, se não ajuda, pelo menos consola, é uma que o gatim sempre me diz, há anos, quando não há muito mais o que dizer : “vai passar, vai passar”. Só espero que isso aconteça logo e/ou que essa somatização toda pare logo, pra que se, ahem, quando a tristeza e o desânimo passarem, eu não passe junto, desta para uma melhor. Ou, dentro do meu estado de espírito atual, para uma pior ainda.



Escrito por Cynthia às 16h30
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DES(Z)CAMINHOS DO MEU CÉREBRO

ou HOW MY MIND (DOESN’T) WORK(S)

 

ou UMA BOBAGEM LEVA À OUTRA

 

 

Eu não quero ter um smartphone. Quer dizer, eu não ia querer mesmo que tivesse $$ pra tal. É questão de princípio : me recuso a ter um gadget mais inteligente do que eu. Bom, pelo menos um muuuito mais inteligente que eu.

 

 

Falar em gadget, acho que vim ao mundo com um equipamento a menos (e não, não é aquele, porque inveja do pênis eu só tenho em banheiros públicos de limpeza questionável), já que pra maioria das pessoas o troço parece ser item de fábrica : o alinhamento automático. Eu posso concordar com muito do que uma pessoa ou facção diz, mas ainda não consegui me obrigar a concordar com tudo o que ela diz. Meu cérebro é que nem meu carrinho : sua cilindrada pode não ser lá essas coisas, mas autonomia ele tem de sobra.

 

 

Acho que essa falta de paciência pra seguir o rebanho é porque eu aprendi a ler sozinha e pulei toda a parte do bê-a-ba e da cartilha. Deve ser por isso que não rezo por nenhuma. E agradeço a Zeus por minha mãe ter estudado em colégio de freiras e, com isso, tomado birra da raça inteira, pra sempre, amém.

 

 

Eu sei que não sou a única que não gosta de padre, não gosta de pastor, não gosta de aiatolá, mas acho que religião deve fazer mesmo parte do DNA da raça humana. Até os ateus mais empedernidos adoram uma boa igrejinha e se entregam, deliciados, à doce comodidade de não ter que pensar por conta própria. E oh, céus, como amam um dogma !

 

 

Mas a coisa mais legal da cartilhinha das seitas cristãs é justamente uma que “cristãos”, ateus e agnósticos não respeitam nunca: o tal “não julgueis para não serdes julgados”. Pior que isso nem é a única coisa que eles têm em comum – e olha que eu nem tô falando da incapacidade inata de conjugar direito verbos na segunda pessoa do plural.

 

 

Também acho fascinante a quantidade de gente que bota banca de fodão em português, mas nunca aprendeu a usar crase, e enfia a coitadinha sem dó antes de substantivos masculinos ou capa-lhe o “s” antes de substantivos (femininos ou não) no plural. Até eu, que não sei picirica nenhuma de gramática e escrevo relativamente certo só por imitação (de tanto ler) aprendi isso lá pela 3ª série, e nunca mais esqueci. Vai ver que é porque, ao contrário da nova ortografia, a crase faz sentido e tem lógica.

 

 

O que não tem lógica nenhuma é o amor. Mas é só graças a ele que meu gatim tá vivo, depois de ter usado como sabonete meu (caro, difícil de obter e de histórico escambo-contrabandístico-internacional dos mais lentos e novelescos, que ele aliás acompanhou - e aparentemente esqueceu) shampoo em barra Lush. Ou seja, em um único banho lavando seu peludinho corpo, Gatim gastou o que eu levaria cinco ou mais vezes pra gastar do my precioussss shampoo. Como o amor que eu tenho pelo supracitado gatim além de grande é enorme, e como ele gosta é de cerveja (do contrário, eu poderia me vingar usando seu uísque 25 anos preferido pra lavar a bunda), vou deixá-lo viver. Mas se eu virar a barrinha e encontrar um pentelho no meu shampoo, eu mato o filho da mãe.  

 

 

Acabei de matar um pernilongo. Tô me sentindo como um daqueles psicopatas americanos que um belo dia chegam no local de trabalho atirando em todo mundo : com o sangue dos meus colegas nas mãos... e muito orgulhosa do meu feito.

 

 

Eu nem vi o mundialmente famoso vídeo do Obama matando a mosca (agora mesmo é que os islâmicos vão ter certeza de que ele é Belzebu), mas dias depois li em algum lugar que os tais bichinhos andam infestando a Casa Branca. E só hoje me ocorreu que o motivo deve ser a caveirona de burro enterrada embaixo dela. Pois é, meu esprit d’escalier é o da escadaria de um prédio com uns 110 andares... assim tipo o WTC.

 

 

E agora me dêem licença, que eu vou ali comprar um microondas. A essa altura, como se vê, já sem muita esperança de ser mais inteligente que ele. Aiai.



Escrito por Cynthia às 16h44
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O MEME QUE É MEU, MEU MEME E EU.

 A Mônica, do ótimo Crônicas Urbanas,  me convidou há alguns dias pra responder a um meme fofo, sobre sete coisas que sempre me fazem sorrir. Como eu não estava na minha fase mais sorridente – ainda não estou, mas tô tentando - , demorei um pouco, mas agora, até pra mudar de post e tentar sair um pouco do mood resmungão dos últimos sei lá quantos meses, aqui vai :

 

 

SETE COISAS QUE ME FAZEM SORRIR

 

- Meus gatos – tanto o bípede quanto a quadrúpede, mesmo quando (ou principalmente quando) eles agem como se o número de patas úteis de cada um fosse o do outro, hehehe...

- Filhotinhos – de gato, de cachorro, gente, urso, koala, canguru, jacaré, jabuti, qualquer coisa... menos periquitos. Não existe nada mais feio que filhote de periquito recém-nascido (ou será que o certo é recém-eclodido ?). Com a possível exceção do Espiridião Amin, que aliás, é i-gual-zi-nho a um filhote de periquito recém-nascido.

- Cheiros de apelo ancestral : cheirinho de chuva na terra seca, de alho e cebola refogando no azeite, de carne assada, de pipoca, de café fresco, biscoito de canela, de cabelinho de neném e do pescoço do meu bem.

- Falar com quem eu amo, seja o gatim, alguém da família ou um amigo, seja ao vivo, por telefone ou MSN, seja coisa séria e importante ou as mais escrachadas palhaçadas.

- Músicas bo(b)as como “it’s raining men”, “Feeling groovy”, “Sarah Cynthia Sylvia Stout”, “The reefer song” e “The penis song” – ou melhor, ela e todas as outras do Eric Idle/ Monty Python .

- Sapatos novos e lindos, de salto zero ou altão.

- Dias fresquinhos, com ou sem nuvens, com ou sem chuva. O importante é fazer friozinho lá fora e eu ter gatim, gata e edredom quentinhos aqui dentro (hem ?). A canequinha de sopa ou chocolate é opcional, mas sempre bem-vinda.

 

Maaas, como a onça não pode mudar suas pintas, e considerando que as últimas semanas têm me dado bem menos motivos pra sorrir do que pra querer matar meio mundo, contrabalançarei a insustentável fofura de ser do meme anterior com seu lado mais escuro e mal-humorado, seu dopplegänger maligno, seu lado B arranhado  (ou seja, o meu lado dominante), e listar também as...

 

SETE COISAS QUE ME FAZEM ROSNAR

 

- Donos da verdade. Do tipo que, numa conversa, quando você vai com um pensamento solto, uma divagação, uma coisa sobre a qual se pensar, eles te jogam de volta e imediatamente uma frase “definitiva” sobre o assunto. Do tipo que acha que seu gosto, suas conclusões, sua forma de ver o mundo não apenas são os únicos que fazem sentido como também PRECISAM ser divulgados em qualquer hora ou local e, se possível, impostos ao resto do mundo. Grrrrrr.

- Barulho. Não gosto nunca, mas na hora de (tentar) dormir, barulhos de qualquer tipo acabam comigo. Se eu tivesse uma arma, numa hora dessas era bem capaz de matar quem quer que seja, só pra poder dormir. (Oooh, coisinha mais Chekhov da minha parte, hem ?)

- Gente burra. Principalmente quando a burrice vem – e quase sempre vem – acompanhada de arrogância, de certeeeeeza de saber mais do que os outros, e claro, de uma educação e civilidade básica bem inferiores ao que eu, por exemplo, considero básico.

- Filmes horrorosos em praticamente todos os horários de todos os canais pelos quais a gente paga uma grana que, se não chega a ser preta, pelo menos anda fazendo falta (e que pagaria umas 3 horas de sinuca, que é sempre divertida, mesmo quando eu perco miseravelmente).

- Falta de educação. No trânsito, no elevador, no estacionamento do supermercado ou do shopping, no cinema, em qualquer lugar. Todo mundo ultimamente parece ser filho único de mãe viúva, velha e milionária, ter sido criado longe da civilização e acreditar que o resto do mundo só está ali para sua diversão e não merece o mínimo respeito. Graças a isso, aonde quer que eu vá, sinto ganas assassinas o tempo todo.

- Condescendência. Me chame de grossa, discuta comigo, mas não banque o superiorzinho com sorrisos paternalistas e a pose de quem não está sendo compreendido em sua infinita sabedoria e vai tentar me ensinar alguma coisa, a menos que realmente seja muito, muito, superfuderoso na sua área de expertise e que, não menos importante, eu realmente esteja interessada de verdade em aprender algo sobre ela.

- Calor. Quanto mais quente o clima, pior o meu humor e a minha paciência pra lidar com as outras 6 situações aí de cima.

 

E você ? O que te faz sorrir ? O que te faz rosnar ? Conta pra mim, quem sabe eu não concordo. Eu tô mesmo precisando de mais motivos pra sorrir.



Escrito por Cynthia às 16h40
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VARIAÇÃO SOBRE O TEMA

ou SWEET MURDERER


Nos intermináveis minutos gastos na fila do supermercado, de salto alto, sem nem poder curtir um consumismo de supérfluos sem culpa (a grana tá curta, muito curta, curta mesmo, amiguinhos), minha maneira de evitar contato visual com as outras centenas – quiçá milhares – de criaturas igualmente estressadas e impacientes, algumas acompanhadas de suas crias mal-educadas, agitadas e gritantes, é ler absolutamente todos os rótulos, especificações e fatos nutricionais de cada produto que conseguiu chegar até o check-out sem ser despejado do meu carrinho pelos meus escrúpulos econômicos, mais ou menos tardios. Achei especialmente interessantes os muitos textos na embalagem do açúcar, que ninguém na minha minúscula família consome mas que eu tenho que comprar só pra empregada, tão dependente que às vezes o come puro, às colheradas (apesar de claramente não ter nada contra meus caros produtinhos diet, que ela devora tanto quanto os outros doces que eu também compro só pra ela). Os fabricantes, obviamente evangélicos, parecem fazer muita questão de deixar clara sua religião, cobrindo o saquinho plástico de versículos e declarações de fé, tanto que suspeito que mais vinte minutos ali e eu sairia com a bíblia todinha decorada. Mas o que achei mais interessante foi uma mistura de testemunho com tentativa de “responsabilidade social”, em letras bem grandes, logo embaixo de uma receita de cocada : NÓS CONFIAMOS EM DEUS DROGAS ÁLCOOL E CIGARRO MATAM. À parte ter ficado bem claro que em vírgulas e pontos eles não confiam, é interessante notar que em nenhum momento eles perceberam que tanto o açúcar quanto o deus que querem tanto me vender também matam. A julgar pela história, tanto antiga quanto recente da humanidade, muito mais.



Escrito por Cynthia às 21h48
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PROIBIDO FUMAR (MESMO EM CASA, OU AO AR LIVRE, OU EM CUBATÃO) ?

Então parece que eu realmente voltei a fumar. E exatamente do mesmo jeito que há vinte e tantos anos : um dia, um traguinho só por diversão, o traguinho dando aquela tontura gostosa de quem não está acostumado, aí mais um aqui, outro ali, e pá, quando a gente vê, já está comprando maços de novo e ficando preocupada quando fica sem. Não sei se é vício – se fosse, talvez eu não tivesse conseguido, em certa ocasião, parar de uma vez e por uns dez anos -, mas a verdade é que eu gosto. Fumar me dá motivo pra sair da sala, ou da agência, ou de qualquer lugar onde a deletéria fumaça de um cigarro possa incomodar loucamente ou envenenar mortalmente outras pessoas, normalmente delicadas flores que cheiram fumaça de óleo diesel aos quilos todo dia, se entopem de picanha cancerígena e aterosclerogênica e bolachinhas recheadas com gordura trans sabor artificial de morango, flertam - flertam nada, trepam, em todas as posições listadas pelo kama sutra e em mais 17,5 ainda em fase experimental e não aprovadas pelo F(o)DA - com a cirrose e fodem com a paciência dos circunstantes através do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e do uso extremamente parcimonioso do próprio superego e de qualquer migalha de educação que suas mães e pais lhes tenham dado, tomam remédios pra emagrecer que as deixam maníacas e agressivas ou ansiolíticos que as deixam lerdas, burras e sonolentas, piram na ortorexia sem contemplar a quantidade de pesticidas, hormônios sintéticos e transgênicos existente em suas verdurinhas, frangos atropelados e grãos super saudáveis, ou seja : o cigarro não deixa de ser uma espécie de arma anti-mala histérico-hipócrita-burro, uma desculpa para a solidão, um repelente contra representantes da juventude sadia-e-dourada e da velhice apavorada ao mesmo tempo, com o ganho extra de que até as criancinhas ultra-chatas também são incentivadas a sair de perto do dragão cospe-fogo que insiste em não embarcar nesta forma de histeria, discriminação e perseguição em particular. Infelizmente, por outro lado meu pobre Marlboro mentolado atrai também a forma de vida mais baixa do my own private livrinho de biologia : o chato saudável que só quer o seu (ou, no caso, o meu) bem (sem que ninguém lhe tenha pedido, ou permitido, tal preocupação, mas isso pra ele é detalhe sem importância) e portanto não pode deixá-lo se envenenar sozinho e em paz no seu canto, sem se sentir instado por Deus e o destino a vestir sua capa sagrada, pegar a espada de fogo e a auréola de santo e vir encher o saco, seja com dados e estatísticas sobre as mortes causadas pelo cigarro, seja com gracinhas imbecis sobre fumantes serem fedidos ou, pior ainda, sacar da originalíssima piadinha da década de 70 do século passado (sem graça desde então) e perguntar se ele pode fazer xixi em mim, já que supostamente o xixi, e não a perda da noção, do equilíbrio, do bom senso, da coordenação motora e da capacidade de entender quando não é bem-vindo, é que é o “lado ruim do prazer de beber”. Eu sei que cigarro faz mal, assim como sei que praticamente tudo o que eu respiro, como, bebo, ingiro como remédio ou passo na pele como hidratante também faz. Da mesma forma como tantos desses chatinhos health-crazed sabem que a AIDS ainda mata, mas preferem acreditar que não porque não gostam de usar camisinha,  ou desconfiam que talvez morar sob torres elétricas lhes cause câncer, mas não estão dispostos a procurar outra casa ou a criar caso com as companhias que fornecem eletricidade (ou a indústria alimentícia, ou automobilística, ou eletrônica E ATÉ A tabagista, enfim : com corporações grandes, poderosas, bilionárias e cheias de advogados.). Normal, né ? Muuuuito mais fácil, prático e econômico pegar no pé ou torrar as gônadas da pessoa física indefesa, ou seja, do pobre coitado fumante mais próximo.  A pessoa supre sua necessidade vital de se sentir superior à malta ignara, dá um tapa gostoso no seu complexo de santa, elimina qualquer desconfiança de estar sendo um prego com a justificativa de estar sendo altruísta (heh) e não gasta um tostão nem compra briga com alguém que possa reduzi-la - e aos seus argumentos - ao pó de traque que, no fundo, ela já sabe que é. Eu sei que, com a minha saúde já em declínio há um bom tempo, em algum momento vou ter que parar de fumar novamente, de preferência de uma vez por todas, e provavelmente farei isso. Mas farei quando e se quiser, porque eu quero, e não porque bobos manipulados de diversos tipos que  gostam de se sentir superiores a mim porque não fumam me dizem que eu devo. E finalmente, porque ao contrário de todos esses gênios da raça, eu já percebi que fumando ou não, bebendo ou não, comendo ou não transgênicos, gorduras saturadas e o escambau, eu – e oh, sim, todos eles também – certamente vou morrer um dia, e não tenho o menor controle sobre quando ou como. Uuuuhh, pensamentozinho desagradável, né ? Tem gente que acha melhor nem lembrar disso, ou, se a lembrança surgir, beber pra esquecer. Eu prefiro acender um cigarro... e pensar a respeito. Pensar, sim, é um vício, e deste eu não quero me livrar nunca.



Escrito por Cynthia às 17h27
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DIÁLOGOS BEM BOBINHOS, SÓ PRA ATUALIZAR

Gatim diz:

Gozado como são as coisas. O Kadu Molha o Terno lança livro, e um monte de atrizes aparece lá, pra dar "apoio". Esprit de corps mais vagabundinho, hein.

Cynthia diz:

Esprit de porc das vagabundinhas, isso sim.


Gatim diz:

 Ah, o Doors (só com o Manzarek e o Krueger do original, claro) vem tocar no Bolshoi, domingo.

Cynthia diz:

Ainda bem que são só eles... se o Jim viesse também, tinha que ser na irradiação espírita, né ?


Gatim diz:

depositatum est

Cynthia diz:

hallellujah

Gatim diz:

Er... eu tou falando é do cheque do seu salário, não do meu...

Cynthia diz:

eu sei.

pra você ver como eu tô ficando aliviada à toa...


Cynthia diz:

Ei, que papo é esse do Flamengo acertar com o Adri*no ? Ele vai jogar no Fla em vez de se aposentar ?

Gatim diz:

Er. Parece que é verdade, hehehehe. Não conseguimos levar o Ronalducho, vai o Bartleby dos gramados.

Cynthia diz:

uai, bão tumém. E ele ainda pode continuar morando onde gosta.

Gatim diz:

Isso. E diz que ele tá namorando uma das mulé fruta.

Ou melhor, ela deu em cima dele depois do auê todo e ele correspondeu.

Cynthia diz:

Eita.

Cynthia diz:

“Eu acho uma coisa horrorosa

essa história de mulher-fruta.

Com qualquer outro nome a rosa

continua cheirando a puta.”

Gatim diz:

HAHAHAHAHHAHA

Cynthia diz:

by William of Assaré, Esq.

 


 

- O problema do twitter é que tem gente que não pensa antes de publicar, e aí sai dando canelada e ofendendo 200 amigos de uma vez só.

- É mesmo, devia se chamar “tirríter”

- Ou, pelo efeito que tem nos followers, “deskurt”.

 


 

Luri: quando você erra alguma coisa (mas tinha a certeza de que estava certa) te dá vontade de cortar os pulsos com a faca da cozinha?
Cynthia: dá sim.
Cynthia: que foi que cê fez ?
Luri: escrevi cuzcuz
Cynthia: Hehehe...
Luri: sem nem sonhar que a palavra tava errada...daí a clieeente viu
Luri: tô aqui sem saber se caso ou se compro uma bicicleta
Cynthia: fica triste não, Luri. Foi só um cuscuz. Todo mundo escreve cabunda de vez em quando...
Luri:
hahahahahha

 


 

Gatim diz:

Ói que interessante. http://www.imdb.com/title/tt0974014/

Cynthia diz:

Hehehe, sabia não que seu Darwin e dona Darwin eram lindos assim...

Gatim diz:

Rindo a toa

Cynthia diz:

Isso é que é evolução, hem ?

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Cynthia às 16h57
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